BEPiD_Semana02

Bem vindo ao Swift!

Segunda semana de BEPiD, finalmente recebemos nossos tão esperados “presentes”: novíssimos macbooks e iphones direto da mamãe Apple. Todos animados com os novos brinquedos obviamente devoramos as embalagens refinadas e funcionais dos aparelhos, com seus encaixes perfeitos e o modo único como os funcionários chineses os empacotam, sendo impossível recoloca-los do mesmo modo na caixa novamente. Malditos expierence designers e suas táticas tão sutis e sedutoras!

Mas antes de ir ao cerne da questão, devo acrescentar que na quarta-feira tivemos uma palestra incrível sobre interações humanas, tipos de personalidades e métodos para trabalhar em times com a mestre em improviso Rebbeca Stockley — a ImprovLady como é conhecida — que presta consultoria para equipes de grandes empresas como a Pixar e Apple. Foi uma experiência única ter uma profissional como essa nos orientando para melhorar nossas interações e nos fazer compreender melhor a nós mesmos e o outro no ambiente de trabalho e muito além disso, pois foram lições que serão levadas para a vida toda.

“Como o estudo em duplas pode ter mais impacto no meu aprendizado?”

Retomando, depois da grande euforia com a palestra e os novos gadgets, como sempre no BEPiD já temos o próximo desafio batendo à nossa porta: a linguagem de programação Swift — específica para desenvolvimento iOS — e devo acrescentar: que desafio amigos! Como a maior parcela da turma era composta por programadores, muitos tiveram alguns tropeços mas logo se via que estavam bastante confortáveis com a nova linguagem. Contudo ao olhar mais cuidadosamente se podia notar alguns rostos confusos, expressões perdidas de estranhamento e um certo desconforto nítido expresso pela feição de quem não tem a menor ideia do que estava acontecendo na tela à sua frente. Sim, esses éramos nós: os designers.

Já imaginava que seria difícil começar a programar, mas quando as coisas não faziam o menor sentido, e a minha lógica de pensamento totalmente não linear não batia em nada com o que o programa exigia foi que percebi que o buraco era bem mais embaixo. Felizmente, fomos orientados logo na primeira aula a nos agruparmos em duplas, sendo um programador com outro não a fim de equilibrar os conhecimentos e ajudar-nos uns aos outros, e logo se percebeu qual o lado precisava de mais atenção. Conforme nos eram passados os conceitos e sintaxe básica, mesmo que fizesse muito esforço para acompanhar o raciocínio era quase impossível se manter focado com tantas novas informações, conceitos, atalhos, comandos… foi como ser deixado no meio de um cruzamento de avenidas na Índia: um total caos, informações e ruídos estranhos vindos de todos os lados, movimentos e ações aparentemente incompreensíveis, mas que sob a lógica local fazem todo sentido e funcionam perfeitamente. Por sorte tínhamos bons guias nessa jornada em meio a vacas, constantes, mototáxis, variáveis, buzinas e calor, funções e strings. Nossos colegas programadores, mesmo ainda em adaptação à nova interface se mostraram muito solidários a seus colegas ainda leigos e nos guiavam como podiam, tentando nos fazer ver o mundo através de seus olhos e códigos. Acredito que esse é um dos maiores benefícios do aprendizado em grupo, pois os conhecimentos de um complementam as lacunas do outro, e assim se contrói um aprendizado muito mais sólido através da resolução de desafios, que é onde surgem as grandes ideias e as lições aprendidas ficam guardadas para sempre.

Aos poucos — e muito pouco mesmo — comecei a entender alguns conceitos básicos de como pensam essas máquinas de contar, e tive a sensação de estar de volta às terríveis aulas de matemática do ensino médio que não precisei fazer grande esforço para esquecer. De fato alguns fantasmas sempre voltam a nos assombrar, e esse veio para ficar um bom tempo. Tudo que me resta é aceitar sua companhia e aprender com ele, pois às vezes é preciso sair totalmente de sua zona de conforto para perceber que existem outros modos de pensar e o mundo é muito mais amplo e diferente do qual àquele que nos acostumamos a viver.

Se não fosse pela orientação de nossos colegas, professores e monitores acredito que mal teria saído do primeiro exercício da lista que nos passaram para treinar. Agradeço muito a todos que me ajudaram e peço mais de sua paciência, pois ainda tenho um longo caminho pela frente nesse país estrangeiro onde as ruas, prédios e pessoas são feitos sim e não, certo ou errado, zero e um.