A escalada, enfim, alcançou a Olimpíada

Modalidade estará, pela primeira vez, na programação dos Jogos Olímpicos em 2020

Em agosto de 2016, a modalidade escalada entrou para a lista de esportes considerados olímpicos e vai fazer sua estreia em Tóquio 2020. Desde o anúncio, feito pela International Federation of Sport Climbing (IFSC), associações que organizam o esporte ao redor do mundo preparam os atletas para as classificatórias, que irão ocorrer somente em 2019.

É o que acontece aqui no Rio Grande do Sul, com a Associação Gaúcha de Montanhismo (AGM), lugar de intensos treinos do atual campeão brasileiro de escalada, Pedro Nicoloso, de 27 anos. “Está nos meus planos chegar às Olimpíadas. Estou correndo atrás de patrocínios, alguns irão me dar resposta no final do ano ou no início do próximo, mas a proposta é estar em 2018 com tudo encaminhado”, conta o atleta, que pratica o esporte desde os 12 anos.

Pedro divide sua rotina com treinos constantes na AGM (Foto: Débora Vaszelewski/Beta Redação)

A participação na Olimpíada é também uma oportunidade para que a escalada tenha mais vitrine. De acordo com Pedro, a prática esportiva ainda carece de estrutura e apoio no país. “Acredito que o esporte vai crescer, que vai ter mais visibilidade e, consequentemente, atrair mais investidores para os atletas e para o esporte”, salienta. Além disso, ele assinala o esforço da Associação Brasileira de Escalada Esportiva (ABEE), que está, junto com o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), conquistando recursos para 2018, ano de preparação para as classificatórias.

E como vai ser?

O formato de disputa da escalada nas Olimpíadas ainda passa por discussões. Mas já se tem a definição de que o campeão será definido a partir da somatória de três etapas:

1) Boulder: é uma escalada que não usa cordas. A parede chega no máximo a 5m de altura;

2) Dificuldade: o percurso é com corda. As paredes têm até 20m, e os obstáculos se tornam mais difíceis conforme o atleta vai subindo. É preciso muita técnica e resistência;

3) Velocidade: uma corrida entre dois escaladores. Por ser feita em uma parede vertical, torna-se mais fácil. Ganha quem chegar primeiro na campainha que fica no topo da parede;

Também está definido que a fase preliminar será composta por 40 atletas — 20 no masculino e 20 no feminino. A final será com os seis melhores de cada. Os países serão representados por dois atletas homens e duas mulheres.

Essa disputa combinada tem gerado certa insatisfação, como explica o presidente da AGM, Rafael Caon: “Avaliar o competidor em três etapas tem deixado os atletas um pouco desgostosos, porque elas são completamente distintas, e eles (COB) colocaram tudo junto”, afirma. Mas Rafael pondera que, nesse primeiro momento, a ideia é fazer com que a escalada seja percebida, que as pessoas vejam como é o esporte e possam criar uma admiração.

Espaço para profissionais e amadores

A Associação Gaúcha de Montanhismo fica em Porto Alegre e é um dos locais de referência no Brasil para praticar e treinar a escalada indoor. A AGM conta com 120 associados no Estado e com cerca de 60 membros ativos que frequentam o local, segundo a tesoureira Luciane Pacheco.

Atletas e amadores dividem espaço e experiências nos muros da AGM. (Foto: Débora Vaszelewski/Beta Redação)

É o caso da Daniele Bini, de 34 anos, que começou a escalar há cerca de um ano. “Notei uma evolução bem grande desde que comecei, estou bem satisfeita. Pra mim, a escalada está num patamar bem avançado de treinamento e de disciplina”, afirma. Além de praticar em local coberto, Daniele também escala ao ar livre. “Encontrei na escalada uma maneira de treinar meu físico, minha disciplina e minha mente. A diferença entre escalar aqui e nas rochas é que tu precisa controlar tua respiração, tua ansiedade e o teu medo”, conclui.

Daniele Bini (no topo) treina duas vezes por semana no muro e de uma a duas vezes por semana na rocha ao ar livre. (Foto: Débora Vaszelewski/Beta Redação)
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