
Você já ouviu falar da alergia ao filho?
Desconhecida pela sociedade, reação pode ser confundida com outras doenças alérgicas
Por Nagane Frey e Tamires Trescastro
A expressão “alergia ao filho” pode assustar, gerar dúvidas ou, até mesmo, soar como sensacionalista. Porém, é uma doença real. A penfigóide gestacional é uma rara condição em que a mãe passa a apresentar reações alérgicas que se manifestam durante a gravidez ou no pós-parto. Em pesquisa e entrevista com especialista, a Beta Redação tentou compreender um pouco mais sobre esta alergia.
Entendendo a doença
Com possível manifestação desde a quarta semana de gestação e com maior incidência entre a 28ª e a 32ª semana ou no pós-parto, a penfigóide é um tipo raro de dermatose bolhosa autoimune, que acontece especificamente durante esse período. De acordo com o alergista Cassiano Marçal Mescka, 42 anos, durante a doença os anticorpos atacam antígenos epidérmicos, substâncias que produzem alguns tipos de anticorpos. Com isso, acontece a separação da junção entre as células da pele e, consequentemente, a formação de bolhas. Entretanto, essa condição se manifesta raramente e é tratável.
"Acontece um caso de penfigóide gestacional de 10 a 50 mil gestações, mas somente 10% das crianças são afetadas" explica o alergista Cassiano Mescka.
Os sintomas começam com lesões papulovesiculares (como herpes simples, varicela, varíola, tuberculose, fungos e candidíase) ou urticárias no abdômen, normalmente em torno do umbigo e, então, passam a evoluir até que crie erupções bolhosas. De acordo com o Manual MSD, outras partes do corpo, como as palmas das mãos, as plantas dos pés, o tronco e a região glútea, também podem ser afetadas, mas o rosto e as membranas mucosas não são atingidos. No início do trabalho de parto, as lesões tendem a piorar em até 75% dos casos, mas tendem a regredir em semanas ou até dois meses depois do nascimento da criança.

Quando se apresentam os sintomas, é necessário procurar um médico alergista. “O diagnóstico é feito por biópsia cutânea com achados histológicos de bolha subepidérmica à imunofluorescência (biópsia da pele)”, comenta o alergista. Para o tratamento, é utilizado o corticóide prednisolona pois não afeta a gestação. No caso de já ter passado o nascimento, não há contraindicação no contato físico entre mãe e bebê na amamentação, desde que não haja o uso de medicamentos que passem para o leite.
Conheça outras doenças que podem atingir a mulher durante a gestação
Ana Elaine Panzenhagen, 47, começou a sentir muita coceira do peito para baixo durante à noite, entretanto, não havia nenhuma marca no seu corpo. Em consulta com ginecologista, soube que se tratava de colestase gestacional, também conhecida como intra-hepática da gravidez, gravídica ou obstétrica.
No caso de Ana, os tratamentos com antialérgicos não tiveram efeito, mas as coceiras cessaram na primeira noite após o nascimento de seu filho. Essa é uma doença que atinge cerca de 1% das gestantes, e se caracteriza pela redução no funcionamento do metabolismo hepático, o que faz com que surja um acúmulo de sais biliares no organismo. Por consequência, além da coceira, a doença pode desencadear um parto prematuro ou prejudicar a oxigenação e a nutrição do bebê.
Além disso, também existem outras doenças de pele desconfortáveis, que podem se manifestar nas mulheres que esperam seus filhos, sendo essas tipos de dermatose específicos da gravidez. Ambas não implicam em riscos para a mãe ou para o bebê e são tratáveis, assim como a penfigóide, com anti-histamínicos e corticóides. A Beta Redação listou algumas destas doenças de pele que podem afetar as gestantes.
Erupção polimorfa da gravidez

É a dermatose mais comum neste período, com incidência de uma em cada 160 gestantes. Surgem, na pele, pápulas eritematosas (urticária), normalmente no terceiro trimestre da gestação ou logo após o parto. As reações se parecem um pouco com a fase inicial da penfigóide. Pode estar associada à primeira gestação, à gravidez de gêmeos ou ao ganho de peso excessivo durante a gestação.
Prurigo da gravidez

Sua incidência é de uma em cada 300 gestações, normalmente entre a 25ª e a 30ª semana (terceiro trimestre da gravidez). Se manifesta em pápulas pruriginosas (pápulas urticariformes), que evoluem para nódulos nos membros, como pernas por exemplo. A alergia é a segunda doença mais freqüente da gravidez, e costuma desaparecer logo após o parto, embora possa durar por até três meses.
Foliculite pruriginosa da gravidez

Também considerada como uma condição rara, é uma inflamação que se manifesta entre o quarto e o nono mês de gestação e dura cerca de três semanas. Não há uma certeza de sua origem e pode ser tratada com cremes à base de peróxido de benzoíla 10% (agente oxidante, com propriedades antibacterianas, que pode ser utilizado para tratamento de acne), e hidrocortisona 1% (indicada para tratamentos de pele como dermatites, eczemas, vermelhidão provocada por sol, queimadura de 1º grau e picadas de insetos).

