Mercado promete kits de cesta básica mais práticos e baratos

Pesquisa revela que compra do pacote fechado de itens básicos consumíveis surge como alternativa de economia aos consumidores da Região Metropolitana, de Porto Alegre

Representando mais de 40% da média do salário mínimo regional, a cesta básica da capital gaúcha foi a mais cara do Brasil no mês de agosto, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Pesquisadores e economistas acompanham mensalmente 13 itens alimentícios (veja o quadro abaixo) para descobrir o quanto variam. Esses itens e suas respectivas quantidades, que seriam suficientes para o sustento e bem estar de um trabalhador, são diferentes por regiões e foram definidos pelo Decreto n° 399 de 1938, que ainda continua em vigor. Baseado na legislação, o mercado descobriu uma brecha e criou o kit de cesta básica.

KITS DE CESTA BÁSICA COMO ESTRATÉGIA COMERCIAL

O kit de Cesta Básica surgiu como alternativa para atender populações com hábitos alimentares distintos, além de funcionar como estratégia dos varejistas ao facilitar a aquisição por pessoas físicas ou empresas. Antônio Cesa Longo, presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (AGAS), afirma: “O varejo de sucesso é aquele que simplifica a compra para o cliente, e certamente a oportunidade de adquirir cestas básicas prontas, favorece a praticidade aos consumidores”. Em contrapartida, Everson Vieira, coordenador do Núcleo de Pesquisa Econômica Aplicada (NPEA) da UFRGS, aponta a venda de kits como uma forma de estimular a entrada do cliente no comércio: “Se tu botar kits de cestas nas redes, as pessoas não vão entrar lá só para comprar os kits, eles vão olhar mais coisas”.

Há 14 anos, Longo garante que a montagem dos kits pode representar boa parte do faturamento para algumas bandeiras supermercadistas. A questão, é que não existe uma fórmula pronta — tudo depende do porte e público-alvo de cada empresa. A única padronização existente na produção do kit é a tributária, como explica Longo: “Existem leis federais e municipais que regulam os produtos considerados básicos, mas somente a título de tributação”.

COMÉRCIO DE KITS COMO FONTE DE RENDA

Há um ano, Osiel Granir criou um negócio focado em cesta básica. O proprietário da Cesta Básica Silva, diz garantir menores preços aos seus clientes através da pesquisa de mercado. “Escolhemos melhores marcas, fazemos pesquisas na internet comparando o preço dos produtos. Além disso, compramos em grandes quantidades e procuramos colocar uma margem de lucro menor”, garante.

Localizada no Bairro Sarandi, em Porto Alegre, a empresa oferece kits de alimentos, limpeza e higiene que contém a partir de 25 itens. A cesta de alimento mais barata (17 ítens) custa R$ 100 e a mais cara (41 ítens) R$ 200. Os kits de higiene e limpeza variam entre R$ 30 e R$ 40. Já os kits ranchos, também conhecidos como “kit custo-benefício”, abrangem ambas as cestas básicas, uma caixa de leite e uma bandeja de ovos,sendo que os preços variam entre R$ 170 e R$ 280.

KIT VS. PROMOÇÃO

Que brasileiro adora uma promoção, isso todo mundo já imaginava. Uma pesquisa realizada em junho pela Kantar Worldpanel, empresa global especializada em comportamento de consumo, comprovou que realmente o brasileiro é apaixonado por promoções. Durante o primeiro trimestre de 2017, o Brasil liderou o ranking entre os países que mais geraram valor em ofertas especiais (40,1%), seguido de Argentina (40%), Reino Unido (38%), Itália (34,5%), Holanda (20,6%), Alemanha (17,4%), Espanha (14,5%) e França (13,5%). Ainda segundo a pesquisa, 80% dos consumidores brasileiros compraram itens em promoção, sendo que 55% deles afirmam que escolhem as lojas pelas ofertas especiais oferecidas.

Em relação ao que geraria maior custo benefício ao consumidor, o presidente da Agas revela: “Cada consumidor deve fazer as contas e pontuar sua melhor opção. Assim como não existe fórmula pronta para o varejo, também não há solução mágica para o consumidor economizar. A melhor alternativa é a pesquisa de preços e atenção às promoções feitas pelo varejo”.

Para o dinheiro render nas compras do final do mês, a balconista, Marlene da Rosa, procura promoções em diversas redes de supermercados, assim garante a Cesta Básica de sua família comprando separadamente os itens. Apesar de ser mais cara, essa é a opção mais viável: “Às vezes vem (no kit) algum feijão que a gente não gosta, a marca não é muito boa, ou vem algum tipo de bolacha, alguma coisa que a gente não come”.

OUTRAS FINALIDADES

Além do consumo próprio, o kit de Cesta Básica possui diversas outras finalidades. Osiel Granir garante boa parte da venda dos seus produtos para grande empresas que, ao invés de beneficiarem seus funcionários com Vale Refeição, optam por conceder o kit Cesta Básica ao final do mês. “É estabelecer uma relação de valor entre um salário que tu vai pagar a um trabalhador e o valor da cesta que ele vai adquirir”, explica Vieira.

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