Arte e tradição no balé de Esteio

Sabine Costella atua na modalidade há mais de trinta anos e se orgulha em formar novas profissionais

Gabriela Stähler
Aug 31, 2018 · 4 min read
Sabine Costella dando aula na companhia de dança que leva seu nome. (Foto: Arquivo pessoal)

Fazer arte por meio da dança e manter-se sempre atualizada em um meio tão tradicional é um desafio, assim como transformar alunas do balé infantil em grandes amigas ao longo do seu crescimento. Nisso, Sabine Costella, 51 anos, é especialista. A professora de dança dá aulas em Esteio, na região metropolitana de Porto Alegre, há mais de trinta anos. Já passou por oito escolas e hoje é dona de uma companhia de dança que leva o seu nome e é sócia de outra, a Franco Movimento Cultural.

Esposa de Fladimir Costella, que já foi vice-prefeito da cidade, Sabine domina a técnica de fazer boas relações por onde passa e cativar as alunas que participam de suas aulas. Com três décadas atuando na cidade, já compartilha da sua credibilidade com familiares, alunas e sócios.

Parceria além da dança

Um exemplo dessas boas relações é Letícia Rech, de 25 anos. Ela é uma das alunas de balé de Sabine que nunca deixou de frequentar as aulas, mesmo tendo que conciliar a dança com a carreira na Engenharia. A bailarina tem uma relação com a professora que vai além da companhia: “Depois de tantos anos, é muito mais que um relacionamento de professora e aluna”, diz ela. “A Sabine já faz parte da minha rotina e tenho um vínculo de amizade muito grande”, comenta.

A boa relação com as alunas, porém, não é tudo o que a profissional oferece com o seu trabalho. Letícia, por exemplo, afirma que os motivos para continuar na companhia são a qualidade das aulas e a entrega da professora.

Ensinamentos para crianças e adultas

Algumas bailarinas conheceram o trabalho de Sabine Costella somente depois adultas, ingressando na companhia como iniciantes a partir dos 20 ou 30 anos de idade. É o caso de Caroline de Almeida, de 39 anos, que iniciou a prática em 2017 e já colocou a filha de dois anos, Helena, para dançar.

“A Helena ia me buscar no balé com menos de dois anos e já via o final da nossa aula, além das outras crianças esperando”, lembra Caroline. Quando ocorre esse tipo de situação, Sabine diz que fica muito gratificada: “Passei para as alunas coisas boas e ensinamentos que elas também querem que as filhas recebam”.

Sobre a relação de Sabine com as adultas recém chegadas na dança, Caroline diz que a profissional “ensina, cobra, incentiva e elogia na medida certa”. É por isso, segundo Caroline, que as bailarinas conseguem se desenvolver. A aluna também descreve a profissional como “disponível, acessível, interessada pelas alunas e sempre pronta para apoiar”.

A dança como um negócio

De professora de balé infantil em escolas, Sabine passou a empreender e ter sua própria companhia de dança no centro da cidade de Esteio. No local, já são ensinadas diversas modalidades de dança, incluindo balé, jazz, zumba e dança do ventre.

Kelly Ynoue, de 33 anos, é parceira de Sabine na companhia, dando aulas de dança do ventre uma vez por semana no local. “Minha parceria com a Sabine é muito saudável. No início conversávamos bastante sobre a didática, evolução das alunas, mas logo ela me deu autonomia para elaborar as aulas. Quando temos uns minutinhos, conversamos sobre assuntos como turmas ou eventos. Ela nunca deixou faltar nada e confio bastante nela”.

Aos poucos, Sabine foi formando uma equipe em que poderia confiar para tocar a sua Companhia. Jussara Baptista, por exemplo, trabalha recepcionando as alunas há dois anos, tendo visto diversas jovens que seguiram suas carreiras na área: “É a única Companhia na cidade que forma bailarinas que querem dar continuidade na profissão e buscar sua diplomação”.

Júlia Franco é uma das alunas que se formou no ano de 2017 e, com a ajuda da família, abriu a própria Companhia no bairro Santo Inácio, em Esteio. Sabine entrou como sócia e hoje as duas se dividem para dar aulas de balé, enquanto a família de Júlia dá aulas de música no local. O Franco Movimento Cultural, como é chamado, virou uma referência na cultura da cidade.

Sabine Costella e Júlia Franco na inauguração do Franco Movimento Cultural. (Foto: Arquivo pessoal)

Quando questionada sobre o fato de formar a sua própria concorrência na cidade, Sabine afirma alegremente que gosta quando isso acontece: “Na realidade, me orgulho de ter conseguido formar profissionais”.

Além do ofício, a profissional se dedica à faculdade de Psicologia, sua segunda graduação — a primeira foi Educação Física. Com isso, ela busca aprimorar o ensino da dança e, futuramente, ter seus próprios pacientes na cidade.

Beta Redação

A Beta Redação integra diferentes atividades acadêmicas do curso de Jornalismo da Unisinos em laboratórios práticos, divididos em cinco editorias. Sob a orientação de professores, os estudantes produzem e publicam aqui conteúdos jornalísticos de diversos gêneros.

Gabriela Stähler

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