Bem-estar animal também é direito

Lei que prevê controle de natalidade visa amenizar a realidade de cães e gatos de rua

Cláudio fazendo graça em frente à Benoit de São Sebastião do Caí. (Foto: Arquivo pessoal/Cássio Azolin)

Em março desse ano, foi aprovada a Lei 13.426, que prevê um controle de natalidade de cães e gatos através da esterilização. Ou seja, essa garante que o procedimento seja realizado em todo o território nacional por cirurgia ou outro procedimento que garanta eficiência, segurança e bem-estar ao animal. A castração é importante pois os animais se reproduzem em progressão geométrica, sendo assim, cachorros não castrados podem gerar cerca de 60 mil filhotes em apenas sete anos, enquanto os gatos podem alcançar o número de 420 mil descendentes no período.

Gráfico de reprodução animal em 10 anos. (Ilustração: SOS animais)

O programa de castração levará em conta o estudo das zonas com superpopulação ou quadro epidemiológico, além da quantidade de animais a serem esterilizados, por localidade. Terão prioridade também animais situados ou pertencentes a comunidades de baixa renda.

Unidades de controle de zoonoses que não conseguirem executar o programa de esterilização poderão atuar em parceria com entidades de proteção aos animais e clínicas veterinárias legalmente estabelecidas.

Um caso a parte

A ONG Vira Lata no Caí possui 80 cães para adoção. Todos castrados e vacinados. Paola Mello, a presidente da organização, declara que, atualmente, eles lutam muito para conseguir dinheiro para os procedimentos que garantem um bom lar para os cães. “Se essa lei entrar em vigor e funcionar, será perfeito. Esterilizar os animais garantiria uma vida melhor e diminuiria demais os animais de rua. É um solução maravilhosa”, destaca.

A Organização precisa fazer eventos, rifas e venda de produtos para poder manter 100% dos cachorros resgatados castrados. A sorte, como Paola mesma diz, são parcerias com veterinários que fazem a baixo custo qualquer tratamento necessário. Ela garante que essa é a realidade de muitas ONGs de proteção animal.

Cláudio, após o banho, visitando os padrinhos do Centro. (Foto: Arquivo pessoal/Greyci Zardo)

Esse é o Cláudio, cachorro comunitário do centro de São Sebastião do Caí. Seu nome foi escolhido por Eduarda, filha do gerente da Benoit, Cássio Azolin. O cão “ mais dócil e amigo que já se viu” apareceu vagando pelas ruas da cidade e Cássio, com pena do animal, levou-o para casa.

Acomodado e alimentado, foi hora de levar Cláudio ao veterinário, lá recebeu as vacinas para vermes e pavo virose. Teve tratamento para um abcesso no focinho e ficou pronto para voltar para a casa de Cássio, mas por pouco tempo. O instinto de liberdade do cachorro falou mais alto e ele fugiu. Algumas vezes, ele aparecia de noite na casa de Cássio e este acolhia novamente o animal. O animal ficava, comia, descansava e no dia seguinte ia embora novamente. “O Cláudio por várias vezes foi acomodado em minha casa, mas sempre dava um jeito de escapar, e como eu trabalhava no centro da cidade, hora ou outra esbarrava com Cláudio por lá” comenta Cássio, a respeito da rotina do cachorro.

Apesar dos hábitos andarilhos do cachorro, há duas moradas fixas de Cláudio. Uma casinha ao lado da loja Benoit, parafusada no chão. E uma ao lado da loja Lebes, que por não ser presa no chão, foi roubada, porém devolvida após forte campanha nas redes sociais. O centro da cidade é o lar do cão. Taxistas e lojistas cuidam dele, cada dia um leva comida e água. Em caso de urgência ou acidentes, eles racham a conta do veterinário.

Há todo um sistema de banhos semanais entre os “padrinhos” do cão. Começou por Greyci Zardo, gerente da Loja Espaço Exclusivo. A dinâmica é simples: em cada semana, um dos padrinhos leva o Cláudio para uma limpeza. Seja ela caseira ou na petshop, fica a critério do padrinho da vez. Mas a preocupação maior é com a castração. Seus padrinhos não conseguiram incluí-la no orçamento ainda.

Segundo a veterinária Cassandra Koch, que cuida de Cláudio desde a primeira experiência com Cássio, a castração em cães, principalmente machos, ajuda a combater fugas, evita brigas com outros machos, diminui a agressividade e a marcação de território, além de ser efetiva para o controle de natalidade.

Embora Cláudio tenha cuidados especiais e seja muito querido e amado por seus cuidadores, nem todos os animais de rua tem essa sorte. Segundo a Organização Mundial da Saúde(OMS), Brasil tem 30 milhões de animais vivendo nas ruas, sendo apenas 10% castrados. Portanto, agora que a Lei foi aprovada, resta torcer que seja cumprida e mude a realidade dos animais do Brasil.

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