FOTO: CERIMÔNIA DE ABERTURA DO 45° FESTIVAL DE CINEMA DE GRAMADO/FABIANO SCHECK

Cinebiografias seguem com espaço no audiovisual brasileiro

Artur Colombo
Aug 26, 2017 · 4 min read

“João, O Maestro” abriu o 45° Festival de Cinema de Gramado

O cinema brasileiro possui uma conexão com biografias. Bruno Polidoro, professor de direção de fotografia, do curso de audiovisualidades da Unisinos, explica: “Há uma tradição, tanto no cinema brasileiro, como no cinema do Rio Grande do Sul, de retratar filmes históricos. Se formos observar, até a década passada, praticamente mais da metade dos filmes lançados aqui eram filmes históricos. Dessa forma, analisando essa característica do cinema nacional, de revisar o passado, podemos entender essa conectividade com filmes de biografia”. Além disso, Bruno fala de uma tendência de mercado: “Brasileiro é acostumado com programas e personagens que migram da TV para o cinema”. Segundo o professor, essa tendência pode evidenciar a vontade da indústria cinematográfica brasileira de construir roteiros baseados em histórias de figuras conhecidas pelo público.

O filme que abriu o 45° Festival de Cinema de Gramado, na última sexta-feira (18), evidencia ainda mais essa característica do cinema brasileiro. João, O Maestro conta a história de João Carlos Martins, maestro brasileiro que teve deformações ósseas nas mãos, obrigando-lhe a se reinventar na profissão. O evento de abertura contou com a presença do diretor Mauro Lima, que já possui uma carreira em filmes de biografia. Ele foi o responsável por filmes como Meu Nome Não É Johnny e Tim Maia. Outros membros da equipe também marcaram presença, como a Produtora Executiva Paula Barreto, o ator Rodrigo Pandolfo, que interpreta João no início da vida adulta, e as atrizes Alinne Moraes e Fernanda Nobre, que interpretam as esposas do maestro.

Atuando em uma cinebiografia

FOTO: RODRIGO PANDOLFO EM ENTREVISTA NO TAPETE VERMELHO/FABIANO SCHECK

No tapete vermelho do festival, Rodrigo Pandolfo falou sobre os aspectos que diferem a interpretação em cinebiografias para o cinema com personagens ficcionais. Segundo ele, a diferença está ligada ao fato de que em uma cinebiografia há uma figura muito especifica para se basear. “Por um lado, isso é positivo porque você tem de certa forma um alicerce seguro e, por outro, também”, brinca o ator. Pandolfo complementa dizendo que “eu adoro e fico muito feliz fazendo criaturas que existem e, mesmo quando eu faço um personagem que eu preciso criar, de alguma forma eu olho para alguém e procuro entender alguma característica daquela pessoa para compor meu personagem”.

Construindo uma cinebiografia

FOTO: ENTREVISTA COLETIVA COM A EQUIPE DO FILME JOÃO, O MAESTRO/FABIANO SCHECK

No dia seguinte, a equipe do filme concedeu entrevista coletiva aos jornalistas presentes no festival. Entre as perguntas, o diretor Mauro Lima falou sobre sua experiência ao realizar uma nova cinebiografia, dessa vez, sobre o maestro João Carlos Martins: “Quando eu conheci a história do João, além daquilo que eu já sabia, que era basicamente um maestro que perdeu a mão por esforço repetitivo, a minha suspeita era de que a relação dele com a música não fosse estritamente compulsiva”. A partir daí, Mauro continuou relatando o passo a passo que realizou para desvendar a possível obsessão de João pelo piano.

Segundo o diretor, enquanto preparava o roteiro, realizava encontros com o maestro. Em um destes encontros, Mauro relata que resolveu questiona-lo sobre os encontros amorosos que tinha quando era um jovem pianista no Rio de Janeiro. Ele afirma que isso poderia ser uma forma de desvendar qual era a verdadeira paixão do maestro na época. “Tem uma chave em você que eu suspeito que exista, mas eu não sei bem o que é, em um momento você é um garoto introvertido que sofre Bullying e de uma hora para outra você é a figura de um cara sedutor com uma personalidade expansiva, tem algo que não junta aí”.

Mauro conta que este foi o momento em que ele entendeu que não era um filme sobre compulsão. Ele diz que, apesar de gostar muito daquilo que faz, João deixaria isso de lado por uma garota. “É uma relação de paixão entre ele, a vida, as mulheres e o piano”, afirma o diretor.

Ao ser perguntado se houve restrições no roteiro por parte de Martins, Mauro afirma que não. “Na verdade, havia alguns momentos em que eu achava que ele não estava me contando alguma coisa”. Lima diz que resolveu isso ao conhecer Ricardo Carvalho, autor da biografia de João. Segundo ele, toda vez que João parecia não relatar algo, pedia informações a Ricardo Carvalho.

Para finalizar, Mauro contou sobre o que mais gostou no processo de produção do longa. “Foi muito bom cinebiografar esse livro, porque o biografado estava solicito o tempo todo”, e comentou a facilidade de produzir o filme ao ter o biografado auxiliando nas filmagens: “Nos dias de cena com execução em piano ele estava presente na gravação. Ter o cara vivo ali do teu lado é bom nesse sentido, tu mostra o playbeckzinho pro cara e ele te ajuda, isso é muito bom”.

Para saber mais sobre o filme e entender mais as características de um filme cinebiografico, clique aqui.

Beta Redação

A Beta Redação integra diferentes atividades acadêmicas do curso de Jornalismo da Unisinos em laboratórios práticos, divididos em cinco editorias. Sob a orientação de professores, os estudantes produzem e publicam aqui conteúdos jornalísticos de diversos gêneros.

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