Parada Livre rompe com produtora e é realizada pela mobilização de entidades e coletivos

Pelo segundo ano consecutivo a manifestação não teve apoio da prefeitura de Porto Alegre

A 22° Parada Livre, ocorrida em 18 de novembro, na Redenção, celebrou o orgulho da comunidade LGBT. O evento esteve perto de não ser realizado, já que a produtora que montaria o palco das atrações desistiu 20 dias antes da data marcada. Sem apoio, a organização se mobilizou através da internet e arrecadou a verba necessária para a realização, com o tema “Resistir para não morrer”.

Público celebrando a Parada Livre na Redenção. (Foto: Divulgação/Facebook: Parada Livre de Porto Alegre)

Célio Golin, coordenador do grupo Nuances — ONG que luta pelos direitos civis, políticos e sociais dos indivíduos LGBT — conta que, depois do rompimento com a produtora que organizava a Parada, mais de 15 entidades e coletivos envolvidos buscaram, às pressas, por parcerias e apoiadores. “Tivemos a compreensão de que, no atual momento político, a realização do evento seria um ato de resistência e essa união foi fundamental para conseguirmos o resultado que tivemos.”

O Nuances, junto com o restante da organização, contou com apoio de uma empresa de transporte privado urbano, além de estabelecimentos comerciais vinculados ao público LGBT para realizar mobilização nos 20 dias que antecederam a data marcada para a Parada acontecer.

Celio entende que a prefeitura deveria apoiar os movimentos sociais, pois são setores que representam populações vulneráveis, seja por questões de gênero, de raça ou econômicas. “O dinheiro é público, se pode ser repassado a iniciativas privadas por meio das parcerias, porque não para a sociedade civil que também contribui para a arrecadação municipal?”, questiona. Ele compreende essa atitude proveniente do Estado como estratégica. “É uma questão de enfraquecer a sociedade civil que hoje está ameaçada por esse modelo de governo”, conclui.

Taynah Ignacio, de 22 anos, que milita no Juntos LGBT, participou da organização e lembra que esse é o segundo ano em que a prefeitura não disponibilizou verba para a estrutura e a montagem do evento. “Seria muito importante que a prefeitura se colocasse a disposição, já que não é apenas uma festa com vários shows e afins, mas sim um dia de ação social”, explica.

Organização da Parada Livre no palco. (Foto: Divulgação/Facebook: Parada Livre de Porto Alegre)

Sobre a importância da Parada LGBT, Taynah conta que participa da organização desde 2015, logo depois que se assumiu lésbica. “O primeiro ano em que participei foi bem significativo para mim”, relata. Também explica que não é uma atividade fácil, já que são diversos coletivos envolvidos, cada um com a sua visão e seu modo de articular os procedimentos necessários. “O movimento para que Parada acontecesse foi maravilhoso. Nunca tinha visto uma mobilização tão grande em volta da organização como neste ano”, relata.

Para Felipe Vicente Lopes, 21, estudante de Letras, o evento, além de ser instrumento importante para o movimento LGBT, também promove informação, arte e música, sendo apenas um recorte de uma cultura vista com maus olhos por uma fatia significativa da sociedade. “É muito bom ver que as pessoas se preocupam com a necessidade de ter a parada. Inclusive é muito bom ver pessoas de fora da comunidade LGBT se importando com a nossa existência em tempos como este, onde o retrocesso está batendo na nossa porta”, aponta.