De melhor amigo a parceiro

Feito para quem ama estar com seu cão, o Canicross é sinônimo de saúde e cumplicidade

Literalmente um esporte bom para cachorro, e, claro, para o atleta. O Canicross, um esporte ainda pouco conhecido em território brasileiro, nasceu no Reino Unido, na Europa, e consiste em uma corrida de pessoas e cães. Aos poucos, a modalidade vem conquistando e encantando os gaúchos.

Mas não é qualquer corrida. Por trás do esporte há muita dedicação, tanto do participante humano quanto do animal. Uma modalidade ainda muito recente no Rio Grande do Sul, o Canicross tem ganhado espaço entre os corredores, mostrando o quanto a prática do esporte é importante para ambas as partes. Segundo o presidente e fundador da Associação Gaúcha de Canicross (AGCani), Maurício Pinzkoski, o esporte ajuda na redução da obesidade, ansiedade e faz com o que o dono e o cão fiquem cada vez mais próximos.

Feito para quem curte se exercitar junto com seu melhor amigo, o Canicross possui alguns cuidados e recomendações. O esporte pode ser praticado por pessoas de todas as idades. Entretanto, o atleta e o cachorro devem passar por uma avaliação médica para poder começar a treinar. Pinzkoski participa há 7 anos do esporte e explica que são necessários alguns cuidados básicos com o cão atleta. Não basta simplesmente “pegar o cachorro e sair correndo”. “É preciso levar ao veterinário e fazer os devidos monitoramento para que a atividade esportiva seja benéfica e não prejudicial”, reforça.

Maurício Pinzkoski e a whippet Olívia, de 4 anos, durante uma competição. Crédito: Arquivo pessoal

O médico veterinário Lucas Dehnhardt explica que, antes da realização de quaisquer atividades físicas com o cão, é preciso realizar uma avaliação do animal para verificar algumas funções fisiológicas importantes para a prática do esporte. “Dentre os exames mais importantes, citamos: uma avaliação cardiorrespiratória completa, exames ortopédicos prévios, avaliação do peso do paciente, e, em casos mais complexos, exames laboratoriais complementares como exames de sangue ou radiografias”, exemplifica.

Outra questão importante é: onde é possível realizar a atividade? Recomendado para treinar e praticar em trilhas, o esporte também pode ser executado na cidade, mas sempre cuidando para preservar a saúde do animal e do atleta. Pós-graduado pela Universidade Gama Filho em Fisiologia do Exercício e praticante do esporte, Marcelo Godoy Nery explica que, ao se praticar o Canicross, por exemplo, no asfalto, é preciso ter cuidado para não prejudicar as patas do animal. Por isso, o inverno é a melhor estação para o esporte. “Diferente dos humanos, que resfriam o corpo mais fácil, os animais superaquecem e levam um tempo maior para se resfriar. Dessa forma, temperaturas mais baixas são ideais para praticar o Canicross, pois o calor é um vilão para os cães. No Rio Grande do Sul, o mês de junho é a melhor época para praticar o esporte”, explica.

Para quem não conhece o esporte, surge a pergunta: meu cão pode participar? Existe uma raça específica para poder correr? A resposta, conforme o veterinário, é: todas as raças que apresentem a saúde em dia podem participar do Canicross. Entretanto, ele ressalta: “é fundamental ver as funções fisiológicas do animal, visto que muitos não podem realizar práticas de esportes aeróbicos por problemas cardíacos, osteoarticulares, sobrepeso, entre outros problemas”.

Mas, para que tudo dê certo, também é preciso cuidar da alimentação do animal, hidratá-lo com água limpa e potável, bem como evitar treinos em horários muito quentes. Nery frisa a importância do bom senso do atleta com o cão. Ele pontua que essa atitude resulta em um bom treino, tanto para a pessoa quanto para o bicho. “Cumplicidade com o animal é necessário, pois isso faz com que ele não fique estressado. É essencial respeitar a individualidade de ambos”, conta.

Nutella: da hiperatividade para a atividade

Fiéis companheiras de Canicross, Renata e Nutella. Crédito: Arquivo pessoal

Praticante do esporte há 2 anos, a professora de Educação Física e adestradora Renata Capaverde relata como o esporte ajudou a cachorrinha Nutella, uma SRD — sem raça definida — de quatro anos, com a hiperatividade. Adotada na idade atual, Nutella sempre foi muito agitada, o que fez Renata levá-la para o adestramento. “Mesmo no adestramento, ela continuava hiperativa. Estragou todo o jardim da minha mãe”, conta as travessuras do pet.

Crédito: Arquivo pessoal

Eis que Renata conheceu o esporte e resolveu colocar Nutella nesse novo desafio. “Para gastar essa energia toda, resolvi começar com treinos leves, para que ela descobrisse o esporte. Até que um dia ela começou a correr 10 km”, explica.

Nutella, em março desse ano, conquistou o 3° lugar na competição Vai Totó. Segundo a atleta, seus treinamentos e da parceira Nutella são baseados em um calendário, para que o esporte seja benéfico para ambas.

Mas o Canicross vai além de uma boa atividade física. Diante de treinos e tantos cuidados, a sintonia é algo inexplicável. Renata conta que esse sentimento durante o esporte é tão forte, que só de olhar nos olhos de Nutella sabe o que ela está querendo dizer.

“Só quem pratica consegue entender a sintonia, é algo incrível”, enfatiza.

Equipamentos para treinos

Alguns equipamentos são importantes para o bom desempenho do esporte. É essencial verificar a qualidade do material antes do início da atividade.

- Harness: é uma “armadura para o cão”. Em formato de colete, o equipamento proporciona conforto para o animal.

- Guia elástica: equipamento que une o atleta ao cão. Além disso, tem como função amortecer movimentos bruscos.

- Cinto mãos livres: Cinto que proporciona liberdade para o atleta correr sem segurar com as mãos a guia que o une com o cão.

- Tênis antiderrapante: Ideal para o atleta ter uma corrida segura e mais confortável.

Custo

Para quem deseja praticar o esporte, o custo varia com o estilo de treino e frequência. Dessa forma, o melhor é conversar com um bom treinador e um veterinário.

Adote e corra

Nery, de Passo Fundo, também procura utilizar o esporte para estimular a adoção de animais. Por meio de workshops em escolas, o profissional busca mostrar a importância de respeitar a natureza e os animais. “Além de mostrar a prática do esporte, o projeto “Adote e Corra” incentiva as crianças a ter um cão para praticar o exercício”, explica. Informações sobre a ação podem ser conferidas na página do Facebook da Malamute Canicross

Projeto busca incentivar o esporte e a adoção de animais. Crédito: Algodão Doce — Estúdio Fotográfico

Vai Totó

Em Porto Alegre, as atividades da Vai Totó promovem o bem-estar animal e humano por meio do Canicross e ainda buscam arrecadar doações de ração para ajudar cães abandonados. Uma forma de unir o esporte com a solidariedade. Para saber mais sobre o trabalho da Vai Totó e inscrições para eventos, basta acessar o site www.vaitoto.dog

Registros de uma das competições promovida pela Vai Totó. Crédito: Arquivo Pessoal
One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.