Destino incerto para o Bento Vôlei

Fora da Superliga, equipe não tem planos para sequência do time profissional

Verba de patrocinadores não foi suficiente para manter o time na competição (Foto: Enio Bianchetti)

Na véspera do anúncio da tabela de jogos da Superliga Masculina de Voleibol, realizado no último dia 23, o Bento Vôlei, de Bento Gonçalves, na Serra gaúcha, disponibilizou sua vaga à Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). Mesmo com todos os esforços, a diretoria não conseguiu angariar os recursos financeiros necessários para arcar com as despesas da temporada.

Com a desistência, o destino do time é incerto a partir de agora. De acordo com a diretoria, não há planos para que a equipe principal dispute qualquer competição nos próximos meses, e ainda não se sabe quais procedimentos serão adotados na captação de verbas para um futuro retorno a competições oficiais.

O diretor-executivo do Bento Vôlei, Rafael Fantin, relata que o momento é nebuloso e que a retomada não pode ser garantida. “Existe uma desmotivação e um forte descontentamento, principalmente em relação à falta de apoio do poder público. Então, se as coisas não estiverem alinhadas e bem resolvidas, acho difícil que as atividades sejam retomadas em nível nacional”, lamenta.

Presidente da Federação Gaúcha de Voleibol (FGV), Carlos Cimino conta que houve articulação com a própria CBV, para viabilizar prazos mais elásticos para o Bento Vôlei, e com o governo do Estado, para possibilitar a abertura do edital do Pró-Esporte, programa que poderia beneficiar a equipe. Mesmo assim, o aporte não se confirmou. “Representantes da Casa Civil nos disseram que abririam o edital para a verba até o final de agosto. Estamos em setembro e, até agora, nada”, relata.

Municípios como Nova Petrópolis, Canoas e Caxias do Sul também estão tendo dificuldades para o incentivo de equipes esportivas por conta da ausência do projeto estadual. Com isso, o setor privado também passa a não patrocinar os clubes, pois, sozinho, não tem condições de dar todo o aporte financeiro necessário.

“Estamos tentando criar um sistema desportivo estadual, para que, independentemente de qual seja o governo, o esporte tenha uma verba garantida”, revela Cimino. Segundo ele, os recursos destinados para o esporte são escassos e, atualmente, estão em segundo plano, pois a secretaria estadual responsável pela área engloba também o Lazer, o Turismo e a Cultura.

Decepção nas arquibancadas

Torcedores do time de voleibol da Serra lamentaram a desistência da equipe da liga nacional. Mesmo assim, há compreensão. A estudante Eduarda Tumelero, ex-atleta do clube, pondera que a dificuldade de incentivos é comum no esporte. “Achei uma pena o Bento Vôlei sair da Superliga, mas, infelizmente, essa é uma realidade. Não é apenas um time que precisa de ajuda, mas todas as equipes em todos os esportes”, declara.

Além do time profissional, o Bento Vôlei atua ainda em mais duas frentes em Bento Gonçalves: um projeto social, que trabalha com a inclusão de aproximadamente 700 jovens na cidade, e os times de base, onde 120 crianças são divididas em seis categorias, entre feminino e masculino. Nenhuma dessas duas frentes foi afetada pela falta de verba e, conforme a diretoria, elas continuarão em atividade.

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