Do origami à cultura pop

Elisa Ponciano
Aug 26, 2017 · 5 min read

A cultura japonesa une tradição com modernidade e conecta gerações

A artista Seo Akemi foi uma das atrações de dança do Festival do Japão (Foto: Elisa Ponciano/Beta Redação)

Colonizado principalmente por açorianos, alemães e italianos, o Rio Grande do Sul também foi destino dos imigrantes japoneses. No ano de 2016 comemorou-se os 50 anos da imigração japonesa. Foi na cidade de Ivoti que eles começaram a se instalar em meados da década de 1960. Na terra do churrasco e do chimarrão, esse município abriga a maior colônia dos imigrantes no Estado.

Com uma cultura tradicional rica em hábitos e costumes milenares, os descendentes tendem a seguir os ensinamentos repassados pelos mais velhos. E é na mistura entre o tradicional e o moderno, — o que lembra muito o país de origem — que as novas gerações, aqui instaladas, buscam formas de manter os costumes e transmitir a cultura para seus sucessores.

Oriente e ocidente celebram a união

O festival é um momento de celebrar a cultura e unir o público (Foto: Elisa Ponciano/Beta Redação)

A cultura japonesa vai além apenas dos lares de descendentes. Ela está presente nos diversos eventos que surgem com essa temática e visa manter viva a sua tradição e unir quem aprecia os costumes do outro lado do mundo. Entre uma das manifestações para divulgação desta cultura, está o Festival do Japão, realizado há seis anos na Academia de Polícia Militar do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. O evento é um momento para celebrar, uma vez que, no dia 18 de agosto, se comemora o Dia do Imigrante Japonês.

Neste ano, o evento ocorreu nos dia 19 e 20 e teve como tema a celebração dos 50 anos de irmandade entre Porto Alegre e Kanazawa. A cidade japonesa, localizada na província de Ishikawa, possui um acordo de intercâmbio cultural com a capital gaúcha.

Tainara Valger da Silva é uma das frequentadoras do festival e simpatizante da cultura japonesa (Foto: Elisa Ponciano/Beta Redação)

O Festival do Japão é famoso por reunir um grande público e traz diversas manifestações culturais e atividades. Em sua 6ª edição, o evento contou com cerca de 80 mil pessoas que prestigiaram as atrações. Em uma das salas temáticas, estava a estudante Tainara Valger da Silva, de 22 anos. Mesmo tendo pesquisado referências para compor seu figurino de japonesa, uma das expositoras ajustava a sua obi, faixa que amarra o kimono da moça.

“Acabei de levar uma lição aqui, de graça”, comenta a jovem, sorrindo, sobre o gesto da senhora que expunha seus trabalhos de pintura na sala. É o segundo ano de Tainara no festival, que ela frequenta por simpatizar com a cultura.

No evento, também surgem famílias que levam os filhos para conhecer e participar das atividades temáticas. No palco central, uma dupla canta e toca música folclórica japonesa, reunindo desde canções tradicionais até a música pop.

O festival em si já seria suficiente, mas é apenas uma parte do evento. Procurado e esperado pelos jovens, no mesmo espaço ocorre o Anime Buzz, que reúne a parte mais popular da cultura. Dentre os milhares de participantes, os destaques são os cosplays de personagens de animes, mangás, filmes e séries, que circulam pelo ambiente. Além disso, os jogos e gincanas que ocorrem também atraem o público jovem, que se inspira na cultura japonesa para aprender sobre seus ídolos e personagens.

Música e dança folclóricas são algumas das atrações do festival (Fotos: Elisa Ponciano/Beta Redação)

Os bastidores

Não se imagina toda a produção por trás de tudo isso: das bancas expostas, uma decoração impecável com artefatos tipicamente japoneses e as atrações se apresentando nos palcos. Neste ano, em especial, foi um desafio organizar o festival. O alvará para poder ser realizado foi liberado apenas na sexta-feira, no dia 18, um dia antes. A ansiedade tomava conta, principalmente da comissão de organizadoras. É o que relata Isolete Rodrigues, voluntariada da comissão. Ela comenta que o evento foi organizado sem ter a certeza de que seria de fato realizado. “ Nós tivemos muitas dificuldades por parte da prefeitura, mas ainda bem que o pessoal da Brigada Militar sempre nos auxilia”.

Além da demora na liberação, outro fator quase prejudicou a operação do festival. O vendaval da última semana destruiu parte da estrutura e os voluntários precisaram se unir para refazê-las. Apesar das dificuldades, os organizadores sabem que o evento é importante para disseminar a cultura japonesa. Hiroshi Taniguchi, presidente da comissão organizadora, fala com orgulho do festival e sabe que é necessário momentos como esse para que as tradições sigam presentes nas novas gerações. “Cerca de 60% de nosso público é composto por jovens, a tendência é a cultura se perder através do tempo, o festival nasceu justamente para mantê-la viva através das novas gerações”, comenta.

Hiroshi Tanaguchi e Carol Ayako fazem parte da comissão organizadora do evento (Foto: Elisa Ponciano/Beta Redação)

Conforme a vice-presidente da comissão e também responsável pelas redes sociais do festival, Carol Ayako, é um momento esperado com muita ansiedade. Ela afirma que, todos os anos, o público fica atento nas mídias da organização do festival para saber quais serão as atrações.

E é através de eventos como esse que a cultura japonesa segue servindo de inspiração e garantindo seu lugar entre os gaúchos.

Inspiração para eventos alternativos

Além do Festival do Japão e do Anime Buzz, a cultura japonesa também inspira outros eventos, como o Anime Xtreme e o Anime Fan. Para quem gosta da temática japonesa, é possível encontrá-la também presente na Feira na Colônia Japonesa, que acontece em Ivoti todo último domingo do mês. No evento são encontrados produtos e comidas típicas feitas por produtores locais em um ambiente focado na cultura do Japão.

Para quem quer conhecer mais sobre a imigração e a cultura no estado também pode visitar o Memorial de Imigração e Cultura Japonesa do Rio Grande do Sul, que fica no Campus da UFSM e a Associação Festival do Japão de Porto Alegre.

O Anime Buzz é um dos eventos inspirados na cultura japonesa (Fotos: Elisa Ponciano/Beta Redação)

A Beta Redação integra diferentes atividades acadêmicas do curso de Jornalismo da Unisinos em laboratórios práticos, divididos em cinco editorias. Sob a orientação de professores, os estudantes produzem e publicam aqui conteúdos jornalísticos de diversos gêneros.

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Elisa Ponciano

Written by

Estudante de Jornalismo com alma idosa

Beta Redação

A Beta Redação integra diferentes atividades acadêmicas do curso de Jornalismo da Unisinos em laboratórios práticos, divididos em cinco editorias. Sob a orientação de professores, os estudantes produzem e publicam aqui conteúdos jornalísticos de diversos gêneros.

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