Esporte que muda: conheça o Programa Esporte Integral da Unisinos

Iniciativa está há 29 anos levando o esporte acrianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social

Na tarde quente da última sexta-feira (25), cerca de cem crianças e adolescentes se reuniram no Complexo Esportivo da Unisinos, todas entretidas com alguma modalidade de atletismo. Nenhuma delas deixava o sol escaldante atrapalhar a prática do esporte. Eram os jovens atendidos pelo Programa Esporte Integral (PEI), oferecido pela Unisinos, participando de um momento chamado por eles de “Festival de Atletismo”.

(Foto: Divulgação)

“Queremos oferecer um espaço onde estas crianças possam ser elas mesmas”. É assim que o professor Augusto Dotto, define o PEI. O programa coordenado por ele usa o esporte como ferramenta de assistência social e atende cerca de 300 crianças por ano.

Para acolher os pequenos, há uma equipe de 18 pessoas envolvidas e uma lista de esportes praticados. O campus da universidade é um dos três núcleos onde o programa atua. Para chegar a mais pessoas, conta Augusto, também há um espaço na Associação Atlética do Banco do Brasil de São Leopoldo, parceira do projeto, e um núcleo no bairro Feitoria. O programa está alinhado com as práticas de assistência social e, entre as crianças e adolescentes atendidos, estão alguns encaminhados pelo Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e Conselho Tutelar.

Augusto explica que o esporte proporciona uma série de benefícios e que pode, sim, ser utilizado como ferramenta de assistência social, mas que não é algo milagroso. “Nosso objetivo não é tirar os jovens da rua, mas fazer com que a rua seja algo legal”, disse.

Augusto Dotto orienta jovem do PEI (Foto: Vitória Padilha)

O PEI reúne seus alunos três vezes por semana e trabalha com futebol, hóquei sobre a grama, atletismo e dança. Os jovens têm contato com todas as modalidades. Raul César, de 17 anos, conta que está no programa há seis, um terço de sua vida. Entrou porque seu pai ficou sabendo do núcleo da Feitoria e inscreveu o filho. Para ele, o futebol é a prática predileta. “Gosto muito também das rodas de psicologia que fazem com a gente, para falar da vida, das coisas do dia a dia”, completa. O programa mudou o que Raul quer no futuro. Depois do PEI, seu sonho é ser professor de Educação física e realizar o que hoje vê os profissionais do programa realizarem.

O jovem também enfatiza outros pontos positivos: viaja, participa de campeonatos e até conhece alguns famosos do esporte. Entre eles, cita Tinga, ex-jogador do Inter; Gustavo, ex-jogador de vôlei; Tite, atual treinador da Seleção Brasileira, entre outros. A prática de esporte mudou a realidade de Raul, “mostrou a realidade”, segundo ele mesmo ressalta.

O PEI conta com uma equipe de professores e estagiários, além de profissionais de psicologia e assistência social. Bruna Boreck, hoje professora responsável pelo atletismo e pelo hóquei de grama, teve seu primeiro contato com o programa como estagiária. Ela conta que a rotina do projeto envolve reuniões semanais e planejamento do que vai ser levado aos alunos. “Os grupos dos jovens são divididos por idade e as aulas são planejadas conforme cada faixa etária”, conta.

(Foto: Vitória Padilha)

O modo de gestão utilizado no PEI foi premiado no início deste mês. No dia 14 de agosto, Augusto foi a São Paulo receber o Prêmio Ser Humano Oswaldo Checchia, promovido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), na modalidade Gestão de Pessoas e Sustentabilidade. Para o coordenador, “o prêmio é um carimbo que comprova que sempre ressaltamos a qualidade”. Ele menciona que, em termos de projeto social voltado ao esporte no Brasil, o Programa Esporte Integral é um dos poucos duradouros.

Em 2016, o PEI já havia sido destaque na premiação estadual da ABRH, Top Cidadania, que destaca organizações sem fins lucrativos que desenvolvem projetos sociais. Em 2009, o projeto recebeu a distinção no Prêmio Nike — Esporte pela Mudança Social, que coloca em destaque projetos que utilizam de práticas esportivas para o desenvolvimento humano e social.

História

O Programa Esporte Integral surgiu em 1988, voltado para atividades desenvolvidas para a comunidade. Augusto conta que a iniciativa apareceu pela demanda de atender aos jovens das comunidades próximas que iam até a Unisinos, com curiosidade sobre o local. Desde então, o projeto oferece atividades esportivas para jovens de 6 a 17 anos, participando de campeonatos além das aulas. Quando o PEI estava tomando maiores proporções, apareceu a ideia de sair do Campus e atingir mais pessoas. Entre 1999 e 2009, por exemplo, o programa foi parceiro do Instituto Ayrton Senna. Desde 2010, vem oferecendo aulas na AABB, com quem tem parceria. Em 2018, o programa completa 30 anos e o objetivo é escrever um livro sobre a sua trajetória.

Para participar do Programa, é necessário apresentar as documentações do jovem e de um responsável. Também é feita uma entrevista, antes do ingresso.

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