Bocha mantém a tradição

Modalidade recebe atenção do MTG, em sua versão campeira, e também atrai público jovem

Modalidades tradicionais da cultura gaúcha costumam passar de geração a geração e fazem parte do cotidiano de muitas comunidades. A bocha é um deles, e ainda agrega muitos adeptos no Rio Grande do Sul e no país. Com origem no Antigo Egito e na Antiga Grécia, chegou ao Brasil através dos imigrantes europeus, principalmente de origem italiana. Hoje já são organizados grandes campeonatos nacionais, regionais e até sul-americanos.

Para a comunidade gaúcha, a bocha, além de ser uma forma de lazer, possibilita a aproximação com outras manifestações culturais, como festas, danças e pratos típicos, já que reúne um grande número de interessados. Para o vice-presidente de Esportes Campeiros do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), Martim Guterres Damasco, os esportes são os maiores meios de confraternização entre os povos. “Nós temos as competições artísticas, campeiras e culturais e as competições esportivas. A que mais chama atenção, sem dúvida, é a bocha campeira”, explica.

Partida de bocha campeira, organizada pelos Esportes Campeiros do Movimento Tradicionalista Gaúcho, em Tramandaí. Crédito: Arquivo pessoal.

O jogo é praticado em canchas de terra batida, solo sintético ou grama, tanto em quadras abertas quanto fechadas. As partidas devem ser formadas por duas pessoas ou duas equipes, dispondo de quatro bochas por rodada, cada. O objetivo consiste em marcar pontos através do lançamento das bolas o mais próximo possível de um ponto determinado, o bolim (bocha de tamanho menor).

Cancha de Bocha 48, onde o objetivo é acertar as peças posicionadas sobre um cepo de madeira. Crédito: Arquivo pessoal.

O vice-presidente da Confederação Brasileira de Bocha e Bolão, Davi Lima de Oliveira, 64 anos, especialista em Jornalismo Esportivo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, conta que a bocha foi a primeira manifestação desportiva do Estado, mas não tem muita visibilidade na mídia. “Qualquer esporte, para sobreviver em um mundo globalizado, necessita de espetáculo. A bocha não é diferente, necessita estar em evidência, não só no mundo dos seus apaixonados, mas também na imprensa, assemelhando-se com outras competições. São esses recursos que apresentam a beleza do esporte”, diz.

Oliveira é autor do livro Bocha — Lazer e alto rendimento, no qual conta a trajetória histórica do esporte. Segundo ele, essa cultura popular tem a capacidade de atuar socialmente, contribuindo para a diminuição da desigualdade social e enaltecendo as relações e valores. Por isso, é conhecido mundialmente como “o esporte que faz amigos”. Pessoas de todas as idades, classes sociais, homens, mulheres e crianças podem participar. Além disso, há modalidades e competições praticadas por atletas com paralisia cerebral ou deficiências físicas que são administradas pela Associação Nacional de Desporto para Deficientes.

Atletas juvenis da Federação Gaúcha de Bocha. Crédito: Federação Gaúcha de Bocha.

Ao contrário do que muitos afirmam, a atividade tem um público jovem interessado e adepto que, através do incentivo familiar, permanece dando continuidade às técnicas de jogo e tradições. Douglas Maggioni, de 25 anos, confirma que há uma popularidade crescente entre pessoas mais novas. “Comecei a jogar porque meu pai jogava e eu sempre acompanhava. Assim fui gostando e praticando. O esporte me trouxe muitas coisas, como novas amizades, viagens, títulos, e até conheci pessoas de outros países.”

A prática oficial da bocha e as organizações e instituições que norteiam as atividades ainda são desconhecidas pela maioria da população. O jogo é, de fato, uma das fontes de lazer de milhões de pessoas no mundo, mas também é composto por atletas profissionais de alto padrão, além de receber investimentos publicitários, financeiros e transações comerciais.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.