“Gastos irresponsáveis nos levaram a uma crise brutal”, diz Eduardo Leite

Em entrevista à série Futuro do Rio Grande, da Beta Redação, ex-prefeito de Pelotas fala de suas ambições ao Governo do Estado

Por Leonardo Ozório, Bolívar Gomes, Eric Machado, Henrique Bergmann e Thiago Greco

Eduardo Leite, 32 anos, ex-prefeito de Pelotas entre 2013 e 2016, já é admitido pelos tucanos como o representante do PSDB ao Governo do Rio Grande do Sul na eleição do próximo ano. Diante de um contexto em que o partido registra bons resultados no último pleito ao mesmo tempo em que é ligado a escândalos no âmbito nacional, os social-democratas apostam na imagem do jovem político.

Mesmo que o quadro aponte dificuldades econômicas no Rio Grande do Sul, Leite diz não temer as consequências do desgaste político em uma eventual titularidade do Palácio Piratini.

“Se minha missão for governar com esta idade e, futuramente, não ser mais nada, que seja”, afirma.

E reitera:

“Se eu colocar a carreira política como norte da minha atuação, perde completamente o sentido da política para mim”.

Com 60% de aprovação ao fim de seu governo na prefeitura de Pelotas e consequente favoritismo à reeleição — de acordo com levantamento de maio de 2016 do Instituto Methodus — , Leite abriu mão de concorrer e indicou uma sucessora, a então vice Paula Mascarenhas (PSDB), que acabou eleita em 1º turno. O motivo: ele se diz contrário à reeleição. “É usada de forma a colocar o governo como um balcão de negócios para garantir apoios para a reeleição. Isso precariza os quadros técnicos e, consequentemente, o resultado à população”, justifica.

Um trunfo tucano conquistado em 2016 foi a vitória em três dos cinco maiores municípios do Estado — Nelson Marchezan Júnior em Porto Alegre, Jorge Pozzobom em Santa Maria e Paula Mascarenhas em Pelotas. Entretanto, a gestão na Capital gaúcha tem se mostrado mais turbulenta do que o esperado. Questionado se, proporcionalmente, Marchezan poderia se tornar para ele o que José Ivo Sartori (PMDB) foi para Sebastião Melo, o candidato peemedebista no pleito porto-alegrense, devido à baixa popularidade, Leite discordou, ponderando que se tratam de “perfis diferentes”.

“Eu também tive muitos problemas durante o início do meu mandato. Enfrentei resistências, tirei muita gente da zona de conforto na cidade”, contrapôs.

Outro problema do PSDB é o senador Aécio Neves, presidente afastado do partido. Diante do envolvimento de Aécio em escândalos de corrupção, muitas pessoas comentaram vídeos e publicações do pelotense ao lado do senador em suas redes sociais na campanha eleitoral de 2014 — quando o mineiro era presidenciável — , fazendo com que as postagens voltassem à timeline.

Para Leite, que diz ter apoiado o programa de governo do candidato Aécio, mas não sua conduta pessoal, esse não é um problema institucionalizado do partido, comparando a reação do PSDB à do PT, que pretende lançar o ex-presidente Lula — também envolvido em escândalos— para a disputa do Planalto.

“Ele (Lula), condenado em primeira instância por corrupção. No PSDB é diferente. Não só não se fala em colocar Aécio Neves como candidato como buscamos o afastamento dele da presidência do partido e posterior renúncia à presidência”, comparou.

Quando perguntado sobre definição ideológica, Eduardo Leite diz que “direita e esquerda” são coisas ultrapassadas. Defende um Estado mais enxuto e focado em algumas áreas, mas entende que não se enquadra em um pensamento liberal.

“Você tem que reconhecer que as pessoas partem de pontos de partida diferentes. Não dá para pensar que o mercado é a solução para tudo”, opina.

E completa que “ao mesmo tempo, o Estado não pode alcançar o tamanho que ele teve nessas décadas todas”, fazendo menção às companhias estatais de energia elétrica (CEEE) e mineração (CRM).

Trajetória política

Eduardo Figueiredo Cavalheiro Leite é formado em Direito pela Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) e, desde cedo, ingressou no cenário político municipal. Aos 19 anos, concorreu à Câmara de Vereadores — oportunidade em que ficou na primeira suplência. Na eleição seguinte, em 2008, conquistou a cadeira do legislativo pelotense. Dois anos mais tarde, buscou alçar voos mais altos concorrendo a deputado estadual. Fez 21 mil votos, quantidade insuficiente para mudar-se para Porto Alegre.

Em 2012, foi eleito prefeito de Pelotas, superando o concorrente e ex-prefeito Fernando Marroni (PT), com 57% dos votos no segundo turno. Já no ano passado, sua vice, Paula Mascarenhas, foi eleita em primeiro turno com 59,86% dos votos.

Saindo em alta de Pelotas, o político passou cinco meses na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, estudando Gestão Pública. Atualmente, é mestrando em Gestão e Políticas Públicas pela Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo.

Agora, Leite figura como uma das possibilidades ao Piratini. Por isso, já traça roteiros por diferentes regiões do Estado, onde ministra diálogo voltado à gestão pública e articula com seus apoiadores.

Confira a entrevista completa

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