Aula de HIIT na Academia MAPI, em Canoas. Foto: Dankiele Tibolla

HIIT: intensidade, suor e resultados

Nova modalidade de treinamento promete emagrecer com exercícios intensos em um curto intervalo de tempo

Por Ariane Laureano e Dankiele Tibolla

Dez minutos? Você já parou para pensar o que pode fazer nesse período? Tirar uma soneca no intervalo do almoço, se apaixonar, se atrasar, almoçar, jantar, lanchar, engravidar, tomar uma decisão errada — da qual você pode se arrepender para o resto da vida, organizar uma gaveta, ouvir uma música, tirar uma fotografia. A lista para aproveitar de maneira eficaz o tempo livre é imensa. Entretanto, você já reparou que esses minutinhos podem ser utilizados em seu benefício e melhorar a sua saúde?

Apresentamos a vocês o HIIT — High Intensity Interval Training (traduzido para o português como Treinamento em Intervalos de Alta Intensidade), desenvolvido pelo professor japonês Izumi Tabata, reitor da Escola de Graduação do esporte e ciência da Saúde Ritsumeikan. Ele é o responsável por criar o protocolo Tabata, ainda em meados dos anos 90, e o pioneiro em estudos sobre exercícios de alta intensidade.

A conclusão a qual Tabata chegou é que a intensidade dos exercícios é mais importante do que a duração. Parece milagre, mas esse tipo de treinamento é uma tendência que vem ganhando academias e aplicativos de celular. Um dos mais famosos é o Q48, idealizado pelo gaúcho Vinícius Possebon. O preparador físico aposta na ideia de um estilo de vida focado em saúde e bem estar. Ele também dispõe de livro, aplicativo, um canal no Youtube e Instagram com dicas e amostras de treinos gratuitos. O programa completo é vendido em um site e contém um treinamento que pode ser realizado em casa, em um ciclo de oito semanas.

Em casa ou em academias, o importante é se mexer. Um pesquisa do Ministério do Esporte divulgada no ano passado revelou que 46% dos brasileiros são sedentários, e o principal motivo para não se exercitarem é a falta de tempo. Pensando nisso, uma academia em Canoas investe nessa nova modalidade e já encontra adeptos. “Nós observamos que as pessoas não têm mais disponibilidade para ficar uma hora na academia. Elas querem resultado em pouco tempo. Cada vez mais, o povo está ocupado, então o HIIT foi a solução”, revela Jenifer Santos, consultora de vendas da academia Mapi. As aulas de HIIT ocorrem nas segundas e quartas-feiras.

O HIIT mescla exercícios aeróbios e de resistência. Para fazer isso, é utilizado apenas o peso do corpo, em um curto intervalo de tempo e com descanso mínimo. No programa, é sugerido um circuito com 12 atividades, que vão desde polichinelo e apoio a agachamento e pranchas. Isso porque trabalham os músculos abdominais e lombares, sendo realizadas em 30 segundos com descanso de 10 entre elas.

Alexandre Ortiz Ferreira, professor de Educação Física e sócio do Instituto Fortius explica que o HIIT virou febre pelos seus benefícios pós-treino.

“O período pós-exercício é chamado de “EPOC”, que significa Excesso de Consumo de Oxigênio Pós-Exercício. Cerca de duas horas após uma bateria de exercícios de alta intensidade, o corpo está se restaurando e, assim, usando mais energia para se recompor. Isso é equivalente de seis a 15% a mais de calorias do que num treino normal”, explica o professor, que promove curso de HIIT.

Além de emagrecer, há quem utilize o HIIT como forma complementar a sua prática esportiva. Jogador de futebol do Esport Honka, da Finlandia, o gaúcho Jean Silva conta que utiliza o HIIT para manter o preparo físico e que a modalidade proporciona mais resistência ao corpo. “O HIIT me deixa em totais condições físicas de atuar em uma partida de futebol e auxilia nos outros treinos durante a semana”, explica o jogador.

Jean em partida pelo time Esport Honka Foto: Juhani Järvenpää

Alexandre explica que o treinamento, além de emagrecer, traz outros benefícios à saúde. “Melhora a pressão sanguínea, a condição aeróbia e anaeróbia, a sensibilidade à insulina e fortalece o sistema cardiovascular” , explica.