Juventude sofre com o desemprego no RS

Faixa etária entre 15 e 29 anos é a mais afetada pela crise econômica na Região Metropolitana de Porto Alegre

Pesquisa divulgada pela Fundação de Economia e Estatística (FEE) apurada entre 2015 e 2016, aponta um aumento de 26,6% na taxa de desemprego entre jovens. São 17 mil desempregados a mais em relação ao ano da Copa do Mundo. Hoje, o índice de desemprego é de 10,4% na região, cerca de 190 mil pessoas.

A pesquisa também trouxe dados estatísticos que fazem referência para a escolaridade dos jovens. (Foto: Brayan Martins/PMPA)

Segundo a coordenadora do núcleo de análise socioeconômica e estatística do órgão, Cecília Hoff, o desempregou aumentou apesar da melhora na condição acadêmica entre os jovens: “Claro que não podemos dizer que a escolaridade é o único agravante nesse caso. Temos que analisar questões sociais mais aprofundadas, como a questão das mulheres e a baixa escolaridade que ainda é bastante presente em jovens negros, ou seja, grupos com uma dificuldade maior de inserção”, salienta. No período, houve um aumento de 13,6% na parcela de jovens com ensino médio completo e 2,6% referente ao ensino superior.

Cecília também ressalta que um dos principais percalços para um jovem conseguir emprego ainda é a experiência, por mais que ela tenha sido adquirida no período acadêmico: “De modo geral, se um jovem recém formado for disputar uma vaga com um adulto com mais experiência, ele sai em desvantagem pelo simples fato de ser jovem”.

O advogado Gustavo Neves Rosa, 24 anos, está nessa estatística. Após um ano tentando se recolocar no mercado, hoje está trabalhando como autônomo, fazendo diligências. “Foi a opção que encontrei em meio a um mercado muito competitivo como é o da advocacia”. Apesar, de segundo Gustavo, não ser a alternativa mais rentável, pois esses trabalhos são basicamente oferecidos por indicações ou por quem se disponibiliza a realizá-lo pelo valor mais baixo.

“A vantagem é que tenho mais tempo para mim e posso estudar para concursos, por exemplo, mas ainda assim estou à procura de um novo emprego desde que saí do último escritório e ainda não encontrei nada.”

Menos é mais

Com o afunilamento do mercado de trabalho, aumenta o número de jovens somente vinculados às questões estundatis

Sabemos que a juventude se caracteriza como um período de transição da escola para o trabalho. Em 2015, o número de estudantes que somente estudavam durante o ensino médio ou no período que compreende os estudos acadêmicos era de 16,3%. Esse número sobe para 17,5%, em 2000, e é impulsionado pela crescente procura por capacitação e, ainda, pelo afunilamento do mercado de trabalho, com isso, teve elevação para 23,7%, em 2015. O número de jovens que somente estudam atinge, em 2016, a marca recorde de 26,3%.

Já, em 2016, houve um aumento no conjunto daqueles que somente estudam, com o índice atingindo 14,8% da população juvenil.

Os jovens que abdicaram dos estudos e somente trabalham ainda é a maioria, representando 46,8%. Mas, de 2015 para 2016, essa parcela também teve uma queda de 1,6%.

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