Mais de 180 anos de protagonismo político

Série “O perfil político do Rio Grande do Sul” aborda o cenário político gaúcho e nacional desde os anos de 1800 até os dias atuais

Por Bruna Bertoldi, Camila Tempas e Lidiane Menezes

O cenário político do Rio Grande do Sul foi moldado ao longo dos anos com base em uma série de conflitos partidários e ideológicos. Pensando nisso, a Beta Redação criou a série “Perfil político do Rio Grande do Sul”. Nela foram abordados diversos momentos políticos importantes, desde o período do império até os dias atuais, buscando entender fatos históricos que influenciaram na formação do sul-rio-grandense e no atual cenário político.

A primeira reportagem da série, “Rio Grande das Revoltas”, foi direcionada ao período monárquico, com foco na Revolução Farroupilha. Uma guerra civil que teve como principais protagonistas grandes fazendeiros e latifundiários gaúchos, que estavam insatisfeitos com os altos impostos e o descaso do governo com a província. Nessa parte, foi possível perceber que alguns episódios voltaram a se repetir nos últimos anos, como a movimentação de classes mais altas em torno de insatisfações pessoais. Além disso, “a elite revolucionária gaúcha realizou um endosso seletivo das ideais liberais em voga na época na Europa e no Brasil, adaptando-as aos interesses e problemas locais”, destaca o historiador José Edimar de Souza.

Com o fim da monarquia é instaurado o regime republicano no Brasil. Neste período, diversos gaúchos se destacam, principalmente, no cenário político nacional. Entre eles, Getúlio Vargas. “A República e a consagração dos gaúchos” apresenta o período em que, embora a população vivesse uma democracia, a repressão e a cessação de direitos era comuns. “No Brasil percebe-se algo muito claramente: não tendo ocorrido em nenhum momento uma transformação brusca das estruturas econômicas, sociais e políticas, a recorrência de determinadas práticas atravessa o tempo e convive com novos padrões culturais e políticos que vão emergindo”, pontua o historiador Douglas Souza Angeli.

Em 1964, o golpe militar muda completamente o cenário político. “Repressão às liberdades” mostra a estreita relação Rio Grande do Sul e ditadura militar. Dos cinco governantes militares, três eram gaúchos e os outros dois tinham alguma ligação com o estado. Com a experiência do país já ter vivenciado uma ditadura, emergem algumas questões durante o período eleitoral de 2018. Nesse contexto, o professor de história da Feevale Rodrigo Perla Martins, destaca que é “um novo contexto em que se vive, os militares se articulam em partidos políticos, em candidaturas e elegem os seus representantes ou governos convidam para assumir cargos estratégicos no governo”.

Martins ainda acrescenta que “as pessoas entendem no Brasil, hoje, que em que democracia não se discute política. Me parece que esse caldo de cultura que a Ditadura deixou, como se democracia, discussão e política fossem algo ruim”. O professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Criminais da PUCRS José Carlos Moreira da Silva Filho complementa que há falta de validação dos direitos fundamentais. “Se manifesta em uma pouca importância ou uma importância insuficiente que tanto a população como os seus representantes dão ao respeito ao princípio democrático da soberania popular do voto”, explica.

A última matéria da série aborda a “Lenta e gradual redemocratização”, como costumava dizer Ernesto Geisel. A redemocratização começa a dar sinais de retorno ainda no final do Regime Militar. Em 1985, com a posse de José Sarney, o país sente, de fato, a volta das liberdades. Embora, de acordo com o historiador Tau Golin, os agressores e criminosos da ditadura tivessem sido absolvidos, a Constituição de 1988 garantiu que a população fosse representada conforme sua vontade e suas demandas e tivesse seus direitos assegurados pelas leis.

A democracia passou a representar para a sociedade brasileira a garantia de liberdade de expressão, direito de ir e vir e sobretudo confere aos cidadãos o poder de escolha. Escolha esta que garante o voto a milhões de brasileiros, que tem forte influência sobre o futuro de uma nação e de uma sociedade tão singular como é o Brasil.