Metade dos empréstimos e financiamentos tomados têm atraso no pagamento

Pesquisa divulgada pelo SPC e CNDL evidencia taxa de inadimplência na contratação de créditos no Brasil

Juro rotativo do cartão de crédito é um dos fatores que aprofundam endividamento. (Foto: Olympia law PC/Flickr)

Metade dos tomadores de empréstimos e financiamentos atrasam pagamento de parcelas, informa pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, divulgada no início de outubro. Apesar do índice considerável de inadimplência, os bancos incorporam este percentual nos seus planejamentos ao estabelecer a taxa de juros.

“Custos de operação, juros do mercado e especialmente o índice de inadimplência são levados em consideração. Cálculos são feitos para que a perda seja quase nula”, explica Eduardo Meirelles, assistente comercial de pessoa física da Caixa Econômica Federal.

Em relação aos cartões de crédito, as instituições bancárias têm interesse que essa ferramenta de consumo seja utilizada pelos clientes, tendo em vista que ganham com as transações realizadas mesmo sem, na maioria dos casos, administrar esse serviço, que está disponível para todos que possuem uma renda mensal.

“Comissões de gigantes mundiais são uma receita importante para os bancos, já que vendem todos os tipos de produtos referentes a essa forma de pagamento eletrônico, como maquinetas, além dos próprios cartões, que variam de acordo com o segmento do cliente”, conta Meirelles.

Conta para a inadimplência o uso do rotativo, ou seja, quando o valor total de uma fatura não é pago e o restante da dívida é transferida para o próximo mês, incorrendo juros sobre o saldo devedor. A taxa de juro do rotativo no cartão de crédito foi cotada, em agosto, em 397,4% ao ano, segundo o Banco Central.

Uma dívida quitada e outra feita

Ariete Pinto, de 73 anos, é aposentada como professora e bibliotecária pelo Estado do Rio Grande do Sul e, com os parcelamentos dos salários nos últimos dois anos, teve que recorrer ao empréstimo bancário. “Eu estava pagando todas as contas no meu cartão de crédito, mas vinha o mês seguinte e não era possível pagar a fatura do cartão também. Uma bola de neve estava se formando, e minha única alternativa foi solicitar um empréstimo”, relata.

Em certos casos, o interessado em um financiamento ou empréstimo pode estar equivocado em recorrer a esse serviço. “Há uma regra importante no mercado que diz que não se deve comprometer mais de 30% da renda. Hoje, o banco avalia, antes de liberar crédito, a capacidade de pagamento mensal e o histórico de pagamentos, se paga em dia e se já tem empréstimos em outro banco”, pondera Eduardo Meirelles.

“Me preocupo com a circunstância de buscar um empréstimo. Sempre procuro pagar minhas contas o quanto antes e controlar meus gastos. Confesso que me sinto desconfortável em pegar dinheiro emprestado. Porém, ao mesmo tempo, é bom existir essa alternativa. Caso contrário, não sei como estaria lidando com minhas finanças”, conta Ariete Santos.

Em pesquisa divulgada em 2015 pela Standard & Poors, divisão da editora estadunidense McGraw-Hill, que publica análises sobre bolsas de valores, o Brasil é o 74º colocado quando o quesito avaliado é educação financeira. Países mais pobres que o Brasil, como Zimbábue e Madagascar, ostentam índices melhores. Noruega, Dinamarca e Suécia lideram o ranking.

“Atendo clientes que não possuem a mínima noção de como administrar seu dinheiro e não realizam o mínimo controle. Se desde o ensino fundamental fosse ensinado sobre como administrar sua vida financeira, menos chance teríamos de encontrar adultos com grandes dívidas. Estaria mais clara a importância de poupar e de não gastar em excesso, comprando apenas o que é mais necessário. O dinheiro está presente diariamente na vida adulta das pessoas, portanto não deveríamos ignorar esse assunto”, considera Eduardo Meirelles.

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