“Não seja Joana”, o vídeo que deve virar livro
Após atingir quase 10 milhões de visualizações no Facebook, o vlogger Diego Queiroz Coelho anuncia lançamento da obra para setembro

Um vídeo sobre relacionamentos mudou a vida de Diego Queiroz Coelho, 29 anos. Não seja Joana, publicado pelo carioca em seu perfil no Facebook em 17 de dezembro de 2017, conta com 9,6 milhões de visualizações. A postagem fez Coelho ultrapassar a marca de 200 mil seguidores em oito meses — antes disso, ele somava 13 mil. A repercussão foi tamanha que Não seja Joana deve virar um livro escrito por ele.
Com exclusividade para Beta Redação, o autor anunciou que a obra, classificada na categoria literatura jovem/adulta, entrará na pré-venda em setembro e liberou um trecho do livro. Confira:
Dance na chuva. Ande descalço. Coma terra. Conte piadas. Tome um porre. Ligue para quem você ama de madrugada (não depois de tomar um porre, por favor!). Durma até tarde. Faça exercícios. Coma sorvete. Muito sorvete! Transe loucamente. Ame com a mesma intensidade que respira. Mas não mais que a si mesmo. Viva apesar das vírgulas. O que da vida se leva não são as breves pausas que enfrentamos, mas o que fazemos delas.
Assim deve estar no livro que é inspirado no vídeo de quatro minutos e 29 segundos. Embora não revelando se a história tem relação com a própria vida pessoal ou de algum próximo, Diego Queiroz Coelho conta, usando codinomes, a respeito de um tipo de relacionamento interpessoal muito frequente em que Joana, que também “pode ser João, Joanete, o nome que você quiser”, segundo ele, faz de tudo para conquistar o seu amado— que estava bem solteiro e nem pensava em começar a namorar. Assim que convence o seu companheiro de que ficar com ela é a coisa certa a se fazer, Joana vai embora para nunca mais voltar e o deixa sozinho.
Segundo o autor, o livro apresenta conceitos de psicologia, antropologia e sociologia, de forma simples e linguagem acessível, com piadas e sarcasmo. Para tanto, Coelho consultou uma série de profissionais para “fugir dos achismos”.

Com olhar de saudade e alegria, ele conta que uma primeira experiência com a escrita aconteceu ainda na escola. “Eu sempre quis escrever um livro. Escrevi um, quando tinha 10 anos. Se chamava ‘A terra é redonda’. Infelizmente, minha professora o pegou para publicar e nunca mais me devolveu”, relembra Coelho com bom humor. “Pelo menos ganhei um monte de presente dela”, completa, rindo.
Ainda recordando, ele conta que começou a escrever um romance em 2012, mas não o concluiu. Entretanto, este ano, já com um bom número maior de seguidores, publicou o trecho nas suas redes sociais e uma empresa, que prefere não falar o nome, o procurou para publicar o romance. “Eles queriam que eu continuasse o romance que eu tinha começado a escrever há seis anos, mas eu sugeri que fosse algo relacionado aos vídeos e à forma de comunicação que minha audiência estava acostumada a ouvir. Com isso, iniciamos as tratativas para a confecção do ‘Não seja Joana’”, explica.

Além de Coelho, a equipe para a produção do livro conta com Ju Alves, responsável pelo design do livro, Fernando Maciel, que cuida do site onde irão ser divulgadas as ações de promoção e venda do livro. Anderson Cruz, que fez a correção gramatical, é quem fecha a equipe “Não seja Joana”.
A participação de Cruz na edição do livro tem um toque especial para Diego Queiroz Coelho. Foi uma exigência do autor. “O Anderson estudou comigo no ensino médio. Era tipo o melhor aluno da classe e não pensei em alguém melhor do que ele para revisar meu texto. É importante ter alguém que entende sua linguagem e acredita no seu trabalho, mesmo que não seja o seu público-alvo, como é o caso dele”, fundamenta Diego.
“Eu não quero morrer e ser esquecido. Quero deixar um legado. Quero tocar a vida das pessoas de alguma forma. Seja com minha música, meus textos, meus vídeos, minha vida. Não é algo específico. É só um desejo de ser lembrado como alguém que marcou seu tempo. Não precisa ser algo grande tipo ser conhecido no mundo inteiro, mas quero deixar algo positivo sobre o Diego”, finaliza.
Nas redes sociais
A história de Diego na internet não começou com o vídeo famoso. Ele relembra que as primeiras produções começaram há 11 anos, em 2007. “Eu fazia vídeos aleatórios e sempre obrigava meus amigos a assistir, sempre chegava a 200 visualizações. Mas esses vídeos jamais serão encontrados, apaguei todos (risos)”, revela, aliviado por achar que a audiência atual não gostaria.
Mas foi em dezembro de 2017 que a vida de Diego mudou. Antes de Não seja Joana, ele publicou um vídeo sobre seus segredos para viajar — o carioca já conhece 14 países, além de seis estados do Brasil. As amizades que conquistou nas viagens possibilitaram que ele conhecesse mais países, por meio da rede de amigos que encontrava, conta sorrindo.

“Argentina, Polônia, Áustria, Israel, Inglaterra, Holanda, França, Hungria, Jordânia, República Tcheca, Eslovênia, Croácia, Canadá e Espanha são os outros países que já estive. Inclusive, o vídeo sobre os segredos de fazer uma boa viagem foi gravado em Valência, na Espanha. Sempre busco conhecer gente nova, culturas novas, vivências novas. Pretendo ir em todos os países possíveis de visitar.”

Gravações
Diego Queiroz Coelho diz que grava vídeo para internet por ter uma urgência absurda de se comunicar. O principal objetivo nas gravações dos vídeos é compartilhar experiências e lições aprendidas ao longo da vida. Gosta de incentivar a galera que o segue a viajar e acreditar que dá para fazer muito com pouco. Emociona-se ao dizer que “se um moleque negro, pobre, de periferia viajou para três dos seis continentes que existem, qualquer um pode chegar lá”.
Também confessa que não tinha conhecimento a respeito de tudo que era necessário para a publicação de um livro.
“Sempre imaginei que fosse um processo mais rápido, sabe?! Quando a gente observa de fora, parece que tudo acontece de uma hora para a outra, mas agora, inserido dentro do processo, vejo que não é assim. Tem muita pesquisa de mercado e cada detalhe é pensado com muito carinho para que a galera curta de verdade.”

