Nadadora patrocinada por Fábio Porchat treina para as Paralimpíadas de 2020

Erica Ferro conquistou o apoio do humorista após lhe enviar texto sobre os tabus que os deficientes físicos enfrentam

A atleta pratica natação desde 2004 na Associação de Deficientes Físicos da Alagoas. (Foto: Arquivo pessoal)

Erica Ferro, 27 anos, é portadora de uma síndrome rara, a Moebius, uma paralisia que afeta diretamente as expressões faciais. A dicção de Erica também acaba prejudicada, mas nada que incapacite sua comunicação. Além da paralisia facial, ela também tem má formação nos membros. “No meu caso, nasci sem a mão esquerda e sem o pé direito, déficit de força nos quatro membros e problemas de dicção. Não, isso não impede que eu pratique um esporte. No esporte paralímpico, sempre há a possibilidade de adaptação e as pessoas com deficiência podem treinar, competir e se exercitar no máximo de suas capacidades.”. Isso fica claro quando Erica é vista na piscina. É uma atleta dedicada. “Nado por amor, me faz bem tanto emocionalmente quanto mentalmente”.

Além de atleta, Erica também estuda biblioteconomia, atualmente no oitavo semestre, e adora escrever.

“Escrever é como a minha relação com a natação. Posso não chegar a entrar na seleção brasileira de natação paralímpica, mas continuarei treinando e competindo estaduais, regionais e nacionais, porque minha vida sem isso ficaria bastante triste, entende?”

Desde 2004 ela integra a equipe de natação paralímpica da Associação dos Deficientes Físicos de Alagoas (ADEFAL).

Recentemente participou da segunda edição dos Jogos Paralímpicos Universitários. Erica conta que “foi uma experiência muito bacana. Já havia participado de jogos estaduais, regionais e nacionais, mas ainda não havia participado dos jogos universitários, afinal o Comitê Paralímpico Brasileiro só criou esse tipo de evento em 2016. Não consegui participar da primeira edição, mas me programei para participar da segunda (2017). E foi ótimo. Eu estou no último período de Biblioteconomia, então era a primeira e a última chance de participar desse evento. Obtive uma medalha de ouro nos 200m medley, um bronze nos 100m costas e uma quinta colocação nos 50m livre. ”

A história de Erica na natação começou quando estava na sexta série do ensino fundamental. Ela participou de uma seleção de natação da escola em que estudava porque todos os colegas fizeram. “Claro que foi um desastre, eu não sabia nadar, só havia feito hidroterapia quando criança. Mas todos os meus colegas haviam se inscrito e eu decidi que não ia ficar de fora”. Mesmo com o teste desastroso, ela decidiu que aprenderia a nadar. “Então comecei a fazer aulas particulares ADEFAL, até que o treinador da equipe paralímpica me chamou para fazer parte da equipe, treinar para competições e representar o Estado e a associação”.

Erica é regrada pra tentar uma vaga pras Paralimpíadas de 2020, em Tóquio, no Japão: treina de segunda a sexta, além de ter acompanhamento psicológico e de nutricionista. Erica foi patrocinada por Fábio Porchat, um dos integrantes do grupo Porta dos Fundos. Porchat recebeu, em 2013, um texto qual Erica falava sobre os tabus que os deficientes físicos enfrentam. “Então, ele me apadrinhou de 2014 a 2016. Foi muito importante para mim. Galguei muitos degraus graças a esse apoio que ele me deu. No meio deste ano, como apoio final, ele me presenteou com uma prótese de alta qualidade, que eu nunca havia tido condições de usar antes, para melhorar minha qualidade de vida e me dar melhores condições de treinamento, bem como servir pra algo que eu sempre quis, mas que minhas outras próteses nunca me permitiram: correr.”

“O Fábio é um ser humano engajado em programas sociais e com um olhar clínico pra pessoas que ele julga serem talentosas e dignas de um empurrãozinho pra que possam concretizar os seus sonhos. Ele viu algo a mais em mim e facilitou os meus sonhos de uma maneira que ouro nenhum do mundo poderá pagar.”
  • Erramos: na versão anterior desta matéria, o título dava a entender que a paratleta Erica Ferro estava com participação confirmada na próxima edição das Paralímpiadas. Na verdade, ela treina para conquistar a sua vaga nos jogos.
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