O desafio de ser mulher no mercado de trabalho

Crescimento da presença de mulheres no mercado é lento

(Foto: Rawpixel/Pixabay)

A necessidade de uma maior participação da mulher no mercado de trabalho, vem sendo alvo de debates conforme dados mostram a desigualdade entre homens e mulheres na área. Os estudos publicados no Journal of Social Sciences, que apontam que, além de enfrentarem outras injustiças no mercado de trabalho, as mulheres passam por entrevistas de emprego mais difíceis e têm menos chance de serem promovidas. Apesar do crescimento da presença feminina em empresas nos últimos anos, os números ainda são tímidos. Na chefia, apenas 37% são mulheres.

Na Região Metropolitana de Porto Alegre, a situação não é diferente. A Pesquisa de Emprego e Desemprego da Região Metropolitana de Porto Alegre é realizada em convênio com a Fundação de Economia e Estatística (FEE), Secretaria de Desenvolvimento Social, Trabalho, Justiça e Direitos Humanos, Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social/Sistema Nacional de Emprego (FGTAS/SINE-RS), Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-econômicos (DIEESE) e Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade). As edições de 2015 e 2016 mostra os comparativos de ocupação, desemprego e rendimento médio entre os dois sexos. As gaúchas são minoria em quase todas as áreas, além de receberem salários menores.

As mulheres levam vantagem em duas esferas: no setor público e na área de serviços, onde a maioria é feminina. Em outras áreas do setor privado, com ou sem carteira assinada, as mulheres estão em menor número. Apenas 11,8% das mulheres estava na indústria em 2016, enquanto 18,5% estavam na área do comércio e reparações e 69,5% prestando serviços. Nos gráficos abaixo, a diferença entre 2015 e 2016:

(Fonte: PED-RMPA)

Salários

Além disso, os salários também apresentam variações. Os salários dos homens são, em todas as ocasiões apontadas na pesquisa, maiores do que os das mulheres. Embora ainda não exista uma explicação para isso, especialistas apontam que o pagamento das empregadas mulheres, que costuma ser 70% do que os homens que trabalham na mesma função recebem, é mais baixo por preconceito.

Na Região Metropolitana de Porto Alegre, os homens chegam a receber 28% a mais na área da Indústria. A com menor variação entre os salários de ambos os sexos é a área de Comércio, onde homens recebem apenas 22% a mais que as mulheres.

(Fonte: PED-RMPA)

No Brasil

O Instituto Ethos publicou em 2015 o Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas do Brasil e Suas Ações Afirmativas. Nos cargos mais altos, os números demonstram que o mercado exige uma melhor formação do público feminino. Nos conselhos das empresas, por exemplo, todas as mulheres têm ensino superior ou pós graduação, enquanto 4% dos homens chegaram lá estudando somente até o ensino médio. No quadro executivo a mesma situação se repete, onde 1,2% dos homens não têm formação superior. Na tabela abaixo, há a relação completa entre formação e cargos ocupados:

(Fonte: Instituto Ethos)

Em todos os setores, a maior porcentagem de mulheres precisa de mais formação que o público masculino, mostrando uma maior dificuldade das mulheres em chegar aos cargos mais altos ao longo da carreira, mesmo com uma formação melhor. Os dados acompanham a opinião dos gestores entrevistados no mesmo estudo quando perguntados sobre a quantidade de mulheres em determinados setores ser maior ou menor do que deveria, ou se ainda a consideram adequada. Quanto ao quadro executivo, apenas 3,5% deles afirmaram que o as mulheres estavam em números acima do esperado. 43,4% acham o número adequado e mais da metade - 53,1% - reconhecem que há menos mulheres do que deveria em cargos mais altos.

Por fim, também se mostram minoria as empresas que possuem ações que visam aumentar o número de mulheres nessas empresas. A maioria das que afirma ter alguma política investe mais nos cargos mais altos, como gerência e supervisão. Os quadros funcionais, de trainees e estagiários seguem, em grande parte, com pouco investimento para o aumento do número de mulheres. Veja abaixo:

(Fonte: Instituto Ethos)