“O modelo morreu”, afirma Ciro Gomes em palestra na Unisinos

Candidato informal à Presidência da República, o ex-ministro deixou de lado a campanha política para revisitar a economia brasileira nas últimas décadas

Karine Dalla Valle
Aug 25, 2017 · 4 min read

Apesar das frequentes entrevistas e de informalmente ser candidato à Presidência do Brasil em 2018 pelo Partido Democrático Nacional (PDT), o ex-ministro e ex-governador do Ceará Ciro Gomes iniciou sua fala na noite de quinta-feira (24) pedindo que o público não o visse como um simples candidato, mas como um velho militante “que já não alimenta mais ilusões sectárias”. A palestra, intitulada “A Constituição Federal de 1988 e a crise brasileira”, foi realizada no Anfiteatro Padre Werner, na Unisinos, em São Leopoldo.

“Eu, Ciro Gomes, me recuso a aceitar a divisão que estão impondo neste país: um confronto entre coxinhas e mortadelas. Isso não é o Brasil. O Brasil não cabe nessa redução”, declarou.

Foto: Juliana Silveira/Beta Redação

Seria pela aversão a debates simplistas em outros meios que o político, formado em Direito pela Universidade Federal do Ceará, prefere participar de eventos em universidades, onde afirma poder conversar como professor e “conhecedor profundo do Brasil”.

Diante de um anfiteatro com capacidade para mais de 700 lugares completamente lotado, e com uma plateia formada na sua maioria por jovens, o pré-candidato à Presidência do Brasil preferiu não dar soluções para o país sair da crise, mas revisitar historicamente um modelo econômico que já não estaria mais servindo ao país.

Foi assim que relembrou as alianças partidárias formadas na década de 1980, quando figuras ligadas ao centro do espectro político se uniram a figuras da esquerda para restabelecer a democracia, deixando de lado o debate econômico — tema que causava cismas nos comunistas, camaradas que lutavam “ombro a ombro” pela derrubada do governo militar.

Foto: Juliana Silveira/Beta Redação

Adotando a linha trabalhista comum a Getúlio Vargas, Ciro deixou claro que não demoniza o modelo liberal e o capital privado, mas condena a concentração de renda que gera instabilidade social. “Somos a mais desigual distribuição de renda em todas as economias do mundo”, afirmou ele.

Citando o êxodo rural, o colapso nas cidades e a incapacidade dos governos de organizar o novo cenário, condenou o modelo desenvolvimentista adotado nas últimas décadas: “O modelo morreu. Morreu de morte matada e de morte morrida”.

Foto: Juliana Silveira/Beta Redação

Descontraído, falou palavrões e arrancou risos da plateia quando relembrou a experiência com a internet discada, época em que levava oito minutos para ler até o fim a primeira página de um portal de notícias.

Ao lado de representantes de movimentos da esquerda, como a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a organização A Marighella, deixou nas entrelinhas que a solução para o país não seria uma guinada à esquerda, mas uma parceria com o capital privado que permita a autonomia de um governo. “O que faz um governo eficaz é o encontro entre um governo empoderado com um empresariado convergente, o que hoje é um dissenso absoluto”, destacou.

Antes da Unisinos, passeio por Porto Alegre e viagem de trensurb

Por João Rosa

Ciro Gomes desembarcou em Porto Alegre na manhã de quinta-feira (24) por volta das 7h da manhã. Às 11h chegou à Rua da Praia, onde caminhou entre ambulantes e percorreu o caminho até a Praça da Alfândega, acompanhado pelo presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, e o presidente estadual do partido, Pompeo de Mattos.

Lá, inaugurou a nova placa da Carta Testemunho de Getúlio Vargas, no dia em que se completavam 63 anos da morte do ex-presidente e político gaúcho.

Saindo da homenagem, rumou até a Rádio Guaíba para conceder entrevista. Na sequência visitou as proximidades da Ocupação Lanceiros Negros Vivem, que teve um dia decisivo por conta da ordem de reintegração de posse do Hotel Açores. Já na Assembleia Legislativa, participou e discursou sobre o “pai dos pobres” durante o grande expediente que lembrou o legado de Vargas para o Brasil.

Partiu então para o Auditório Dante Barone, onde também teve a palavra graças à iniciativa da deputada Juliana Brizola (PDT). Falou sobre as privatizações e a atual crise brasileira.

Em seguida foi em direção à estação Mercado da Trensurb. Pegou o trem em horário de pico e seguiu viagem até a estação Unisinos. Suando muito, o pré-candidato à Presidência comentou sobre o forte calor porto-alegrense e conversou com estudantes de Jornalismo da universidade e passageiros.

Chegando ao Anfiteatro Padre Werner, na Unisinos, em São Leopoldo, concedeu entrevista para um jornal local e tirou fotos. Após uma breve concentração, subiu ao palco do auditório lotado para palestrar sobre o atual momento do Brasil e falar muito da crise econômica.

Ovacionado diversas vezes pela plateia, Ciro Gomes arrancou risadas e prendeu a atenção do público durante palestra, que durou cerca de duas horas. Ao final de sua fala, respondeu às perguntas feitas pelos presentes.

)

    Karine Dalla Valle

    Written by

    Repórter

    Beta Redação

    A Beta Redação integra diferentes atividades acadêmicas do curso de Jornalismo da Unisinos em laboratórios práticos, divididos em cinco editorias. Sob a orientação de professores, os estudantes produzem e publicam aqui conteúdos jornalísticos de diversos gêneros.

    Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
    Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
    Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade