Amanda Büneker
Nov 14, 2018 · 6 min read
Eventos de competição de ciclismo crescem no Rio Grande do Sul (Foto: Cesar Delong/Redbull)

Pedalar é uma ação cada vez mais comum nos grandes centros urbanos. Seja na mobilidade do dia a dia, como esporte ou lazer, a bicicleta vem ganhando espaço na rotina dos brasileiros. Com isso, o mercado do ciclismo encontrou o caminho para expandir seus empreendimentos e o estilo de vida biker. Uma paixão que conquista o público e o mantém fiel mesmo em meio à crise econômica. “A necessidade de utilizar a bike como meio de transporte, faz com que os usuários se encantem por esse mundo do ciclismo e acabem o explorando cada vez mais”, explica Nathalia Montagner, dona da Race Sports, empresa especializada em marketing esportivo.

A possibilidade de empreender na área é, em boa parte, consequência do investimento público na infraestrutura das cidades, de acordo com estudo desenvolvido pelo Laboratório de Mobilidade Sustentável da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LABMOB/UFRJ) e a Aliança Bike (Associação Brasileira do Setor de Bicicletas). Neste ano, as capitais do país já contabilizam cerca de 3 mil quilômetros de vias ciclísticas, com a estimativa de cerca de 1,2 milhões de reais investidos na implantação de ciclovias, dados compilados no site do estudo Economia da Bicicleta no Brasil.

Éderson Rorato, ciclista desde a década de 1990 e empreendedor de cicloturismo, diz que os avanços tecnológicos e de fabricação dos equipamentos das empresas voltadas ao ciclismo, assim como o investimento em feiras de negócios voltadas a este nicho de mercado, também impactam no aumento dos praticantes do esporte.

Fonte: Economia da Bicicleta no Brasil

Além disso, Rorato destaca as questões como saúde e contato com a natureza, “Todos têm buscado por uma qualidade de vida maior, e a bicicleta proporciona isso”, disse. Essa busca leva os empreendimentos bikers a ganhar espaço nas cidades interioranas, que oferecem condições perfeitas para prática de cicloturismo e de uma das modalidades esportivas mais populares, o Mountain Bike, ou seja, o ciclismo de montanhas e trilhas.

Novas aventuras: os eventos bikers

Sul Bike Race é um dos principais eventos bikers no estado (Foto: Cesar Delong/Redbull)

Segundo a pesquisa Economia da Bicicleta no Brasil, em 2016 ocorreram 203 eventos esportivos oficiais voltados ao ciclismo, com estimativa de 37 mil participantes, que movimentaram quase 29 mil reais, 59% a mais do que a média de valores investido na realização dos eventos (cerca de 17 mil reais).

Com o crescimento do público participante e os apaixonados pelo ciclismo que resolvem empreender na área, novos eventos vão surgindo todos os anos:

“Hoje temos no Brasil um dos maiores eventos de ultramaratona do mundo, o Brasil Ride. São sete dias do mais puro Mountain Bike pelas incríveis paisagens da Bahia. Em Minas Gerais, temos um dos mais tradicionais eventos do país, o Iron Biker. Não muito longe, em Santa Catarina, encontramos o Desafio dos Rochas, que além de fomentar o ciclismo, tornou-se um grande festival de cultura aliada ao esporte. Já aqui no Rio Grande do Sul, podemos citar o Sul Bike Race, que é uma das maiores competições do estado”, explica Nathalia.

Referência no Estado, o evento Sul Bike Race surgiu há dois anos com o intuito de preencher a carência de grandes eventos voltados à modalidade Mountain Bike na região gaúcha. As primeiras duas edições foram realizadas na cidade de Harmonia, seguido do Desafio Cascatas e Montanhas, que ocorreu em Rolante, e a próxima competição terá como cenário as paisagens de Cambará do Sul.

Os eventos apostam nas belezas da natureza e as culturas do interior rio-grandense (Foto: Cesar Delong/Redbull)

Além dos eventos competitivos, os empresários da marca também contribuem e apoiam a realização de eventos não-competitivos, como passeios. Segundo Fernando Rech, co-criador, o investimento de eventos não competitivos está na faixa de 10 mil reais, enquanto eventos competitivos, que exigem maior estrutura, podem chegar a 60 mil. Quando questionado sobre o retorno desses valores, Rech enfatiza que “depende muito da quantidade de atletas que se fizeram presentes no evento, mas, normalmente, quando atingindo o número esperado, a receita fica em torno de 50% do valor do custo”.

No interior do Rio Grande do Sul, a promoção de eventos apoiada pelas administrações locais e os grandes nomes do setor biker estimularam o surgimento de eventos colaborativos, que incentivam a produção local, como Pedal Bike Chopp, em Tupandi, Caí da Bike e BergaBike, em São Sebastião do Caí.

Novos trajetos: o cicloturismo

Da junção de seu empreendimento de transportes e sua paixão pelo esporte — que cresce desde a década de 1990, Éderson Rorato criou a Pedalando no Sul, uma empresa especializada em cicloturismo, uma tendência de mercado no Brasil com espaço consolidado na Europa.

Entre os destinos, como Caminhos das Pedras, em Bento Gonçalves, e a Serra do Rio do Rastro, em Santa Catarina, sua proposta tem como chave a experiência do cliente e a personalização do serviço. Por isso, seus roteiros buscam oferecer opções aos mais diversos públicos, com passeios mais leves e turísticos, especializados em downhill (descida de montanhas), mountain bike, longas distâncias e speed (ciclismo de velocidade em asfalto).

Os pacotes oferecidos incluem a logística de transporte (com van e reboque de 14 bicicletas), rotas programadas, um kit biker (com mochila, camiseta e outros itens), hidratação, alimentação, hospedagem e pontos de atração cultural e gastronômica. Com direito a uma moradora local recepcionando os bikers com pão caseiro. Fatores de segurança, como seguro de vida, suporte e resgate em casos de problemas técnicos ou acidentes, também estão incluso no pacote.

O negócio exige um alto investimento anual, que gira em torno de 350 a 400 mil reais, custo que ainda não foi recuperado em totalidade pelo empreendedor. Todavia, a ideia de trabalhar com aquilo que ama e de proporcionar a experiência biker de forma única é o que move suas perspectivas ao empreender. Esse espirito é algo notável na maioria dos empreendedores deste mercado, que por enxergarem o setor não somente como uma fonte de renda, mas também como um estilo de vida pessoal, iniciam suas propostas impulsionados pelo sentimento de ampliar o mundo do ciclismo.

Neste ritmo, o ciclismo amplia seus alcances em diferentes ramos, desde a tecnologia até a área alimentícia, e destaca-se como um dos mercados em acensão. “Visualizo o ciclismo em nosso país no seu melhor momento. 2018 é um ano para ficar marcado na história, pois tivemos o primeiro brasileiro Campeão Mundial XCM (uma categoria da modalidade). Henrique Avancini, foi quem conquistou este feito inédito e vem ajudando no crescimento do esporte no Brasil”, coloca Nathalia.

Beta Redação

A Beta Redação integra diferentes atividades acadêmicas do curso de Jornalismo da Unisinos em laboratórios práticos, divididos em cinco editorias. Sob a orientação de professores, os estudantes produzem e publicam aqui conteúdos jornalísticos de diversos gêneros.

Amanda Büneker

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