Ocupação Lanceiros Negros Vivem e autoridades chegam a acordo para desocupação pacífica

João Rosa
Aug 25, 2017 · 3 min read

Cerca de 20 famílias que ocuparam prédio no Centro Histórico de Porto Alegre ficarão provisoriamente em um alojamento da Brigada Militar

Militantes passaram a noite em frente ao prédio para apoiar Ocupação (Foto: João Rosa / Beta Redação)

Após cerca de quatro horas de negociações e tensão no Centro Histórico de Porto Alegre, chegou-se a um acordo para a saída dos moradores da Ocupação Lanceiros Negros Vivem. Militantes e ocupantes do prédio fizeram vigília de quase doze horas para resistir à reintegração de posse que seria levada a cabo pela Brigada Militar na manhã desta quinta-feira (24). As autoridades propuseram um acordo para a desocupação pacífica do prédio, no qual antes funcionava o Hotel Açores, desativado desde 2014.

Foi acordado que as cerca de 20 famílias que vivem no espaço se desloquem provisoriamente para um alojamento da BM. As tratativas envolveram representantes da Defensoria Pública, Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc) e Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa.

Os bloqueios nos acessos à rua dos Andradas começaram a ser feitos pela BM por volta das 23h30 de quarta-feira (23) e permaneceram ao longo de toda a quinta-feira (24). No final da manhã, o governo do Rio Grande do Sul e a Brigada Militar, juntamente com representantes do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e deputados estaduais, intermediaram o novo acordo, que deslocará cerca de 100 pessoas para uma outra moradia.

O acordo, segundo o MLB, é de que todas as famílias serão cadastradas pela Fasc para que recebam aluguel social da prefeitura por seis meses. Ainda nesta semana, representantes do movimento irão visitar um espaço indicado pela BM junto ao Centro Vida, que servirá de abrigo provisório para as famílias. O espaço está localizado na Zona Norte de Porto Alegre.

A luta é pelo direito à moradia

Matheus Portela, membro da coordenação estadual do MLB, explicou o acordo feito entre as partes e as propostas colocadas na mesa. “Apareceu um conjunto habitacional que estava sendo construído. Ficamos surpresos, pois eles nunca negociaram. Sempre era ‘não’, ‘vão tomar pau’, era sempre assim o diálogo, e desta vez foi diferente. A sensação é de que valeu a pena. O saldo foi positivo. Até que enfim os governos, tanto o municipal como o estadual, resolveram abrir o jogo e dizer o que pode e o que não pode. Que bom que ninguém precisou morrer nesse percurso”, declarou.

Matheus ainda revelou que no início da tarde chegaria um ônibus da Brigada Militar, no qual seria feito um cadastro das famílias para o aluguel social. “A gente vai passar a receber o programa do aluguel social com o prazo que tem essa moradia. Saímos daqui, recebemos o aluguel social, mas a moradia será construída. Dentre as propostas, tinha um conjunto habitacional na Restinga e outro na Avenida Bento Gonçalves. Nosso objetivo não é ficar aqui, e sim conquistar a casa. O movimento quer conquistar a moradia.”

A solução definitiva para as famílias ainda será negociada e pode envolver a adesão ao programa Minha Casa Minha Vida.

Abordagem da Brigada Militar e ausência do governo estadual

O deputado Jeferson Fernandes (PT), detido na reintegração de posse da ocupação anterior da Lanceiros Negros no início de junho, comentou a mudança na postura da BM. “Agora se nota uma diferença monumental em relação à postura que a Brigada teve em junho, quando chegou atirando. Ali não teve conversa. Eu mesmo acabei sendo preso.”

Já a deputada Manuela D’Ávila (PCdoB) criticou as autoridades e falou da ausência do Executivo neste episódio. “É bem importante que a gente diga que o governo do Estado não se fez presente. Todo o esforço foi operado através de outro esforço coletivo. O governo simplesmente desapareceu. Deslocam um efetivo gigantesco de homens e mulheres da BM para as ruas, retirando de outros espaços sem sequer criar condições para que se possa dar sequência ao diálogo, à desocupação do prédio e à reinstalação das famílias”, comentou.

Beta Redação

A Beta Redação integra diferentes atividades acadêmicas do curso de Jornalismo da Unisinos em laboratórios práticos, divididos em cinco editorias. Sob a orientação de professores, os estudantes produzem e publicam aqui conteúdos jornalísticos de diversos gêneros.

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