OPINIÃO: Mídia brasileira concede pouca visibilidade ao paradesporto

Ao contrário dos meios tradicionais, os grupos independentes enaltecem o esporte para pessoas portadoras de deficiência

No Rio Grande do Sul existem dois programas esportivos de grande notoriedade. Ambos são exibidos no início da tarde. Um com 1h de duração, o outro pouco mais de 30min. Diários, os programas trazem os acontecimentos dos dias passados, os futuros eventos esportivos e os destaques do esporte no país. Na maior parte do tempo, designam suas notícias, matérias, reportagens e comentários para o viés futebolístico. Sabe-se, muito bem, que o Brasil é o país do futebol. Porém, é só dentro do gramado verde com quatro linhas que se vive o esporte brasileiro? Brevemente se fala sobre voleibol. Tampouco sobre handebol, basquete, tênis ou atletismo. Os dois programas televisivos são exemplos de como a comunicação se comporta em relação ao esporte no país.

A centralização de conteúdo por parte da mídia no que se refere ao esporte para pessoas sem deficiência é uma realidade provada diariamente. Somos bombardeados com informações supérfluas a respeito de salários de jogadores, desarmonia de vestiário, problemas na direção dos clubes, simulações de jogos futuros e condições de gramados. Seguidas investigações a respeito de assuntos prescindíveis. Falta de tempo/espaço é motivo falacioso, já que engolimos a seco o mesmo tema todos os dias.

Logo, onde se encaixam os esportes para pessoas com deficiência? Quais são as principais competições? Quem são os favoritos em cada categoria? Como nos informamos? Quem nos informa? A probabilidade de estarmos desinformados e desinteressados no esporte para portadores de deficiência — talvez — passe pelas mãos da mídia tradicional. Apesar de as paralímpiadas estarem nas telas de canais fechados, de quatro em quatro anos, pouco mais se vê, pouco mais se lê, quase nada se sabe acerca disso no restante dos dias e anos. Estamos fadados a cegueira do esporte.

As possibilidades para a falta de cobertura dessas modalidades podem ser várias: baixa divulgação, pouca rentabilidade ou “desinteresse” do público. Porém, a mídia é a roda que faz a informação girar. Quanto mais sabemos de um assunto, mais nos interessamos e nos fidelizamos a ele. Com isso, podemos entender a carência da qual os meios de comunicação fazem o público viver.

Atleta do RS Paradesporto em competição de arremesso de peso. (Foto: RS Paradesporto)

Na contramão das mídias tradicionais, os meios independentes atuam em favor da integração dos paradesportos no dia-a-dia dos cidadãos. Transmitindo ao vivo competições e mantendo atualizados os seus seguidores, as páginas encontram na internet uma forma de informar e divulgar o mundo paradesportivo. Seja cobrindo provas, partidas, torneios ou, ainda, o cotidiano dos desportistas, as páginas se dedicam integralmente aos esportes para portadores de deficiência.

Através de lives no Facebook — meio ao vivo de transmissão — , a INSPIRE Colombia, página que atua exclusivamente com paradesportos, exibiu a Copa América 2017 de Basquete em Cadeira de Rodas. Os jogos geraram muitos comentários, alguns compartilhamentos e vasta visualização. A final da competição, com jogo entre Estados Unidos e Canadá, obteve mais de oito mil visualizações.

Jogo da final da Copa América 2017 de Basquete em Cadeira de Rodas — EUA x CAN

Em terras gaúchas, a RS Paradesporto, associação sem fins lucrativos, fomenta a inserção do esporte paralímpico na realidade das pessoas com ou sem deficiência. A instituição auxilia, inclusive, no ingresso de jovens alunos de escolas públicas no esporte. A página da instituição no Facebook possui mais de 20 mil seguidores e é atualizada com informações dos atletas da equipe e, até mesmo, suas pequenas “vitórias” diárias.

Mesmo com capacidades miúdas perto das grandes empresas de comunicação, as novas faces da mídia independente concedem o que nenhum meio tradicional consegue efetuar com ênfase: visibilidade aos paratletas. Eles estão ali! Sacrificam-se tanto quanto ou até mais do que atletas sem deficiência. Por que não os vemos? Por que não os conhecemos? O que falta para a mídia tradicional enxergá-los com mais realce? O que se sabe é que têm força e a usam como motivação para enxergar no esporte um caminho para não caírem no esquecimento, mesmo que essa realidade pareça estar ainda muito longe.

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