Porto Alegre vê média do Ideb cada vez mais distante

Município deixou de atingir objetivo pela quarta vez em 2017

Apenas 25% das escolas superaram meta nos anos iniciais (Foto: Luiz Eduardo Campesato/Divulgação PMPA)

A capital gaúcha falhou novamente no ranking do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o Ideb. Os números divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) na semana passada mostram um aumento tímido em 2017 em relação a 2015, quando os últimos testes foram aplicados. A nota das escolas públicas de Porto Alegre passou de 4,8 para 4,9 nos anos iniciais e de 3,6 para 3,9 nos anos finais do ensino fundamental.

A diferença entre meta e nota do município em 2011 era de 0,1 ponto abaixo do objetivo. A situação se manteve em 2013 e se agravou em 2015, quando Porto Alegre ficou 0,4 abaixo da meta. No último censo, o déficit foi de 0,6 nos anos iniciais. Já nos anos finais, passou de 0,1 abaixo da meta em 2011 para 0,8 inferior.

Com o resultado, o objetivo proposto pelo MEC para as duas faixas de ensino (que abrangem alunos da 4ª série ou 5º ano e da 8ª ou 9º ano, respectivamente) não foi atingido pela quarta vez seguida. No nível médio, em que são avaliados estudantes do 3° ano, a capital nunca teve a quantidade de alunos suficiente para que a média pudesse ser calculada.

Neste levantamento, não foi possível apurar exclusivamente os dados da rede municipal de Porto Alegre, já que, em 2017, as escolas administradas pela prefeitura não tiveram alunos suficientes para ter uma média geral no Ideb em alguma categoria.

Mesmo assim, é possível ter uma ideia de como anda o ensino nas escolas municipais ao acessar os dados do QEdu, uma ferramenta de análise independente criada em 2012 pela startup Meritt, de Florianópolis, e apoiada pela Fundação Lemann.

O QEdu compilou os resultados das escolas municipais porto-alegrenses e, a partir desses números, é possível concluir que a situação é pior nas instituições de ensino administradas pelo município.

O Ideb tem como nota de referência o 6,0. Esta é a meta padrão para todo o ensino brasileiro, público ou privado.

· Escolas que atingem ou superam esta nota, são classificadas como “manter”.

· Já escolas que atingem a meta mas não alcançam o 6,0 recebem a tag “melhorar”.

· Colégios que não atingiram a meta ou pioraram no ranking são sinalizados com “atenção”.

· E escolas que não crescem no Ideb, nem atingem a meta, estão em situação de “alerta”.

De acordo com os dados informados pelo QEdu, os anos finais do ensino fundamental são os que aprestam pior desempenho : 66,7% estão em situação de “atenção” e 33,3% estão marcadas como “alerta”. Ou seja, nenhuma escola sequer atingiu a meta proposta pelo MEC nessa faixa em 2017.

Nos anos iniciais, apenas 25% das instituições de ensino estão dentro dos padrões esperados.

Veja o gráfico relativo à rede municipal:

Procurada pela reportagem através da Secretaria de Educação e, posteriormente, da Assessoria de Comunicação, a prefeitura da capital não quis se manifestar.

Missão não é impossível

Na contramão de Porto Alegre está Goiânia. A capital de Goiás tem um contingente populacional muito próximo à do Rio Grande do Sul (cerca de 20 mil pessoas a mais) e um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) bastante parecido (0,799 para os goianenses e 0,805 para os porto alegrenses).

O investimento em educação, inclusive, é similar. Segundo o Tribunal de Contas do Estado (TCE) de Goiás, a capital investe 28,03% de seus recursos em educação, enquanto Porto Alegre destina 28,46% para a área.

No entanto, essa semelhança não se reflete no desempenho educacionlal. Se Goiânia já atingiu a nota 5,8 para escolas municipais em anos iniciais, acima da meta fixada em 5,5 e muito próximo do 6 que o MEC deseja, Porto Alegre amarga seus 4,9.

Nos anos finais, a capital goiana também ultrapassou a meta, atingindo 4,7 ao invés dos 4,4 propostos, contra 3,9 de Porto Alegre — cuja meta era de 4,7.

A administração da cidade goiana atribui os resultados satisfatórios aos investimentos em formação continuada e valorização dos profissionais da educação, planejamento pedagógico e reestruturação física das escolas. A secretaria avalia que “respeitar o tempo e a inclusão do aluno no aprendizado é parte crucial dos resultados”.

Para a capacitação dos professores, além da formação oferecida pela própria prefeitura, há “parcerias com o Governo Federal e Universidades, com formações voltadas a temática de uma educação emancipadora e transformadora”, informa a pasta.

A secretaria destaca ainda que o bom desempenho no Ideb e nas demais avaliações “são consequência de uma gestão com foco no educando cumprindo com o dever de ofertar um ensino de qualidade e capacitando-os ao exercício de cidadania embasado numa formação significativa”.

Avaliação vai além do Ideb

Encontro de discussão do currículo da Educação infantil Local: Auditório da Smed 
Foto: Manoelle Duarte / Divulgação PMPA

O Ideb é apenas um dentre os muitos rankings utilizados pelo Ministério da Educação (MEC) para medir a qualidade de ensino. Também podem ser levados em conta a Prova Brasil ou mesmo o Enem, por exemplo. O Instituto Alfa & Beto, especializado em educação, avalia que o Ideb deixa a desejar porque dá nota para a taxa de aprovação, notas de Matemática e de Língua Portuguesa na Prova Brasil. “Isoladamente, essas três medidas fazem sentido. Quando combinadas no mesmo índice, como no caso do Ideb, perdem o sentido e criam mensagens ambíguas”.

As reservas quanto à taxa de aprovação se dão porque podem puxar para cima notas medianas ou baixas na Prova Brasil, distorcendo, assim, o Ideb. De fato, quando são comparados os níveis de aprovação das duas capitais, os goianenses possuem taxas bastante altas (de 0,95 a 0,98) enquanto Porto Alegre apresenta números medianos (de 0,75 a 0,85). Porém, o nível de aprendizado (proficiência em português e matemática) ainda é maior no estado central.

O Instituto explica que, no entanto, altos índices de aprovação só funcionam a curto prazo. Um desempenho melhor na Prova Brasil em português e em matemática é que fazem a diferença em metas longas. Ainda assim, neste quesito, Goiânia também é superior a Porto Alegre em todos os índices novamente.

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