(Foto: Claudio Vieira/PMSJC)

Retorno do sarampo já era esperado

Taxas de cobertura vacinal decaem há três anos no país e polêmicas sobre a eficácia das vacinas contribuem para novos surtos

Por Júlia Ramona Michel, Ellen Renner e Verônica Torres Luize

A queda na cobertura vacinal é uma das explicações para o retorno do sarampo no Brasil. Somente neste ano, o país obteve a confirmação de mais de dez mil casos, de acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde, em 28 de novembro. Ao todo, são 12 óbitos pela doença concentrados em três estados: Roraima, Amazonas e Pará.

(Fonte: Ministério da Saúde)

No Rio Grande do Sul, segundo o Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS), até 8 de novembro, foram confirmados 45 casos. A capital dos gaúchos apresenta o maior número de contração da doença: 38 casos registrados de sarampo.

(Fonte: Centro Estadual de Vigilância em Saúde — CEVS)

A presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabella Ballalai, acredita que um dos principais fatores que justificam a queda dos índices de vacinação é a falta de percepção do risco. “Hoje, é comum as pessoas associarem a falta de registros do sarampo no Brasil com o fato de não haver mais a necessidade de vacinar”, esclarece. “A vacinação deixou de ser uma prioridade para as famílias brasileiras”, salienta a presidente.

A falsa sensação de segurança em relação ao contágio de sarampo também é apontada como uma das explicações para a queda nas coberturas vacinais pelo médico da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS), Érico José Faustini. Ao analisar os índices de vacinação contra o sarampo do Estado, ele lembra que as doenças infecto-contagiosas preveníveis pelas vacinas- como é o caso do sarampo — , constituíram-se no passado como importantes causas de morbidade e mortalidade infantil. “A criação das vacinas e o controle das patologias resultaram na falta de memória dessas doenças para as novas gerações. O esquecimento, aliado a informações sobre os efeitos colaterais mínimos das vacinas e a propaganda contra à vacinação, talvez explique a queda nas coberturas vacinais”, esclarece o médico.

O caminho para o retrocesso

Diante do alto número de casos de sarampo no Brasil, questionou-se o motivo pelo qual a doença — que já havia sido eliminada das Américas em 2016 — retornou, de forma tão expressiva, ao país. A partir de um levantamento realizado pela equipe investigativa da Beta Redação, sobre as taxas de coberturas vacinais dos últimos oito anos, percebeu-se que a partir de 2015 houve uma queda considerável nos índices de cobertura vacinal.

Durante três anos consecutivos — entre 2015 e 2017 — , o número de pessoas vacinadas em diversos estados brasileiros, incluindo o Rio Grande do Sul, passou longe do esperado pelo Ministério da Saúde, que desde 1990 prevê a imunização de 95% das crianças menores de 5 anos contra o sarampo. Neste período, o ano de 2017 é considerado o mais crítico, quando houve incidência de surto da doença na Europa e também na Venezuela. À época, tanto o Estado, quanto o Brasil atingiram 86% da meta de cobertura vacinal.

Já neste ano, para que os números fossem favoráveis, e devido a quantidade de casos que se espalharam de norte a sul no país, os estados que não haviam alcançado a meta de imunização foram orientados a prorrogar suas campanhas de vacinação. Desta forma, todos os estados que apresentam casos confirmados de sarampo alcançaram a meta mínima de cobertura vacinal, com exceção do Distrito Federal, que alcançou o percentual de 90,36. Em compensação, o Amapá foi o primeiro estado a atingir 100% da meta de imunização.

Na capital dos gaúchos, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, 97,6% das pessoas infectadas são consideradas não vacinadas ou não tinham o registro de vacinação. A faixa etária mais atingida é a de jovens entre 15 e 29 anos, representando 73,4% das vítimas.

Porém, dados apontam que, desde 2011, novos casos da doença já eram esperados no país. A presidente da SBIm, Isabella Ballalai, afirma que surtos de sarampo eram previstos devido à importação do vírus. “A principal explicação para este retorno do sarampo, além, claro, das pessoas deixarem de lado a imunização, é a importação de vírus da Venezuela, por toda a questão política e territorial que o país está enfrentando e também por ser fronteira com Amazonas e Roraima”, explica a médica.

Os resultados das campanhas de vacinação em todo o país ainda podem sofrer alterações, uma vez que dependem da digitação por parte dos municípios no Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações — SIPNI/DATASUS

O Ministério da Saúde informa que os surtos ocorridos esse ano estão relacionados à importação, já que o genótipo do vírus (D8), que está circulando no Brasil, é o mesmo que circula na Venezuela, país com surto da doença desde 2017. Há também a confirmação de alguns casos isolados — não apenas por conta de importação — no país.

A baixa nos índices de vacinação pode estar associada tanto a indivíduos, quanto ao serviço de saúde oferecido à população, conforme afirma a chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica do CEVS, Tani Ranieri. O número de profissionais atuando, muitas vezes com sobrecarga de demandas, execução de múltiplas tarefas e falta de capacitação são fatores que Tani destaca para que o Calendário Nacional de Vacinação não seja seguido à risca pelas famílias. “Acho que a prática de conversar com os pacientes, recomendar e reavaliar a situação vacinal está muito fragilizada”, confessa a profissional.

Além disso, ela também acredita que o problema está relacionado ao registo de doses aplicadas no Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SIPNI), que há anos passa por reformulações. “Até o ano passado, era utilizado um sistema de desktop, em que era necessário fazer uma transferência de arquivos. Ao mesmo tempo, haviam muitas falhas no sistema, fazendo com que, às vezes, o arquivo fosse corrompido e, assim, não era possível subir os dados para a plataforma do DATASUS, deixando o sistema de informações desatualizado”, explica Tani.

Já a presidente da SBIm, Isabella, traz outro argumento que pode contribuir para a queda no índices de vacinação: a composição familiar. Geralmente, as mulheres são as encarregadas da tarefa de levar as crianças para vacinar. A médica explica que, hoje, todos os familiares trabalham para o sustento do lar, inclusive as mães e, como não há uma divisão da responsabilidade, torna-se complicado sempre a mulher ter que faltar no emprego para levar à criança para receber a vacina. Em sua opinião, também, seria necessário ajustar o horário das Unidades Básicas de Saúde (UBSs). “Se os postos de saúde ficam abertos em horários comerciais, e nessas horas as mães estão trabalhando, como elas irão vacinar os seus filhos?”, questiona Isabella.

Surtos se espalham na Europa e América Latina

A Europa está em meio de um surto massivo da patologia. São mais de 40 mil pessoas infectadas e 30 óbitos no primeiro semestre deste ano, conforme o alerta emitido em agosto pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Os casos registrados de sarampo atingiram um nível recorde, com mais do que o total anual da Europa nos últimos cinco anos.

Já nas Américas, desde abril deste ano, a OMS dispara comunicados sobre a volta do sarampo. Dez países — Antígua e Barbuda, Argentina, Brasil, Canadá, Colômbia, Equador, Estados Unidos, Guatemala, México, Peru e Venezuela — vêm registrando casos confirmados e óbitos devido ao contágio da doença , colocando em risco o reconhecimento que o continente já esteve livre do sarampo.

Sem registros da circulação do vírus do sarampo pelo período de 12 meses, o continente americano, em setembro de 2016, foi considerado livre da doença pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) — escritório regional da OMS. Já no Brasil, a última notificação de surtos da doença ocorreu entre 2014 e 2015, nos estados do Ceará e de Pernambuco.

Sarampo em números no Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, a Campanha Nacional de Vacinação contra sarampo, em simultâneo com a poliomielite, ocorreu neste ano entre 6 de agosto e 28 de setembro, sendo ampliada duas vezes para que a meta fosse alcançada. De acordo com a Divisão de Vigilância Epidemiológica do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS), o Estado atingiu o objetivo previsto pelo Governo Federal.

(Fonte: SIPNI/DATASUS)

Com o índice de 96,44% crianças gaúchas maiores de um ano e menores de cinco vacinadas, conforme dados disponibilizados pelo Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SIPNI/DATASUS), o RS contabilizou, até 29 de novembro, 510.121 doses aplicadas da vacina tríplice viral . Ao final do mês de novembro, das 19 Coordenadorias Regionais da Saúde (CRSs), duas não haviam atingido a meta de cobertura: a 2ª que abrange 25 municípios da Grande Porto Alegre e a 3ª referente a 22 municípios na região de Pelotas.

Recusa cresce no Brasil

Ao longo dos anos, com a eficiência das vacinas e o sucesso dos programas de imunizações, garantindo uma alta cobertura vacinal, as doenças foram controladas e deixaram de circular na mesma intensidade. No entanto, mesmo sendo comprovados os benefícios que as vacinação geram à população, o sentimento de segurança causado pela eliminação de diversas doenças, como o sarampo, surtiu efeitos negativos: pais que se recusam a vacinar seus filhos. Especialistas da área da Saúde apontam que uma das causas para queda nos índices também pode estar ligada ao movimento conhecido por antivacina.

O movimento tem crescido mundialmente, especialmente na Europa e América do Norte, mas tem, aos poucos, ganhado força no Brasil. Conforme a chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica do CEVS, Tani Ranieri, as pessoas adeptas ao movimento não acreditam mais na eficiência das vacinas.

O principal argumento do grupo está voltado para uma pesquisa publicada por uma revista respeitada no meio científico, a The Lancet, em 1998. Na época, uma publicação feita pelo médico britânico Andrew Wakefield, dizendo que a vacina tríplice viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola) era a causa do autismo em seus pacientes, levou diversas pessoas a desconfiarem da imunização.

Mesmo o artigo sendo desmentido posteriormente, com novos estudos realizados, mostrando que a pesquisa de Wakefield era uma fraude e que diversos prontuários e dados tiveram informações alteradas, muitas pessoas ainda relacionam o ocorrido ao fato de não querer vacinar. Porém, o intuito do médico nunca foi deixar de imunizar a população. Sua ideia era criar uma nova versão única e exclusiva para combater o sarampo.

O ex-vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Guido Levi, em seu livro Recusa de Vacina: causas e consequências aponta os principais argumentos utilizados pelo grupo. De acordo com Levi, entre as falas do movimento estão retardar o início da vacinação até que o sistema imune esteja mais maduro; separar as vacinas para absorver o remédio isoladamente; e aumentar o tempo entre as imunizações.

Depoimento coletado pela Beta Redação a partir de pesquisa realizada em grupos antivacina no Facebook

Participante de alguns grupos de trocas de informações voltados para mães, a jornalista Raquel Compassi percebe que o movimento se concentra bastante no Facebook, apesar de haver alguns posts pontuais no Instagram. Como mãe, ela diz acreditar que as pessoas ligadas a este movimento estão buscando meios mais naturais de criação, contudo, estão indo por caminhos perigosos. “Uma coisa é ofertar uma alimentação saudável para as crianças, outra muito diferente é acreditar que as vacinas possam causar problemas ou que exista uma conspiração para que as vacinas afetem negativamente”, relata.

Raquel conta que muitas teorias irreais são disseminadas nas redes sociais. Já houve casos em que ela se deparou com pais que acreditam no uso de medicina alternativa, como vacinas homeopáticas, como principal via de imunização. “Conheço uma mãe que justifica o ato de não vacinar pela crença de que cada um deveria escolher o que quer e não a partir de imposições do governo e também por este lado de evitar medicações tradicionais”, revela a jornalista. “Eu vejo como um erro gigantesco que trará resultados no futuro”, conclui Raquel.

O movimento antivacina nas redes sociais

Especialistas não minimizam o impacto do movimento antivacina no país, apesar de não haver, de fato, como mensurá-lo. Desta forma, com o propósito de compreender a organização desses grupos e o que pensam seus participantes, a reportagem pediu permissão para submeter um questionário a três grupos no Facebook: “Vacinas: o maior crime da história”; “Vacinas……. Pros & Contras” e “Vacinação: Decisão Informada e Direito à Escolha”.

Outro grupo acessado, “O lado obscuro das Vacinas” não permitiu a veiculação do conteúdo. E, até o término desta reportagem, contatou-se que o grupo acessado “Vacinas: o maior crime da história” havia sido desativado. Os três grupos antivacina mapeados no Facebook somavam mais de 15 mil membros.

Reprodução de comentários em grupos antivacina no Facebook

A equipe de reportagem também compartilhou o questionário em grupos de moradores das cidades de Porto Alegre, Alvorada e Viamão. Os municípios registraram casos confirmados de sarampo no Estado neste ano, de acordo com o Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS).

Ao todo, 223 participantes responderam ao questionário, sendo que a maioria com idade entre 25 e 34 anos e residentes do Rio Grande do Sul. Entretanto, moradores dos estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Alagoas, Pernambuco, Ceará, Distrito Federal e, ainda, de outros países, como Portugal e Inglaterra, também participaram da pesquisa. Das mais de 200 respostas, 66,4% são pessoas com filhos ou responsáveis por algum menor de idade.

A partir das respostas obtidas, observa-se que, embora a maioria das pessoas se informe a respeito de imunizações por meio de atendimento médico e de campanhas de vacinação, 50,7% busca informações pela internet e 34,1% pelas redes sociais — espaço em que a circulação de informações é extremamente dinâmica, mas que também colabora para a disseminação de notícias falsas. No questionário, os principais argumentos utilizados por quem é contrário à vacinação são: não achar seguro; poder contrair a doença; e/ou não achar as vacinas necessárias. Porém, ao serem questionados se acreditam correr algum risco deixando de vacinar, mais de 90% das pessoas que responderam a pesquisa confirmam que sim.

A partir da pesquisa, observa-se que, apesar de existir pessoas que são contrárias a vacinação, as mesmas não gostam de expor suas opiniões fora do seus grupos e poucas foram as que ampliaram a discussão por meio das caixas de comentários presentes no questionário. Mesmo sendo informado que o questionário era anônimo, nenhuma pessoa deixou seu e-mail para um contato futuro.

Depoimento coletado pela Beta Redação a partir de pesquisa realizada em grupos antivacina no Facebook

Notícias falsas também colaboram para a queda de vacinação

Em contraponto, a presidente da SBIm afirma que o movimento antivacina ainda é pequeno no Brasil, referindo-se apenas a 4% da população. Contudo, Isabella esclarece que o dado que mais assusta é que 20% dos brasileiros exitam em vacinar, devido a circulação de notícias falsas.

Além disso, as pesquisas da instituição destacaram que entre as pessoas que têm incertezas a respeito da segurança das vacinas, 10% discordam, totalmente ou parcialmente, da ideia de que as vacinas sejam de fato seguras. “Isso é muito complicado, pois a população mais acredita nos mitos sobre vacinação do que nas pesquisas científicas, que são pouco entendidas no Brasil”, revela.

A presidente da SBIm ainda argumenta dizendo que pela disseminação de notícias falsas — conhecidas atualmente como fake news -, muitas mães “tem pena de dar mais de uma vacina no mesmo dia”, devido ao calendário de imunizações. “Elas [as mães] dizem que vão dar apenas uma vacina e que voltarão em outro dia para seguir com as demais doses, mas a gente sabe que em alguns casos elas não vão voltar, devido à rotina familiar que se tem hoje”, relata Isabella.

Na opinião da chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica, Tani, o acesso fácil e a rápida disseminação de informações na internet auxiliam para que notícias mentirosas circulem, fazendo com que um número grande da população, muitas vezes, acredite em boatos e contribua para que informações incorretas sejam passadas adiante. Logo, tanto a palavra de especialistas, quanto a investigação apontam que o movimento antivacina, no Brasil, não possui uma adesão suficiente para impactar na queda de coberturas vacinais. Porém, contribui para a divulgação de informações falsas em relação a campanhas de vacinação.

Depoimento coletado pela Beta Redação a partir de pesquisa realizada em grupos antivacina no Facebook

Um problema para todos

No entanto, o que seria apenas uma escolha pessoal e individual afeta toda a população. A justificativa, de acordo com médicos que atuam na área de epidemiologia, é: quanto mais pessoas imunizadas, menor as chances do vírus se propagar. Isto porque, mesmo não atingindo 100% da população — o que dificilmente acontece, conforme mostram os dados do Programa Nacional de Imunizações — quanto maior for o contingente vacinado, maior proteção se terá; inclusive entre as pessoas que não podem ou não foram vacinadas.

Essa estratégia é conhecida na infectologia como imunidade de grupo ou efeito rebanho. Os termos são utilizados para fazer referência aos benefícios da aplicação da vacina recebido por pessoas que não as tomaram. O efeito ocorre de modo imediato, pois os indivíduos que foram imunizados se transformam em vetores dos parasitas.

Depoimento coletado pela Beta Redação a partir de pesquisa realizada em grupos antivacina no Facebook

Mas diferente do que muitas pessoas pensam, o vírus do sarampo pode ser mortal. Somente no país, dados do Ministério da Saúde apontam que, até o fim de novembro, 12 pessoas foram a óbito por causa da doença. Este cenário pode significar que outras doenças evitáveis por vacinação, como rubéola, caxumba, difteria e hepatite, poderiam começar a aumentar, já que, segundo apontamentos médicos, o sarampo é geralmente o primeiro a se espalhar quando as pessoas deixam de se imunizar. Isso ocorre porque o sarampo é altamente infeccioso e o contágio ocorre de forma fácil, similar a gripe, de pessoa para pessoa e por meio de tosse e secreção.

Cláudia Daiana da Rosa, 35 anos, teve preocupação dobrada em agosto deste ano. Moradora de Viamão, a doméstica viu os dois filhos com sarampo. Favorável as vacinas, ela conta que se surpreendeu ao ver Fernanda, 7, e Henrique, 4, com a doença, já que ambos estavam com a caderneta de vacinação em dia. Sabendo que o sarampo pode ocasionar a morte, a mãe se viu aflita. “Eu fiquei assustada quando vi minha filha toda empipocada e meu filho depois na mesma situação”, confessa.

Após descartar as suspeitas de catapora e preocupada com a saúde das crianças, Cláudia levou os dois filhos até a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. Após diagnóstico, realizado por uma profissional de Saúde do município, a mãe conta que os pequenos receberam tratamento a base de antibióticos e tiveram uma rápida recuperação.

O médico da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS), Érico José Faustini, explica que é preciso estar atento aos sintomas do sarampo. Se a criança apresentar febre e manchas vermelhas pelo corpo, acompanhado de tosse, coriza e/ou conjuntivite, deve ser considerado como um caso suspeito de sarampo e o responsável deve procurar ajuda médica para confirmar a doença e receber, após diagnóstico, orientações. “Todo o caso de suspeita deve ser notificado pelo médico para as autoridades de saúde e vigilância sanitária para investigação do mesmo é possível confirmação”, reforça o médico.

Vídeo utilizado pelo Ministério da Saúde durante a Campanha de Vacinação 2018, contra sarampo e poliomielite.

Apesar de em alguns casos apresentarem efeitos adversos como febre, vermelhidão e dor local, o Ministério da Saúde garante que a vacina é segura e é também o único método de prevenção contra doenças como sarampo e poliomielite.

Desde o início do ano, o Ministério da Saúde encaminhou aos estados que registraram casos confirmados de sarampo um total de 14,8 milhões de doses da vacina tríplice viral para atender a demanda dos serviços de rotina, a realização de ações de bloqueio e a intensificação para prevenção da doença. É importante frisar que todos os estados brasileiros recebem doses para vacinação de rotina contra o sarampo, que é ofertada nos postos de saúde de todo o país pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

PODCAST SOBRE OS BASTIDORES DA REPORTAGEM

Ao final do semestre, as estudantes e repórteres Ellen Renner, Júlia Ramona e Verôniza Luize conversaram com a monitora da disciplina, Fernanda Salla, sobre os bastidores da reportagem. Confira abaixo: