Raio-X dos gaúchos na Câmara Federal

O que os dados revelam sobre a participação dos deputados(as) gaúchos(as): gastos, frequências, projetos, auxílio moradia e o perfil de cada parlamentar

Beta Redação
Apr 20, 2018 · 19 min read

Fernanda Salla, Jéssica Beltrame, Lurdinha Matos, Mariana Artioli de Moraes e Nicole Fritzen

Seguindo a série de matérias sobre os representantes gaúchos que ocupam cargos eletivos, a Beta Redação faz um raio-x da atuação dos deputados do RS na Câmara Federal. Nas eleições de 2014, assumiram o cargo 31 deputados eleitos por voto popular. Ao longo desses quase quatro anos, sete deixaram o cargo para assumir ministérios, secretarias ou outros cargos públicos.

Nesta reportagem, apresentamos um balanço dos projetos, gastos e frequência que cada um dos 24 eleitos que continuam no cargo tiveram nesse período. A principal função de um deputado federal é legislar, cabe a ele fazer proposições e projetos de lei, discuti-las e aprová-las. Leis essas que podem, inclusive, alterar a Constituição Federal. As medidas provisórias propostas pelo presidente da República também passam pela Câmara dos Deputados, antes de ir para votação no Senado Federal. Veja, a seguir, como foi até aqui a atuação dos deputados gaúchos.

Gastos

Os gastos totais dos parlamentares referentes aos anos de 2015, 2016 e 2017 ultrapassam os R$ 34 milhões, sem contabilizar os gastos dos deputados suplentes e dos quatro meses de 2018. Por ano, cada deputado gastou em média mais de R$ 400 mil. Os gastos dos três anos completos de mandato de cada deputado você confere no gráfico abaixo.

Projetos

Há mais de uma nomenclatura para os projetos propostos pelos deputados. No gráfico abaixo listamos o que cada um propôs em cada categoria. As categorias são: PL — Projeto de Lei; EMC — Emenda na Comissão; PEC — Projeto de Emenda à Constituição; PLP — Projeto de Lei da Câmara Complementar; PDC — Projeto de Decreto Legislativo da Câmara.

Todos os projetos e emendas propostos pelos parlamentares estão disponíveis para visualização no site oficial da Câmara dos Deputados, filtrando por deputado.

Auxílio-moradia:

Todos os deputados federais têm direito a auxílio-moradia no valor de R$ 4.253,00 mensais. Porém, alguns optam pela utilização dos imóveis funcionais. A Câmara possui 432 imóveis funcionais destinados à residência dos deputados federais em exercício do mandato. Segundo o site oficial da Câmara dos Deputados, 90% das unidades estão ocupadas.

Os deputados Henrique Fontana (PT) e Paulo Pimenta (PT) são os únicos parlamentares que não utilizam imóvel funcional nem recebem auxílio-moradia.

Entrevistas: Jerônimo Goergen (PP) e Marco Maia (PT)

Todos os 24 parlamentares que cumprem mandato desde 2015, sem interrupções, foram contatados pela Beta Redação. Apenas dois deputados retornaram os contatos da reportagem para prestar esclarecimentos sobre o atual mandato. Os deputados Marco Maia (PT) e Jerônimo Goergen (PP) responderam 5 perguntas elaboradas pela redação:

1. Quais projetos de sua autoria, no período da última legislatura, você considera de maior importância?

Jerônimo Goergen: Destaco a Nova Lei do Motorista, que criou regras e estabeleceu uma carga horária adequada para os caminhoneiros, e também a Nova Lei do Aeronauta, que também deu nova regulamentação à profissão de piloto, copiloto e comissário de voo. Cito também a proposta que alterou a Lei Pelé, estabelecendo mais transparência e gestão no esporte brasileiro. Na área da educação, destaco a proposta que criou o PROIES, que trocou a dívida das universidades por bolsas de estudo do PROUNI. Um quinto projeto que me orgulho foi o que elevou a mistura de biodiesel no diesel fóssil. Há inúmeros outros projetos que seguem tramitando, alguns em fase final de discussão. E outros já aprovados por meio de emendas em medidas provisórias, que são propostas encaminhadas pelo Executivo e que podemos alterar aqui no Congresso. As MPs têm uma tramitação mais acelerada, o que facilita a aprovação de sugestões com maior rapidez.

Marco Maia: Nesta última legislatura sou proponente de mais de 50 projetos. Entre eles, Projetos de Leis, PEC, PDCs entre outros. Dentre os mais importantes, ressalvo os 15 Projetos de Lei que anulam a Reforma Trabalhista e o Projeto de lei que revoga a terceirização em todos os setores. Apresentei dois Projetos de Leis que regulamentam os aumentos dos preços dos combustíveis e da eletricidade.

2. Sobre a polêmica dos gastos com viagens e auxílio-moradia, qual a sua opinião?

Goergen: Eu acredito que o mandato parlamentar poderia ter uma dinâmica diferente. Ao invés de irmos para Brasília e voltarmos para nossa base eleitoral todas as semanas, poderíamos ficar 15 dias direto na Capital, com sessões de segunda a sexta-feira. As duas outras semanas nos dedicaríamos a fazer a política nos municípios, na nossa base eleitoral. Acho que seria mais racional. O gasto com passagens aéreas é muito elevado. Ainda temos o uso indevido de bilhetes por parlamentares que misturam a atividade legislativa com atividades partidárias em outros estados que não o de sua origem. Quanto ao auxílio-moradia, sou contra esse benefício, tanto no Judiciário quanto no Legislativo. Já temos remuneração suficiente para custearmos uma moradia digna e necessária para nossa representação parlamentar. Acho que a próxima legislatura pode e deve rever uma série de benefícios ou as chamadas regalias, penduricalhos que vão se somando à remuneração e acabam por aumentar os gastos públicos. Chegou a hora de todos os Três Poderes fazerem esse debate interno e cortar na própria carne.

Maia: Eu não recebo auxílio-moradia, ocupo um apartamento que é de propriedade da Câmara dos Deputados. É preciso entender que existe uma diferença grande entre um deputado que sai do seu estado e por algumas noites mora eventualmente em Brasília. Sou completamente contra o auxílio-moradia para juízes. Não tem por que dar auxílio aos que residem no mesmo estado onde cumprem sua atividade funcional. Os gastos com viagens são justos quando um trabalhador está dentro do cumprimento de sua atividade funcional, seja ele privado ou público.

3. De que maneira você avalia votações como a da Reforma Trabalhista, Lei sobre a Terceirização e PEC da Vaquejada?

Goergen: A legislação trabalhista precisava passar por uma remodelação para atender às atuais demandas do mercado de trabalho. Não retiramos nenhum direito dos trabalhadores, apenas fizemos mudanças pontuais e necessárias. Empreender no Brasil virou um grande risco, seja do ponto de vista tributário como do lado das relações trabalhistas. Também foi importante acabar com a obrigatoriedade do imposto sindical, dar a opção para quem quiser contribuir ou não. A terceirização seguiu no mesmo sentido, de dar proteção para as atividades que já são exercidas de modo terceirizado. Esses trabalhadores estavam simplesmente sem proteção alguma, ficavam à mercê de empresas inidôneas que usavam a força de trabalho dessas pessoas e muitas vezes fechavam as portas e não pagavam qualquer direito. Sobre a questão da PEC da Vaquejada, é importante dizer que no Rio Grande do Sul há um universo cultural e econômico muito importante, que movimenta comunidades inteiras. Aqui no estado são os rodeios, só muda a denominação. Mas há regras e cuidados especiais no tratamento dos animais. É a reprodução da lida campeira em espaços públicos. Quem é do interior, como eu, que nasceu e cresceu nesse meio, sabe bem a importância que isso representa para os seus praticantes e espectadores.

Maia: Nesta questão, fui totalmente contrário. Nós fizemos uma boa luta no Congresso Nacional para não deixar passar as reformas. Tanto (contra) a famigerada desregulamentação do mundo do trabalho, quanto (contra) a proposta do fim da aposentadoria, nós lutamos, mas infelizmente perdemos. Apresentei uma série de Projetos de Leis que anulam em 100% a Reforma Trabalhista. Durante este ano, as comissões da Câmara terão de analisar e votar essas proposições. Será difícil ver os deputados registrarem suas digitais contra os trabalhadores em um ano eleitoral. Sobre a terceirização, apresentei um PL que proíbe a terceirização fim, permitindo o que já existia antes da lei, que é a terceirização meio, e da mesma forma a Câmara terá que votar minha proposição. A PEC da Vaquejada é um tema bastante controverso. De um lado existe todo o processo de proteção aos animais ligado aos movimentos internacionais que precisamos ouvir e nos apropriar. Do outro lado, a cultura dos rodeios no Sul e Sudeste e as vaquejadas no Nordeste em especial. Este tema ainda não conseguimos fechar questão. Não se trata de um tema ideológico ou político-partidário, é um tema transversal. É preciso estudar e buscar a melhor forma de votá-lo. Buscarei junto à Câmara um meio-termo que não atinja nossos movimentos culturais, e que possamos preservar a integridade dos animais. Sei que não será fácil, mas é de extrema importância.

4. A Câmara deverá instalar uma comissão especial para debater a restrição do foro privilegiado, que é o direito de autoridades responderem em tribunais superiores ações para crimes comuns, como corrupção e homicídio. Pelo texto, ficariam com foro apenas os presidentes da República, do Senado, da Câmara e do Supremo Tribunal Federal (STF). Você concorda com o foro privilegiado? Por quê?

Goergen: Sou totalmente a favor da restrição ao foro privilegiado. Isso não tem razão de existir. Todos os brasileiros são iguais perante a Lei, é o que diz a Constituição. Mas o foro privilegiado oferece um tratamento diferenciado para cerca de 50 mil pessoas, detentoras de uma proteção especial. Isso precisa acabar o mais rápido possível.

Maia: Nós do PT nunca tivemos problema em debater foro privilegiado. Em 2005, meu companheiro de partido, o ex-deputado Anselmo de Jesus (PT-RO), apresentou a PEC 470/2005. Essa proposta acaba com o foro privilegiado. Sempre fui favorável ao fim do foro, mas precisamos de um Judiciário neutro, imparcial e não seletivo. É preciso julgar a partir da letra fria da lei, sem paixões políticas ou meras convicções. Um Judiciário que respeite a Constituição, que seja democrático e que ofereça todas as possibilidades legais de defesa para qualquer cidadão que esteja sendo julgado.

5. Tem planos de se candidatar à reeleição? Qual cenário político você projeta para as eleições outubro?

Goergen: Devo concorrer, sim, a um terceiro mandato de federal. Quanto ao cenário para as eleições de outubro, acredito que o eleitor terá uma grande oportunidade para se aproximar e participar de forma muito intensa da política. Tudo isso que estamos acompanhando em relação às investigações de centenas de políticos, agentes públicos e empresários deve servir como catalisador de uma grande mudança na mentalidade dos cidadãos. Avalie bem o seu candidato, pesquise, conheça o seu histórico de trabalho. Muito se fala em renovação completa, não eleger quem está aí. É preciso ter um cuidado bastante grande para não mudar a moldura e continuar com a mesma foto. O novo não significa, necessariamente, qualidade. Por isso a importância de se munir de todas as informações necessárias para montar o seu voto para deputado estadual, deputado federal, senador, governador e presidente da República. O eleitor terá uma responsabilidade enorme em suas mãos. E não podemos errar mais uma vez.

Maia: Sou pré-candidato à reeleição a deputado federal pelo meu estado. Sem dúvida essa eleição terá cenários diferenciados de outros pleitos. Por um lado há um descrédito volumoso do conjunto político, e por outro existe uma grande revolta por parte majoritária da população. O povo se sente traído pelos golpistas. Todos os dias aplicam um golpe no povo brasileiro com o discurso mentiroso de estabelecer um processo de harmonização e desenvolvimento do país. Mentiram para o povo, criaram desemprego em massa, aumentou a corrupção e criaram uma crise política e econômica sem precedentes no Brasil. Este é o cenário que encontraremos neste processo eleitoral. Nós precisamos dialogar com os trabalhadores e explicar a verdadeira face do golpe, e assim tirar os golpistas do poder. Essa é a nossa meta nesta eleição.

Perfis

A Beta Redação preparou um miniperfil de cada um dos 24 deputados listados nos gráficos acima.

Afonso Hamm (PP)

Natural de Bagé, Afonso Hamm é formado em Engenharia Agrônoma e, além de deputado, é agricultor, pecuarista e fruticultor. Já foi vereador em Bagé, bem como Secretário de Agricultura da cidade.

Na política, destaca-se pela atuação em sua área de formação. O parlamentar possui frequência de 95,1% nas sessões deliberativas, e suas propostas giram em torno da agricultura e da pecuária. Em 2015, foi acusado de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, mas o processo foi arquivado em 2017.

Nas últimas importantes votações, votou a favor do impeachment de Dilma, a favor da PEC de Teto de Gastos, contra reforma Trabalhista e a favor do arquivamento das denúncias do presidente Temer.

Afonso Motta (PDT)

Porto-alegrense, o deputado e advogado Afonso Motta se considera municipalista. Ou seja, acredita no poder entre deputados com prefeitos, vice-prefeitos e vereadores. Sua maior identidade é a parceria com municípios. Em 2015 foi citado nas investigações da Polícia Federal sobre o esquema de corrupção no Carf (Operação Zelotes).

O parlamentar possui frequência de 89,6% nas sessões deliberativas da Câmara. Nas últimas importantes votações, votou contra o impeachment de Dilma, contra a PEC de Teto de Gastos, contra a reforma Trabalhista e contra o arquivamento das denúncias do presidente Temer.

Alceu Moreira (MDB)

Natural de Osório, o deputado, comerciante e presidente do MDB no Rio Grande do Sul Alceu Moreira cumpre seu segundo mandato como deputado federal. Já foi vereador, vice-prefeito e prefeito de Osório por duas vezes; secretário estadual de Habitação e do Desenvolvimento Urbano; deputado estadual também por dois mandatos (e presidente da Assembleia). Foi o terceiro deputado federal mais votado do RS em 2014.

Moreira pertence à bancada dos ruralistas. Já teve alguns embates com a FUNAI e o povo indígena, defendendo a demarcação de terras dos produtores. Foi acusado, em 2011, de crimes contra a Lei de Licitações e corrupção passiva. Tem frequência de 85,2% nas sessões deliberativas na Câmara.

Nas últimas importantes votações, votou a favor do impeachment de Dilma, a favor da PEC de Teto de Gastos, a favor reforma Trabalhista e a favor do arquivamento das denúncias do presidente Temer.

Bohn Gass (PT)

Natural de Santo Cristo, o deputado foi reeleito em 2014. Pertencente ao Partido dos Trabalhadores (PT), Gass defende políticas sociais, a agricultura e os direitos da classe trabalhadora.

O deputado foi citado, em 2014, em uma investigação que apura supostos desvios no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), mas o processo foi arquivado. Gass tem uma frequência de 95,1% nas sessões da Câmara.

Nas últimas importantes votações, votou contra o impeachment de Dilma, A contra a PEC de Teto de Gastos, contra a reforma Trabalhista e contra o arquivamento das denúncias do presidente Temer.

Carlos Gomes (PRB)

Nascido no município de Saúde, na Bahia, Carlos Gomes foi eleito deputado federal pela primeira vez em 2014. Também foi deputado estadual durante dois mandatos. Gomes atua voltado à defesa da saúde, proteção do meio ambiente, inclusão social e a melhoria dos serviços públicos.

O parlamentar tem frequência de 94,8% nas sessões da Câmara. Nas últimas importantes votações, votou a favor do impeachment de Dilma, a favor da PEC de Teto de Gastos,a favor da reforma Trabalhista e contra o arquivamento das denúncias do presidente Temer.

Covatti Filho (PP)

O porto-alegrense Covatti Filho, do Partido Progressista, tem como identidade firmar parcerias com municípios. Já foi criticado após aparecer em um vídeo com um cântico racista.

Covatti tem uma frequência de 90,7% nas sessões deliberativas da Câmara. Nas últimas importantes votações, votou a favor do impeachment de Dilma, a favor da PEC de Teto de Gastos, a favor da reforma Trabalhista e a favor do arquivamento das denúncias do presidente Temer.

Danrlei De Deus (PSD)
Conhecido por ter sido goleiro no Grêmio, o deputado federal Danrlei de Deus atua no seu segundo mandato. Foi o segundo deputado mais votado do estado em 2014. No primeiro mandato, pertencia ao PTB. No segundo — e atual — está no PSD.

Danrlei tem uma frequência de 78,9% nas sessões da Câmara. Nas últimas importantes votações, votou a favor do impeachment de Dilma, a favor da PEC de Teto de Gastos, a favor da Reforma Trabalhista e contra o arquivamento das denúncias do presidente Temer.

Darcísio Perondi (MDB)

Natural de Ijuí, o médico e político Darcísio Perondi cumpre seu 6º mandato consecutivo como deputado federal. Como principal pauta, Perondi defende saúde e agricultura.

Em meio a polêmicas, Perondi foi fotografado com uma suposta planilha em que teria os valores do Ministério da Agricultura no momento em que checava quem estava presente no Plenário. Além disso, foi acusado de fazer apologia ao nazismo e ao fascismo na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ) em 2017. Perondi se desculpou pela declaração no CCJ, negando as acusações.

O parlamentar possui uma frequência de 91% nas sessões da Câmara. Nas últimas importantes votações, votou a favor do impeachment de Dilma, a favor da PEC de Teto de Gastos, a favor da Reforma Trabalhista e a favor do arquivamento das denúncias do presidente Temer.

Giovani Cherini (PR)

Tecnólogo e político, Giovani Cherini é natural de Soledade. Está cumprindo seu segundo mandato como deputado federal. Foi deputado estadual durante quatro mandatos — de 1995 a 2011.

Cherini tem frequência de 74,5% nas sessões da Câmara. Após votar contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, Cherini, que era do PDT, foi expulso do partido. Nas últimas importantes votações, votou a favor da PEC de Teto de Gastos, absteve-se na Reforma Trabalhista e não compareceu à votação sobre o arquivamento das denúncias do presidente Temer.

Heitor Schuch (PSB)

De Santa Cruz do Sul, o deputado e agricultor Heitor Schuch defende a agricultura familiar. Eleito pela primeira vez como deputado federal em 2014, Schuch já foi deputado estadual durante três mandatos.

Schuch tem uma frequência de 91% nas sessões deliberativas na Câmara. Nas últimas importantes votações, votou a favor do impeachment de Dilma, contra a PEC de Teto de Gastos, contra a Reforma Trabalhista e contra o arquivamento das denúncias do presidente Temer.

Henrique Fontana (PT)

O porto-alegrense Henrique Fontana é formado em Administração de Empresas e Medicina. Foi vereador em Porto Alegre durante dois mandatos, assumindo na segunda gestão a Secretaria da Saúde. Está no quinto mandato como deputado federal, sendo eleito com mais de 120 mil votos.

Fontana ganhou força durante os governos petistas, apoiando Lula e, posteriormente, Dilma. Tem frequência de 94,2% nas sessões da Câmara. Nas últimas importantes votações, votou contra o impeachment de Dilma, contra a PEC de Teto de Gastos, contra a Reforma Trabalhista e contra o arquivamento das denúncias do presidente Temer.

Jerônimo Goergen (PP)

Aos 42 anos, Jerônimo Goergen está em seu segundo mandato como deputado federal. Natural de Palmeira das Missões, ele é formado em Direito e foi eleito duas vezes deputado estadual, pelo Partido Progressista (PP).

Jerônimo tem 88,8% de frequência nas sessões. Nas últimas importantes votações, votou a favor do impeachment de Dilma, a favor da PEC de Teto de Gastos, a favor da Reforma Trabalhista e contra o arquivamento das denúncias do presidente Temer.

João Derly (REDE)

João Derly é natural de Porto Alegre, sendo reconhecido por sua carreira no judô. Aposentando-se como judoca profissional, Derly ingressou na carreira política filiando-se ao PCdoB, mas desde 2015 é filiado ao partido de Marina Silva, Rede de Sustentabilidade (REDE).Derly apresenta uma frequência de 92,3% nas sessões da Câmara.

Quanto às votações mais polêmicas nos últimos anos no cenário político brasileiro, João Derly foi a favor do impeachment de Dilma Rousseff e a favor do processo de abertura de investigação do presidente Michel Temer. Votou não para a PEC do Teto de Gastos e para a Reforma Trabalhista.

José Otávio Germano (PP)

José Otávio Germano é natural de Porto Alegre, atuando como advogado e professor universitário. O parlamentar de 56 anos é filiado ao Partido Progressista (PP), desde 2003, já tendo passado PDS, PPR e PPB.

Germano possui três acusações criminais: o Inquérito 3991 de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, o Inquérito 3989, de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha e o Inquérito 3980, de corrupção passiva, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Também foi acusado de pertencer ao esquema de corrupção no DETRAN, além de ter seu nome envolvido na Operação Lava Jato. Na Câmara, possui uma frequência de 63% nas sessões.

Nas últimas importantes votações, votou a favor do impeachment de Dilma, a favor da PEC de Teto de Gastos, a favor da Reforma Trabalhista e a favor do arquivamento das denúncias do presidente Temer.

José Stédile (PSB)

José Luiz Stédile é natural de Nova Prata. O deputado, de 60 anos, é o presidente do partido Partido Socialista Brasileiro (PSB) no estado. Stédile, que já trabalhou como administrador público e metalúrgico, foi filiado ao PT de 1981 a 2005, e desde então é filiado ao PSB.O parlamentar tem uma frequência de 99,7% nas sessões na Câmara.

José Stédile tem duas acusações criminais: a primeira seria o Inquérito 3825, de jurisdição e competência; a outra é uma Ação Penal 599, de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.

O deputado federal votou a favor do impeachment de Dilma Rousseff e a favor do processo da abertura de investigação do presidente Michel Temer. Foi contra a PEC do Teto dos Gastos Públicos.

Luis Carlos Heinze (PP)

Natural de Candelária, Luis Carlos Heinze é engenheiro agrônomo e produtor rural. O deputado, de 67 anos, já foi prefeito da cidade de São Borja, em 1993. O deputado é pré-candidato do Partido Progressista (PP) ao governo do RS.

No cenário político, Heinze é conhecido por algumas polêmicas, como em 2014, quando foi eleito pela organização de defesa das minorias Survival como “Racista do Ano”. Também possui acusação criminal, alvo do Inquérito 3989, de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Tem uma frequência de 94,8% nas sessões na Câmara.

Em relação às votações mais polêmicas dos últimos anos no Brasil, Heinze votou a favor do impeachment de Dilma Rousseff, da PEC de Teto dos Gastos, da Reforma Trabalhista e a favor do processo de abertura de investigação do presidente Michel Temer.

Marco Maia (PT)

Natural da cidade de Canoas, Marco Maia é metalúrgico, torneiro mecânico e industriário. O deputado, de 52 anos, já foi presidente da Trensurb, de Porto Alegre, e é filiado do Partido dos Trabalhadores (PT) desde 1985.

Marco Maia, que tem uma frequência de 86% nas sessões da Câmara, possui duas ações criminais: o Inquérito 4332, de lavagem de dinheiro e corrupção passiva, e o Inquérito 4261, de lavagem de dinheiro. Também é investigado na Operação Lava-Jato por suposta cobrança de propina de empreiteiras.

Nas últimas importantes votações, votou contra o impeachment de Dilma, contra a PEC de Teto de Gastos, contra a Reforma Trabalhista e não votou no arquivamento das denúncias do presidente Temer.

Marcon (PT)

Dionilso Mateus Marcon é natural de Ronda Alta/RS, é agricultor. O parlamentar de 53 anos é filiado ao Partido dos Trabalhadores desde 1995, foi eleito deputado estadual pela primeira vez em 1998. O deputado é engajado em pautas ligadas aos trabalhadores rurais e já foi integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MTST).

Marcon teve um inquérito por infração de trânsito encerrado pelo Supremo Tribunal Federal em 2016. O parlamentar foi enquadrado no artigo 309 do Código de Trânsito, por dirigir sem habilitação. O deputado, porém, atendeu determinação que exigia o pagamento de 24 salários mínimos ao Detran.

Nas últimas importantes votações, votou contra o impeachment de Dilma, contra a PEC de Teto de Gastos, contra a Reforma Trabalhista e contra o arquivamento das denúncias do presidente Temer.

Maria do Rosário (PT)

Maria do Rosário Nunes é natural de Veranópolis/RS, formada em pedagogia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) onde atualmente é doutoranda em Ciências Políticas. A parlamentar tem 51 anos e iniciou sua carreira política em 1993, quando se elegeu vereadora em Porto Alegre. Já foi filiada ao PC do B, mas logo após sua eleição em 1993 Maria do Rosário migrou para o PT.

A parlamentar foi citada em delação premiada de executivos da Odebrecht em inquérito autorizado pelo ministro Edson Fachin em abril de 2017. Segundo depoimentos Maria do Rosário teria recebido R$ 150.000,00 da empreiteira na corrida eleitoral de 2010. Na Câmara, possui uma frequência de 86,6% nas sessões.

Nas últimas importantes votações, votou contra o impeachment de Dilma, contra a PEC de Teto de Gastos, contra a Reforma Trabalhista e contra o arquivamento das denúncias do presidente Temer.

Onyx Lorenzoni (DEM)

Natural da capital gaúcha, Onyx Dornelles Lorenzoni é empresário e médico veterinário. O deputado, de 63 anos, já foi filiado ao PL, mas desde 2007 é filiado ao partido de centro-direita Democratas (DEM) — antigo PFL.

Nas últimas semanas, Onyx foi apontado como o maior beneficiário entre os parlamentares gaúchos pelo Refis — programa de financiamento de dívidas com a União. Também teve um projeto recusado na Câmara, pois o texto apresentado estava em desacordo com o que prevê a legislação da Casa. A proposta era alterar a Constituição para definir a condenação em segunda instância como marco para o início da execução de pena.

Nas últimas importantes votações, votou a favor do impeachment de Dilma, a favor da PEC de Teto de Gastos, a favor da Reforma Trabalhista e não votou no arquivamento das denúncias do presidente Temer.

Paulo Pimenta (PT)

Paulo Roberto Severo Pimenta é natural de Santa Maria/RS e é jornalista e técnico agrícola. Filiado ao PT desde 1985, o parlamentar de 53 anos já foi vereador, vice-prefeito e deputado estadual.

O deputado está em inquérito nº 3499 por lavagem de dinheiro e ocultação de bens. O processo está sob cargo do ministro Luiz Fux, que concedeu pedido de vista dos autos do inquérito em fevereiro de 2018.

Nas últimas importantes votações, votou contra o impeachment de Dilma, contra a PEC de Teto de Gastos, contra a Reforma Trabalhista e contra o arquivamento das denúncias do presidente Temer.

Pompeo de Mattos (PDT)

Natural de Santo Augusto, Pompeo de Mattos foi vereador e prefeito da cidade. Formado em Direito, foi deputado estadual durante dois mandatos. É seu quarto mandato como deputado federal, mas não consecutivo: foi eleito em 1998 até 2006 e voltou a ser eleito em 2014. Já foi presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara entre 2008 e 2009.

Mattos se destaca na Câmara pelo número de propostas apresentadas. Só Projetos de Leis (PL) são 125 desde 2015. O segundo, para efeito de comparação, é Alceu Moreira (MDB), com 50 PLs.

Ele se absteve no impeachment de Dilma Rousseff. Foi contrário à PEC do Teto de Gastos, assim como à Reforma Trabalhista e ao arquivamento das denúncias contra Michel Temer.

Renato Molling (PP)

Renato Molling é natural de Dois Irmãos. Prefeito de Sapiranga entre 1997 e 2005, está no terceiro mandato como deputado federal. Molling já foi citado na Lava Jato ao lado de Jerônimo Goergen, Luis Carlos Heinze e Afonso Hamm, em investigação na qual todos foram inocentados.

Nas votações polêmicas, o deputado foi favorável ao impeachment de Dilma, à Reforma Trabalhista e ao arquivamento das denúncias contra Michel Temer. Se absteve na votação da PEC do Teto de Gastos.

Sérgio Moraes (PTB)

Natural de Santa Cruz do Sul, Sérgio Moraes foi vereador e prefeito da cidade por diversas vezes. Já foi deputado estadual por dois mandatos e desde 2007 ocupa a Câmara como deputado federal.

Suas políticas são voltadas à região de Santa Cruz por meio de projetos ligados ao cultivo de tabaco, que é forte na região. No levantamento da Beta Redação, Moraes é o deputado que menos sugere projetos. Só teve duas propostas importantes desde 2015: um Projeto de Lei (PJ) e um Projeto de Decreto Legislativo da Câmara (PDC).O deputado ficou conhecido quando disse, em entrevista, que “se lixava para a opinião pública”.

Moraes votou a favor do impeachment da presidenta Dilma e favor ao arquivamento das denúncias contra Temer. Não votou na PEC do Teto de Gastos.

Candidatos eleitos que não assumiram e suplentes em exercício:

Para nível de comparação, listamos apenas os deputados eleitos em 2014, que exercem o cargo na Câmara sem interrupções. Ou seja, há três anos e quatro meses. Nesse período, saiu Giovani Feltes, Luis Carlos Busato, Osmar Terra, Nelson Marchezan Junior, Márcio Biolchi, Ronaldo Nogueira e Pepe Vargas. Assumiram cargos os suplentes Fernando Maroni, José Fogaça, Mauro Pereira, Jones Martins, Yeda Crusius, Assis Melo e Cajar Nardes.

Segundo dados da Câmara Federal, o Rio Grande do Sul é o quinto estado com maior número de deputados, ficando atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia.

A Beta Redação produziu anteriormente uma matéria com os dados dos representantes gaúchos no Senado Federal. Você pode conferir o que os números dizem sobre Ana Amélia, Paim e Lasier (e o que os senadores dizem sobre eles)

Beta Redação

A Beta Redação integra diferentes atividades acadêmicas do…

Beta Redação

A Beta Redação integra diferentes atividades acadêmicas do curso de Jornalismo da Unisinos em laboratórios práticos, divididos em cinco editorias. Sob a orientação de professores, os estudantes produzem e publicam aqui conteúdos jornalísticos de diversos gêneros.

Beta Redação

Written by

A Beta Redação integra diferentes atividades acadêmicas do curso de Jornalismo da Unisinos em laboratórios práticos, divididos em cinco editorias.

Beta Redação

A Beta Redação integra diferentes atividades acadêmicas do curso de Jornalismo da Unisinos em laboratórios práticos, divididos em cinco editorias. Sob a orientação de professores, os estudantes produzem e publicam aqui conteúdos jornalísticos de diversos gêneros.