Rostos culturais expostos em Porto Alegre

Exposição traz 173 máscaras que contam mais sobre a cultura do Brasil e do mundo

Eric Machado
Aug 31, 2018 · 3 min read

Já parou para pensar como uma fantasia muda a sua relação com o mundo ao seu redor? Uma simples máscara pode, inclusive, alterar o nosso estado de espírito. O uso desse apetrecho traz uma sensação de segurança e mantêm sua identidade protegida.

Dessa forma, o uso de máscaras nas mais diversas sociedades sempre foi algo frequente e disseminado por milhares de anos. Para mostrar a importância deste objeto, o Santander Cultural traz para Porto Alegre a exposição ETNOS — Faces da Diversidade.

Medico Della Peste — Carnaval de Veneza (Foto: Joana França/Santander Cultural)

“Os mitos são sonhos públicos; os sonhos são mitos privados”, escreveu Joseph Campbell, mitólogo e escritor dos livros O poder do mito e O herói de mil faces. Ele foi uma das inspirações dessa mostra, pois afirma que o papel que as máscaras desempenham em uma cultura é inegável.

“A ideia de ETNOS é reconhecer, por meio das máscaras, a diversidade cultural em que hoje convivemos no planeta e, ao mesmo tempo, identificar, dentro de tanta diferença, algo em comum em nossa essência humana — um mote tão desafiador quanto sutil”, afirma o curador, Marcelo Dantas.

A exposição traz 173 máscaras, que incluem desde peças ritualísticas africanas, figurinos do teatro Nô japonês, de carnaval veneziano e colombiano, do cosplay e do cinema. A mostra também conta com itens que trazem sentimentos pesados, como a Balaclava, usada por terroristas, e o capuz pontiagudo da Ku Klux Klan estão presentes.

Em cada máscara exposta existe uma placa que traz diversas informações sobre a peça, incluindo palavras-chaves que demonstram o que cada uma representa. É interessante perceber que cada item possui um significado extramente forte. Poder, transgressão e sobrenatural são as palavras que mais se repetem.

Visitando a exposição

Alfred Cort Haddon, 1898 (Reprodução YouTube)

Logo na entrada da exposição, um vídeo mostra a primeira filmagem etnográfica feita por Alfred Cort Haddon, em 1898. Nela, um aborígine realiza uma performance portando uma máscara em um ritual.

Segundo uma das mediadoras da exposição, Caroline Lutckmeier, os visitantes passam, em média, duas horas na mostra e ficam impressionados com a diversidade de culturas expostas ali. Caroline também explica que não existe uma forma linear de ver as peças. “Os visitantes têm toda a autonomia de descobrir e explorar da forma que achem mais interessante”, afirma ela.

Sheila Lima, 46 anos, e Giovanna Friana, 22, afirmaram estar surpresas com todas as culturas representadas. “Eu achava que conhecia muita coisa sobre as culturas, mas descobri muitas outras”, afirmou Giovanna. Sheila achou provocativas as imagens do “Diabo” e suas diferentes interpretações em cada um dos itens.

Yangaleya — Ritos do povo Djimini (Foto: Joana França/Santander Cultural)

A religiosidade é outro aspecto presente. Foi o que chamou a atenção de João Batista, 52. “Eu ando estudando muito sobre espiritualidade e conhecer essas diferentes religiões é realmente incrível, super recomendarei para as pessoas que eu conheço”, afirmou Batista.

Uma das características mais interessantes é que atrás de cada máscara existe uma estrutura de acrílico preto que permite que o visitante veja o seu reflexo. Exceto pela face, que fica coberta pela peça dando a impressão de que a está vestindo.

A mostra está aberta para visitação até o dia 7 de outubro, de terças-feiras a sábados, das 10h às 19h, e domingos, das 13h às 19h, exceto feriados. A entrada é gratuita.

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Beta Redação

A Beta Redação integra diferentes atividades acadêmicas do curso de Jornalismo da Unisinos em laboratórios práticos, divididos em cinco editorias. Sob a orientação de professores, os estudantes produzem e publicam aqui conteúdos jornalísticos de diversos gêneros.

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