Crossfit, funcional, pilates, calistenia e crossfut: quais os reais benefícios?
Saiba se (e como) algumas novas modalidades de exercício podem ser boas para o seu corpo
Com Mateus Friedrich
De uns anos para cá, podemos perceber a chegada de novas modalidades esportivas. Mas a pergunta é: Você conhece realmente cada atividade física e quais benefícios ela proporciona? De acordo com levantamento feito pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), em 2017, somente três em cada 10 brasileiros na idade adulta praticam exercícios físicos com regularidade.

Uma novidade que está sendo procurada nas academias e realizada em espaços públicos é o crossfut, treinamento esportivo capaz de queimar gordura e melhorar o desempenho e a resistência. Além disso, o crossfut proporciona integração com a natureza e ambientes abertos, já que pode ser desenvolvido em parques e praças, tornando o fazer atividade física mais interessante e relaxante.
De acordo com o educador físico Guilherme Flores, o crossfut nada mais é que um treinamento funcional voltado para o futebol. “É praticado há anos aqui no Brasil, mas como a palavra ‘crossfit’ está em alta, a galera denominou essa prática de crossfut. Também pode ser voltado ao skate, ao voleibol e a diversos outros esportes”, explica.
A perda de medidas e a melhora na saúde são obtidas em larga escala, pois, nas aulas, toda a capacidade motora é estimulada. Os exercícios realizados de deslocamentos curtos permitem melhores resultados e uma saúde global em diversos sentidos. Ou seja, coração, pressão arterial e glicose sanguínea acabam sendo beneficiados.
O crossfit, citado acima, tem sido muito procurado pelas pessoas nas academias. Segundo Guilherme Flores, professor, a modalidade se resume a movimentos funcionais constantemente variados e realizados em alta intensidade. “Todas as aulas são diferentes. A ideia é que não se repita o mesmo treino para que o corpo sempre se adapte a estímulos novos”, frisa.
O educador acrescenta ainda que a modalidade é baseada em três pilares: movimentos ginásticos, levantamento de peso olímpico e condicionamento metabólico. O crossfit proporciona ao corpo um ganho de força e perda de peso de maneira dinâmica para aqueles que não se encaixam com os treinos de musculação.
Estudos realizados em 2017 apontam que o crossfit é menos lesivo que a grande maioria dos esportes, como futebol, vôlei e tênis, por exemplo.

O fisioterapeuta osteopata Rafael Passos, formado pelo Colégio Brasileiro de Osteopatia, alerta para a má preparação dos exercícios. “Como qualquer esporte de alta intensidade, o crossfit pode oferecer risco de lesões. Além disso, gera muitos radicais livres, que seriam as moléculas oxidantes, que envelhecem o corpo mais rapidamente. Por isso é importante fazer uma descrição do mesmo, na questão de intensidade, peso, tempo, volume e carga”, explica o especialista.
Questionado sobre se algum exercício pode causar danos à saúde, Rafael é enfático ao dizer que não, mas o que pode dar errado é a falta da preparação. “Existem algumas pesquisas que chegaram à conclusão que não existe uma atividade que só faça mal. Desde que a pessoa queira fazer e faça o preparo correto, não será maléfico. A contraindicação existe de exercícios, mas não de atividade física”, reforça.
Além do crossfit, outro esporte bastante visado é o treinamento funcional, que como o nome já diz, exercita a funcionalidade do corpo. Essa modalidade tem como foco tornar as atividades cotidianas mais fáceis, diminuindo o risco de lesões. Enquanto em uma sala de musculação são utilizados aparelhos que auxiliam no treinamento de força e esteira para treino cardiovascular, no funcional o nosso corpo é a “máquina”.


A educadora física Patrícia Atkinson, que também atua como personal trainer, destaca os aspectos trabalhados no treino funcional. “Infelizmente, essa modalidade foi popularizada como uma ‘aula de ginástica’, mas na verdade não é. Considero o treinamento mais abrangente, pois treinamos resistência, força, potência muscular e correções posturais”, enfatiza.
Patrícia, que também pratica o treinamento funcional, frisa que a rotina de atividades depende do objetivo de cada aluno, mas que o ideal é realizar de três a quatro treinos por semana, entre 45 minutos até uma hora e 20 minutos.
Pouco conhecida no Brasil, a calistenia é outra modalidade que vem sendo bastante praticada nos últimos anos, mas já existe há bastante tempo. Na Grécia Antiga, por exemplo, exercícios calistênicos já eram realizados, como barras, flexões e agachamentos. O professor de calistenia David Jesus explica o funcionamento do esporte. “É uma modalidade que tem sua base ao utilizar o próprio peso corporal para realização de exercícios, não necessitando de pesos”, resume.

De acordo com David, acessórios e aparelhos, como argolas, barra fixa, barras paralelas, bancos e o próprio peso, são utilizados para a prática da modalidade. Ele destaca a importância de um profissional para o acompanhamento da calistenia. “Toda prática esportiva deve ser orientada por um profissional de educação física, evitando qualquer risco de lesão. Os benefícios vão desde o ganho de massa muscular, à diminuição do peso corporal e ao desempenho atlético”, complementa.
O foco principal da calistenia é treinar com o peso corporal. Para saber mais sobre a modalidade, confira o canal de David no YouTube, chamado Calistenia do Jesus.
Especialistas alertam sobre os cuidados com a saúde
A atividade física está entre os hábitos mais recomendados para se obter uma vida longa e saudável. A falta da prática de exercícios é um perigo cada vez mais presente na sociedade, podendo gerar riscos à saúde, com maiores índices de obesidade e doenças em geral.
A realização de exercícios físicos de forma contínua pode proporcionar alguns benefícios, como o controle de peso e a diminuição do surgimento de doenças crônicas (como diabetes, hipertensão, depressão e doenças cardiovasculares). A atividade física, se realizada de forma correta, ainda pode proporcionar o fortalecimento muscular e, a partir da liberação de serotonina, hormônio responsável pelo aumento da sensação de bem-estar, equilibrar a saúde física e mental.
Um artigo publicado pela professora Drª Adriana Leônidas de Oliveira, graduada em Psicologia pela Universidade de Taubaté-SP, explica que as atividades refletem no bem-estar de cada um, interferindo diretamente na nossa qualidade de vida.

Formada em Fisioterapia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Greici Beitune, 39 anos, explica os benefícios do pilates, modalidade que, segundo ela, tem sido muito procurada. “A prática melhora o equilíbrio, fortalece os músculos, ativa a concentração e melhora a coordenação motora. O exercício é fundamental para quem quer alinhar a postura, controlando os diferentes músculos trabalhados. O pilates pode evitar diversas contrações musculares”, explica.
Greici é proprietária de um estúdio de pilates em Canoas, onde atende há mais de 10 anos. Além da fisioterapia, é especialista em reabilitação pós-cirúrgica através de pilates. Segundo ela, o exercício proporciona a estabilização do corpo, além de melhorar o sistema respiratório. “Nas aulas, a primeira coisa que passamos aos pacientes é sobre sincronizar a respiração com as atividades”, destaca.



Greici afirma que a falta de conhecimento sobre o pilates faz com que a grande maioria das pessoas pense que o exercício é uma prática para os mais velhos. “Na verdade, o pilates pode ser praticado por todas as idades. Como se obtém um controle da musculatura, até uma criança pode fazer. Aliás, recomendamos que se faça desde cedo, para evitar desequilíbrios musculares e a má postura”, finaliza a especialista.
Aluna de Greici, a estudante Daniela de Almeida, 24, pratica o pilates há cinco anos. Ela elogia o método e afirma que visualizou uma melhora em pouco tempo. “O pilates me ajudou muito a controlar a respiração, o que diminuiu a minha ansiedade. É uma atividade que ajuda o corpo e a mente”, enaltece.
Visando a longevidade, o cardiologista Paulo Augusto Casani destaca que os exercícios mais indicados, do ponto de vista cardiovascular, são os aeróbicos. “São atividades que podemos fazer ao longo de toda a vida, como caminhadas de todos os tipos. Pode ser mais acelerada, como uma marcha atlética, ou mais lenta. O benefício só tem eficácia enquanto a atividade for realizada. Se você faz um exercício por 10 anos, mas para por cinco anos, não há benefício nenhum”, alerta.

Além disso, Casani salienta que algumas modalidades muito intensas podem gerar prejuízos físicos, o que acaba afastando as pessoas do esporte: “O futebol, por exemplo, é uma atividade muito comum entre nós, mas que gera inúmeros problemas físicos, como lesões de ligamentos, articulações, por exemplo. Depois que os jogadores se aposentam, deixam de fazer atividades por causa do desgaste gerado pelas contusões. É assim também no basquete, no voleibol e nas lutas”, ressalta.
Em relação às atividades aeróbicas, Casani garante que o ideal é praticar os exercícios de três a cinco horas semanais. O cardiologista afirma ainda que, quanto mais cedo começar a praticar as atividades, maior o ganho em longevidade e saúde física. “As pessoas que fazem exercícios desde cedo, por volta dos 20 anos, ou até antes, têm 10 anos a mais de vida, com qualidade e dinamismo. Mas é importante que isso se mantenha a longo prazo”, reforça.
Os exercícios anaeróbicos, isométricos (musculação) também têm o benefício de aumentar a expectativa de vida, mas não tanto quanto os aeróbicos. Casani recomenda complementar um ao outro. “A hidroginástica e a natação possuem esses benefícios em conjunto. São ótimos exercícios, pois são aeróbicos e anaeróbicos”, assegura.
Para quem deseja começar a praticar atividades físicas, o cardiologista alerta sobre a importância de uma revisão geral. Além disso, Casani considera fundamental que as pessoas que já realizam exercícios físicos também façam revisões periódicas.
