
Sem dinheiro, 15 de Novembro de Campo Bom aposta em categorias de base
Após o encerramento do time profissional, em 2008, clube centraliza energias na formação de futuros jogadores
Ir de mão dadas com o pai para o Estádio Sady Arnildo Schmidt, levar os filhos para assistir a um jogo no domingo, fazer um chimarrão e ir com as amigas ver os filhos jogarem no clube. Muitos pequenos jogadores que hoje treinam no Esporte Clube 15 de Novembro nunca viram o time profissional jogar, mas frequentam seu campo que reúne tantas memórias.
A época de ouro do futebol profissional do 15 foi encerrada em 2008, mas ainda traz boas lembranças para quem a viveu. Ao entrar no Estádio Sady Arnildo Schmidt, hoje se vê uma nova fase do clube. O campo é, grande parte do tempo, lotado de meninos sendo treinados, fardados com uniformes amarelo e verde.
Há dois anos, Evandro Felix da Silva, diretor de futebol do clube, entrou na gestão e decidiu focar na categoria de base. A história de como essa reestruturação começou surgiu com o filho do diretor que, hoje, aos nove anos, joga no 15. “Foi isso que me aproximou do clube, a vontade de reestruturar a categoria de base com seriedade”, afirma Silva.

A escolinha de futebol do 15 treina crianças de cinco a 17 anos, e as mudanças que ocorreram nos últimos anos trouxeram novamente vida ao campo. Trata-se também de uma oportunidade para o time se estabelecer mais uma vez como símbolo de Campo Bom. “O clube é uma paixão para nós, moradores da cidade”, afirma Dalor Hack, campobonense e gerente administrativo do clube.
Além disso, o engajamento dos pais dos jogadores e da comunidade é essencial para o arrecadamento de fundos a fim de manter as necessidades financeiras. É o que Roni Verruch, um dos administradores da escolinha, conta. Segundo ele, bailes, cartões para meio frango e cachorro-quente são organizados por pais e comissão para arrecadar o dinheiro.

“O apoio dos pais foi uma coisa que mudou aqui dentro. Antes, eles não eram tão engajados”, afirma Evandro. O diretor também dá o mérito à comissão técnica e à seriedade com que lidam com os times de base. “Antes, eles perdiam de 10 a 0 em alguns jogos. Hoje, dificilmente perdem um jogo. Isso motiva os pais a participarem”, conclui.
Porta para o mercado
O foco nas categorias de base oportuniza aos jovens o ingresso no mundo do futebol. “Olheiros frequentam os jogos. Já aconteceu de o Grêmio recrutar meninos que jogavam aqui porque eram bons”, conta Roni, mais conhecido como Venâncio. Foi ele um dos descobridores de Marcelo Grohe, que também jogou em outra escolinha que Venâncio administrava.
Outro ponto é a preparação desses pequenos jogadores para o futuro. “Estamos mantendo viva a chance de um possível time profissional no futuro. Pode ser que a economia mude, e estaremos preparados com bons jogadores”, afirma Hack. Quando perguntados sobre uma possível volta do time profissional, a resposta é clara: quando tiver dinheiro.

