Senegal é o campeão da Copa dos Refugiados 2018

Beira-rio foi palco de evento que busca integração social

A seleção de Senegal tornou-se bicampeã da segunda edição da Copa dos Refugiados no último domingo (03). Na etapa Porto Alegre do torneio, os africanos, após empatarem sem gols no tempo normal com a Líbia, venceram pelo placar de 3 a 1 numa emocionante disputa de pênaltis no Estádio Beira-Rio.

A competição contou com 120 atletas de oito nacionalidades, entre elas Angola, Colômbia, Guiné Bissau, Haiti, Peru e Venezuela. Idealizada desde 2014 no Brasil pela ONG África do Coração, em conjunto com a PONTO, Agência de Inovação Social, a Copa também teve apoio institucional da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

Oito países participaram da segunda edição da Copa dos Refugiados (Foto: Divulgação/ Gabriel Rigoni)

As eliminatórias ocorreram na manhã de sábado (02), no Estádio Passo d’Areia. Já as semifinais, disputadas no gramado colorado na tarde de domingo, aconteceram entre Senegal x Angola e Peru x Líbano. Anotando apenas um gol contra os angolanos, os senegaleses partiram para a final contra os libaneses, que venceram os peruanos por 5 a 0.

Equipe do Senegal no vestiário colorado. (Foto: Arquivo pessoal/ Elhadji Mar Wade.)

A Copa, que já está na segunda edição na Capital (primeira realizada em 2017 na Arena), contou este ano com o patrocínio da Sunrice, marca de arroz, que destina 25% do faturamento obtido da venda dos seus produtos para benefício de projetos a refugiados fora e dentro do Brasil.

Para o diretor da Sunrice, Jean Regina, a importância e apoio ao evento da Copa dos Refugiados acontece porque acredita que se deve ter um olhar e uma resposta ao problema humanitário dos deslocamentos forçados. “Há muito desconhecimento e preconceito quanto ao assunto, que é uma das pautas fixas do nosso século. Nossa missão é criar soluções para resposta prática a esta crise. Seja pela reversão de parte da arrecadação das vendas do produto para projetos, ou seja, pelo apoio a projetos que reverberem o assunto nos variados meios, como foi a Copa. ”

A venda de ingressos para assistir os jogos no Passo d’Areia e Beira-Rio custava o valor único de R$ 10 e a renda será destinada para o projeto Tunipiquês — projeto que promoverá cursos de linguagem e cultura brasileira para os refugiados. Além disso, o evento também contou com uma ação de empregabilidade, com cadastramento de currículos dos refugiados, que serão encaminhados para empresas de indústria, comércio e serviços do RS.

INCLUSÃO E OPORTUNIDADES

Para os amigos Senegaleses da cidade de Dakar, Elhadji Mar Wade, de 28 anos, e Khalifa Kebe, de 31, o Rio Grande do Sul foi a oportunidade de “conseguir algo melhor”, diz. Em fevereiro de 2014, Elhadji resolveu buscar um emprego e vida nova em Caxias do Sul. Atualmente operador de máquina em uma empresa na Serra Gaúcha, Elhadji convidou Khalifa e mais outros amigos para morar no Sul do Brasil também.

Khalifa, que chegou antes da Copa do Mundo em 2014, conta que ficou pouco tempo em Caxias. “Fiquei um mês e pouco porque não estava conseguindo emprego”, comenta. Foi então que decidiu mudar-se para Porto Alegre e logo em seguida começou a trabalhar em uma empresa de alimentos como entregador de rua. “Eu viajava para outras cidades, como Gramado, Canela, Bento Gonçalves”, declara. Agora Khalifa se orgulha de estar trabalhando como frentista de um posto na zona sul de Porto Alegre.

O senegalês que deixou a família em Dakar, fala que ainda não os visitou, no entanto pretende visitá-los em breve. “Até final do ano quero ir ver eles, estou com muita saudade”, revela.

Para ambos, não houve dificuldades para se adaptar no Sul. Porém Elhadji ressalta que “a língua que não era fácil.” Ambos não participaram da competição na primeira edição. Khalifa porque estava trabalhando e, Elhadji, porque estava machucado. Nesse ano, somente Elhadji participou do evento, jogando como zagueiro e sagrou-se campeão com seus amigos.

Senegalês Elhadji foi zagueiro na copa dos Refugiados (Foto: Arquivo Pessoal/ Elhadji Mar Wade)

Khalifa preferiu torcer para o seu país da arquibancada. Os dois, que dizem torcer para o Internacional, relatam a alegria de ter participado do evento que aconteceu no estádio do time do coração. “Estou muito feliz ser campeão e no campo do meu time. Sou colorado”, finaliza Elhadji.

Na arquibancada, Khalifa torceu para Senegal e amigos. (Foto: Arquivo Pessoal/ Khalifa Kebe)

O zagueiro do Senegal revela que o evento foi uma oportunidade de reencontrar seu amigo Khalifa. “Nos vimos bastante, mas fazia quatro meses que não nos encontrávamos”, declara. Para eles, o evento também traz a oportunidade de fazer amigos com outros refugiados. “Fiz amizade com um jogador da Angola. ”, ressalta Elhadji.

Mais sobre a Copa dos Refugiados:

Além das competições regionais, a Copa dos Refugiados contará com uma edição final. Os campeões irão disputar em setembro no Estádio Pacaembu em São Paulo, a Copa Brasil dos Refugiados.

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