Teatro em movimento

Através de grupos teatrais, Canoas é palco para fortalecimento da cultura local

Tamires Trescastro
Sep 1, 2018 · 4 min read
Integrantes do Grupo TIA em espetáculo. (Foto: Reprodução/ Facebook do Grupo TIA)

Teatro popular ou teatro de rua. A afeição por lugares não convencionais para apresentações deu início ao que hoje é o Grupo TIA. Compreendendo que o acesso à cultura não abrange toda a população, seja por falta de locomoção, incentivo ou visibilidade, o ator Marcelo Militão, de 39 anos, desenvolveu em 2004 o projeto voltado para intervenção social.

Seja no palco ou na praça, no Rio Grande do Sul ou no Amazonas, o teatro realizado pelo TIA acompanha o público pensando no que é viável para ele. Qualquer localidade acomoda os espetáculos e a troca de conhecimentos acontece assim: num piscar de olhos. “Já fomos para a Amazônia e atravessamos o rio para fazer uma apresentação em uma comunidade ribeirinha, porque a gente estava em um festival do outro lado e quis seguir para lá”, enfatiza Marcelo, referindo-se à ideia de levar o teatro para o máximo de locais que conseguir.

O grupo realiza suas atrações nas mais diversas localidades. (Foto: Valmor Meneguzzo/Reprodução Facebook Grupo TIA)

O nome surgiu como uma piada. “Numa reunião, estávamos pensando em nomes mais grandiosos, moralizantes”, relata Marcelo. No entanto, no meio do encontro, dois integrantes explicaram que se ausentariam no dia seguinte por dor nas costas e compromissos com o filho. Nisso, alguém exclamou: “grupo das tias”, e o nome acabou ficando. Hoje, Marcelo diz que TIA também pode ser interpretado como uma sigla para “Teatro, Ideia e Ação”.

Com uma lista de mais de 10 prêmios conquistados e mais de 100 municípios rodados, as apresentações já foram acompanhadas por mais de 500 mil pessoas. O grupo, que contém cerca de 15 integrantes, se reveza de acordo com as apresentações. Uns chegaram antes, outros, mais tarde. Mas o intuito de compartilhar arte é o mesmo há 14 anos, sem perder a qualidade e a abertura com relação aos locais das peças.

Tal meta se fez tão presente na vida dos integrantes que resultou no Festia — Festival Internacional de Teatro, que acontece em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre. Criado como uma forma de comemorar o aniversário do TIA, o festival é visto por Marcelo como uma possibilidade de fortalecer a cultura local e potencializar espaços menos favorecidos. As atrações circulam por 12 localidades do município.

“O Festia surgiu na necessidade de diálogo com as comunidades e com a cidade, de possibilitar intercâmbio e fortalecer a cultura local”, diz Marcelo Militão, do Grupo TIA.

TIA se preparando para apresentação. (Foto: Reprodução Facebook Grupo TIA)

O Festival, que inicia sua 8º edição hoje, 31 de agosto, apresenta atrações internacionais de países como Espanha e Uruguai e também dá espaço e visibilidade a grupos locais — seja para espetáculos que o público já conhece ou para lançar novas peças, além de oferecer atividades formativas.

Oportunizando outros artistas

Joana Caspar, 20 anos, começou a fazer teatro em 2013 com o intuito de perder a timidez, mas acabou adquirindo vontade de se profissionalizar na área. No ano passado, junto com o grupo ao qual pertence, o Skatá, ela participou do Festia, por estarem iniciando nesse meio. Ela considera o festival muito importante para quem está ligado à cultura, pois é uma área com poucas oportunidades em Canoas. Este ano, o grupo retorna ao evento estreando a peça Mais respeito, eu sou criança no dia 3 de setembro.

“Participar do Festia é um grande prazer. Estamos imensamente felizes com a oportunidade de representar Canoas em um festival internacional”, afirma Joana Caspar, atriz do grupo Skatá.

Skatá, palavra de origem grega, significa “merda”, considerada uma palavra de sorte para artistas. Gabriel Gonçalves, 18 anos, junto com Joana e alguns colegas que já não fazem mais parte do grupo, desenvolveu o coletivo dentro de uma escola de artes em Canoas. “O grupo, em si, tem uma trajetória de quatro anos, porém, de um tempo pra cá, vem se fortalecendo muito profissionalmente”, enfatiza Gabriel.

Grupo Skatá com personagens de espetáculo. (Foto: Larroque Photo)

Independente do tipo de palco das apresentações e da cidade de origem, tanto o TIA quanto o Skatá se reúnem na intenção de compartilhar arte e vivenciar essa troca de conhecimento com o público.

O Festia segue até 9 de setembro, apresentando 27 atrações, 10 atividades formativas e duas estreias de grupos locais. A programação completa pode ser conferida no do evento.

Beta Redação

A Beta Redação integra diferentes atividades acadêmicas do curso de Jornalismo da Unisinos em laboratórios práticos, divididos em cinco editorias. Sob a orientação de professores, os estudantes produzem e publicam aqui conteúdos jornalísticos de diversos gêneros.

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