
UBM Campo Bom lida com as diferenças ideológicas
A União Brasileira de Mulheres luta contra o machismo e se declara apartidária
Os dias estavam cada vez mais difíceis. Bruna Blos de Godoy era casada há mais de um ano, e o marido havia mudado completamente. O problema começou com brincadeiras, pequenas piadas que mascaravam um relacionamento abusivo. Depois de um tempo, as brincadeiras se tornaram uma humilhação para a jovem de 25 anos, na época com 21. As discussões eram diárias e no meio delas estava a filha do casal, de apenas 5 meses.
Bruna é moradora de Campo Bom, e em fevereiro de 2017 tomou a frente para reerguer a União Brasileira de Mulheres na cidade. A UBM CB é uma entidade sem fins lucrativos, que luta pelos direitos e pela emancipação das mulheres. Entre as questões trazidas pelo grupo também estão a diferença salarial entre homens e mulheres, a violência doméstica e principalmente o machismo.

Foi esse o principal motivo que fez Bruna querer voltar a estabelecer a União na cidade, que havia parado em 2010. Ela queria lutar contra o machismo e a violência que ela mesma havia sofrido. “Todas precisam do conhecimento principalmente sobre a violência, que é também a psicológica”, conta a diretora do movimento. Quando Bruna diz “todas”, ela também se refere às ideologias que participam da União. A UBM CB é apartidária.
Contudo, foi como um braço do PCdoB que o grupo surgiu, aberto para pessoas de todos os partidos que simpatizassem com as causas que o movimento apoia. Apesar de ser apartidário e disponível para todas as ideologias, apenas mulheres com ideologias de esquerda estão no movimento campo-bonense.
“A UBM é plural, colorida e não discrimina quem é ou não partidário”, afirma Crislaine Pereira, que é dirigente da UBM CB. Ela complementa dizendo que ser ou não da mesma sigla não afeta em nada na luta.
Quem também confirma isso é a fotógrafa e coordenadora de divulgação da UBM CB, Angélica Luísa Spengler. “Acredito que as diferenças de ideologias só agregam ao nosso crescimento, apesar de que a maioria das integrantes são e se identificam com a mesma ideologia”, afirma a jovem de 22 anos, que diz ser apartidária.
Sim ao debate. Não ao extremismo
Por serem apartidárias, as ideologias podem concordar com temas tanto da direita quanto da esquerda. Em congressos e eventos, algumas discussões abrem precedentes para conflitos entre as diferentes opiniões, de acordo com Carla Graziele da Costa, servidora pública, filiada ao PCdoB e membro da União. A legalização do aborto é um exemplo. “Aí sim o bicho pega, porque quem é de ideologia mais esquerda é a favor e quem é mais direita é contra”, conclui.

Mesmo com as diferenças e possíveis conflitos, as integrantes do movimento analisam o atual momento de opiniões extremistas em relação à política. Um exemplo é a também apartidária Carolini Constantino, que é militante dos direitos das pessoas com deficiência em Campo bom e membro da UBM CB. Ela afirma que é necessário ser flexível e entender que nem todo mundo tem conhecimento sobre o que diz. “O extremismo é uma das piores barreiras que enfrentamos na nossa sociedade”, afirma.
UBM leva sua ideologia para a comunidade
O movimento vem de um feminismo classista, é o que afirma Crislaine Pereira. Em suas palavras, isso significa que a emancipação da mulher só irá acontecer com igualdade de classe. Além de classista, a UBM defende o feminismo emancipacionista, em que a mulher deixa de depender do marido para se sustentar ou se livra de qualquer forma de ser dependente. Para passar isso adiante, a UBM vai até as pessoas.

Eventos visando à emancipação da mulher são realizados em Campo Bom para proporcionar um espaço para conversa, oficinas e também empoderamento. Um dos encontros ocorreu no Largo Irmãos Vetter, com brechó, sorteio de uma camiseta, serviços de manicure, sobrancelha e maquiagem, além de roda de conversa com dinâmica, música, poesia, desfile e exposição de trabalhos de pessoas de fora do município.
Outro evento foi a Festa da Vida, que é promovida pela prefeitura de Campo Bom. As participantes da UBM estavam presentes para passar informações às pessoas, apresentar a União e recepcionar as autoridades que se fizeram presentes.

