Casa-Lar Abrigo Meu Refúgio em Sapucaia do Sul sobrevive através de doações da comunidade. (Foto: Artur Colombo/Beta Redação)

Abrigo trabalha valorização da dignidade e autoestima

Casa Lar Abrigo Meu Refúgio, de Sapucaia do Sul, acolhe crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social

Localizada em Sapucaia do Sul, na Avenida Theodomiro Porto da Fonseca, a Casa Lar Abrigo Meu Refúgio atende crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, sob medida de proteção judicial, por meio do sistema de acolhimento institucional. A organização não governamental foi fundada em 26 de abril de 2003 por Maria Zilete da Rocha, e há 12 anos realiza esse trabalho junto da comunidade sapucaiense, mantendo-se com doações e voluntariado.

Crianças e adolescentes da casa junto das professoras Iula Wierzynski (E) e Janine Souza (D) (foto: Artur Colombo/Beta Redação)

Hoje no comando do lar, a diretora Ralissana Rocha coordena um grupo de 17 funcionários que atendem às demandas de 32 crianças e adolescentes, na faixa etária de zero a 18 anos. Segundo a professora de apoio pedagógico Iula Wierzynski, o ingresso dos acolhidos se dá por meio de encaminhamento feito pelo Conselho Tutelar e pelo Juizado da Infância e Juventude. “Normalmente as crianças e adolescentes vêm de famílias que estão passando por problemas e que naquele momento não podem ficar com elas. A partir daí, ficam aqui, guardados por nós, até que possam voltar para a família ou ser direcionados para outra parte da família onde estejam seguros”, explica.

Sala de vídeo no segundo andar do lar. (Foto: Artur Colombo/Beta Redação)

Iula e Janine Souza, também professora de apoio pedagógico, são responsáveis por realizar o nivelamento escolar das crianças no contraturno das aulas. As crianças de zero a 12 estudam com Janine, e os adolescentes até 18 anos ficam com Iula. Segundo ela, esse nivelamento é importante porque, “devido à desorganização das famílias, elas não têm essa preocupação de mandá-los sempre à escola”. Por isso é necessário um reforço por parte das professoras da ONG. No ano passado, o nível de aprovação dos acolhidos foi de 98%.

Além do trabalho de nivelamento escolar, há oficinas oferecidas pela Secretaria de Cultura do Município. A secretaria oferece aos acolhidos cursos gratuitos de hip-hop, arte, dança e violão, entre outros. Iula acrescenta que, a partir dessa lista, os alunos podem optar por uma ou duas oficinas, dependendo do desempenho escolar.

Acolhidos recebem acompanhamento psicológico

Fernanda Reginato, psicóloga no lar. (Foto: Artur Colombo/Beta Redação)

Além do trabalho das professoras e das oficinas, o lar possui uma psicóloga. Fernanda Reginato trabalha há um mês na casa, porém, não realiza acompanhamento clínico. “No momento do acolhimento, eu faço uma primeira escuta, vou acompanhando elas aqui dentro da casa, realizando escutas individuais no momento que elas me pedem ou quando eu verifico alguma situação mais pontual”, explica. Quando se percebe uma situação mais evidente, há o encaminhamento para atendimento clinico na rede. Quanto às dificuldades do trabalho, Fernanda alega que: “é um trabalho que não para, cada dia é um dia, mas tenho gostado muito. Acho muito necessário e percebo que as crianças buscam este apoio”.

Espaço inclui playground e biblioteca

Um dos dormitórios femininos do lar (foto: Artur Colombo/Beta Redação)

A Casa-Lar Abrigo Meu Refúgio possui dormitórios divididos entre meninos e meninas e separados por faixas etárias. Cada ala possuí seu próprio banheiro e chuveiros separados. A Casa ainda possui uma ala social, cozinha, lavanderia, quadra de esportes, playground e uma biblioteca abastecida de doações.

Comunidade apoia com doações

Equipe da ong e voluntários realizam a separação de doações em um dos cômodos (foto: Artur Colombo/Beta Redação)

Conforme Iula, parte importante do trabalho com os acolhidos é a valorização da dignidade e autoestima deles. Com isso, ao realizar a triagem das doações - principal fonte de vestimenta e alimento deles - o que é encontrado de melhor é separado para as crianças e adolescentes do lar. Após essa separação, o que sobra é repassado para outras instituições e vendido em um bazar organizado pelo próprio lar.

Prefeitura trabalha em conjunto com abrigo

Além do auxílio e apoio da comunidade, parte importante do trabalho de ONGs como a Casa-Lar Abrigo Meu Refúgio se dá através do trabalho em conjunto com o município. Em Sapucaia do Sul, essa parceria ocorre por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social, a qual realiza um termo de convênio com estas instituições e as fiscaliza.

Para Caroline Roza Batista, diretora de vigilância sócio assistencial, em Sapucaia do sul, a Casa-Lar Abrigo Meu Refúgio realiza um serviço previsto na política nacional de assistência social dentro da proteção social especial de alta complexidade. Segundo ela, a ação deste lar é fundamental, já que, se não fosse executada pela ONG, o município teria que executar de forma direta.

Caroline explica que o trabalho realizado pelo lar é complementar às ações dos centros de referência de assistência social, que tentam frear o abandono de crianças e adolescentes na cidade.

Ela também afirmou que, consequentemente, estes serviço demandam padrões e não podem ser realizados de qualquer maneira. Já que está ligado diretamente com crianças e adolescentes, “ou seja, pessoas que não possuem experiência suficiente para saber o que é melhor pra si”, diz a diretora.

Dessa forma, sobre a fiscalização, ela informa que: “primeiramente é realizado o termo de convenio. A Secretaria de Desenvolvimento Social, por meio da Diretoria de Vigilância Sócio Assistencial, junto de uma assistente social técnica e uma psicóloga, fiscalizam a qualidade de atendimento, número de crianças e recursos pagos à entidade. Ela diz ainda que, além desta fiscalização, os lares passam pelo Conselho Municipal de Assistência Social e Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, sendo que a cada trimestre é realizado e entregue um relatório de atividades.

Segundo Caroline, apesar das dificuldades, o trabalho é bem realizado pela Casa-Lar Abrigo Meu Refúgio. “Eles tem muitos parceiros, a população apoia muito o lar. Se falta algo na instituição, a comunidade os atende quase de imediato, porque conhecem o bom trabalho realizado pela instituição”, explica.

Crianças do lar participando de uma aula recreativa (foto: Artur Colombo/Beta Redação)
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