Uma grande prosa em Porto Alegre
Temas como literatura, cidades e cotidiano ganham destaque no livro “Prosa Pequena”, de autoria de Amilcar Bettega

Na quinta-feira, 31 de outubro, no bar Parangolé, em Porto Alegre, ocorreu o lançamento do livro “Prosa Pequena”, de Amilcar Bettega. O trabalho reúne textos do autor gaúcho escritos em sua coluna no site Terra Magazine. O evento também contou com um debate entre o autor e o escritor de contos, Reginaldo Pujol Filho, sobre “Narrativas Curtas”.
O bate-papo entre os dois seguiu uma linha de entrevista, mesclando comentários opinativos de Reginaldo e a leitura de textos do livro.
Especificidades da narrativa
Num primeiro momento, Reginaldo trouxe ao público percepções sobre a obra “Prosa Pequena”, que inicia e finaliza com textos que dissertam sobre a arte de fazer literatura. Esses trechos, na visão de Pujol Filho, deixam latente o quanto a arte da escrita comove o autor.
Na avaliação do próprio Reginaldo, os mais diversos temas abordados no livro — cidades, literatura, cotidiano-o comovem de alguma forma, ainda que não consiga destacar um em especial.
Sobre a narrativa utilizada no livro, Reginaldo comenta que o narrador do texto de Amilcar foge do modelo padrão, pois não se mostra onipotente à história. Propondo a ele diversos objetivos, no entanto, assume a incapacidade de alcançar a todos.
“Tem situações em que meus protagonistas não estão no controle. Pois é assim, nem sempre se está”, comenta Amilcar. Para o comentarista, nesse mesmo sentido de quebra de paradigma da figura central, outro narrador bastante presente é o observador, ou seja, a pessoa que olha tudo à sua volta, contudo é inábil para mudar aquela situação.
A questão das cidades, desde as cidades reais onde autor viveu e esteve, ou as imaginárias, se fazem bastante presentes nas narrativas. A percepção, tanto de Amilcar, quanto de Reginaldo, sobre isso, é que no livro ele se utiliza dos locais para refletir sobre os diversos aspectos que estes compõem e demonstrar as diferenças e singularidades de cada um deles.
“Eu sinto que você faz análogos entre as cidades, nos dando a particularidade da sua experiência em cada local”, comenta Reginaldo, enquanto Amilcar move a cabeça em sinal de acordo.
Ao final da conversa, houve uma sessão de autógrafos de Amilcar Bettega.

