Vale do Sinos não atinge a meta de vacinação contra o sarampo e a polio

A menos de uma semana de acabar a campanha, nove dos 14 municípios da região ainda trabalham para vacinar crianças entre 1 e 5 anos incompletos

Municípios intensificam ações para atingir a meta de vacinação na última semana da campanha (Foto: Erasmo Salomão/Ministério da Saúde/2014)

E m meio ao retorno da polêmica sobre a eficácia das vacinas no Brasil, a Campanha Nacional de Vacinação contra o Sarampo e a Poliomielite terminará na próxima sexta-feira, 14, sem que boa parte dos municípios do Vale dos Sinos tenha atingido a meta estipulada pelo Ministério de Saúde, que é de 95% do público-alvo. Das 14 cidades da região, apenas cinco haviam vacinado, até esta segunda-feira, 11, o número previsto de crianças entre um e cinco anos incompletos.

Uma dessas cidades é Campo Bom, onde a campanha foi encerrada antes do prazo final. A técnica em enfermagem Liani Bickel, 53, responsável pelo Setor de Vacinações da prefeitura, afirma que foi necessário um engajamento a mais para chegar à totalidade das crianças vacinadas. “As duas primeiras semanas de campanha foram muito fracas”, lamenta. Ela ainda cita o uso de métodos mais tradicionais para a adesão à campanha, como o uso de carros de som, chamamento pelo rádio, além do “Dia D” para a vacinação, em 18 de agosto, como formas de ampliar a vacinação.

Em Ivoti, um dos primeiros municípios do Vale dos Sinos a ultrapassar a meta de crianças vacinadas, a adesão dos pais e responsáveis foi um dos destaques. “Fizemos a divulgação na rádio e no jornal, e a comunidade aderiu. Os pais trouxeram as crianças e viram que é importante”, afirma a enfermeira Alexandra Fick, 37, coordenadora do Setor de Epidemiologia do município.

Em Novo Hamburgo, uma das maiores cidades da região, o trabalho é para atingir, até o final desta semana, a meta estipulada pelo Ministério da Saúde. O enfermeiro Edson Luis da Silva, 53, responsável pelo Setor de Imunizações do município, reforçou que as vacinas estão disponíveis em todas as Unidades Básicas de Saúde.

Após 26 dias de campanha em agosto, o Ministério da Saúde decidiu prorrogar a Campanha de Vacinação contra o Sarampo e a Poliomielite em todo o país devido à baixa procura. Até a sexta-feira, 14 de setembro, pais, mães e responsáveis poderão comparecer às unidades de saúde dos seus municípios para que as crianças sejam vacinadas. Parte da baixa adesão pode ser atribuída a um movimento que busca colocar em xeque a eficácia da vacinação.

Gráficos apresentam número de crianças vacinadas e porcentagem por cidade
Ranking por idade de crianças imunizadas no Estado

Eficácia da vacinação: o retorno da polêmica

Levar ou não o filho para vacinar? A questão começou a ser levantada novamente neste ano. Moradora de Sapucaia do Sul, a auxiliar de serviços gerais Flávia Moura, 42, preocupa-se com a saúde do filho, Frederico Moura da Silva, 4, e defende a vacinação como forma de prevenção. “Acho muito importante dar a vacina na criança, porque mesmo que não tenham casos, se houver, ele vai estar protegido”, afirma Flávia fazendo referência à poliomielite.

Os últimos casos de poliomielite no Brasil aconteceram em 1989. Durante esses 29 anos, o país conseguiu erradicar o vírus, principalmente através da vacina. Nos últimos três anos, o vírus da paralisia infantil circulou por 23 países. O mais próximo ao Brasil foi a Venezuela. “A única proteção contra a poliomielite é a vacina. (Contra) sarampo, rubéola e caxumba, não que proteja cem por cento, mas dá uma grande proteção e, se a criança ou adulto chegar a ter, os sintomas serão brandos”, afirma Liani Bickel, do setor de imunizações da prefeitura de Campo Bom.

Nem todo mundo acredita que a vacina seja realmente eficaz. No Facebook, ao digitar as palavras-chave “vacinas contra”, os primeiros resultados da pesquisa mostrarão grupos que colocam a imunização em dúvida. Uma mulher, membro do grupo “Vacinas……. Pros & Contras”, que preferiu não ser identificada nesta matéria, critica a obrigatoriedade imposta pelo governo federal quanto às vacinas. Segundo ela, o fato de a mãe, pai ou responsável ser obrigado a vacinar o filho retira a liberdade do sujeito. “Sem contar que o Sistema Único de Saúde não avalia quem vai ser beneficiado ou prejudicado com a vacinação, no que diz respeito ao estado de saúde do paciente”, conclui. Ela também não acredita na eficácia das vacinas e diz que “depende da reação orgânica de cada indivíduo”.

Já para o médico pediatra Juarez Cunha, 60, a dúvida da população não é sobre a eficácia da vacina, mas sim sobre a segurança, já que a da pólio e do sarampo possuem mais de 95% de possibilidade de proteção. “Tem uma falsa segurança das pessoas, principalmente as mais jovens, em relação a doenças que nunca viram na vida”, afirma Cunha, que atua na Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre. Ele também destaca o poder das mídias sociais no movimento, chamado por ele de “antivacinismo”. “Não são exatamente fake news, mas às vezes tem uma exploração demasiada. Vacina é um medicamento, tu pode ter evento adverso”, afirma o médico. Segundo ele, o risco de hospitalização e morte é muito maior que uma reação que a vacina pode causar.

O município de Novo Hamburgo disponibiliza as doses nas Unidades de Saúde, além da Casa de Vacina. (Foto: Marcelo Janssen/Beta Redação)

A Beta Redação ressalta:

A Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite e o Sarampo continua até a sexta-feira, 14 de setembro. Leve o seu filho que tenha entre um ano e cinco anos incompletos até a Unidade Básica de Saúde mais próxima com a carteira de vacinação em mãos. A aplicação é gratuita em todo território nacional.

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