Kanban e o Daltonismo

Uma vez presenciei uma colega de trabalho explicando a gestão visual dos quadros que eles utilizavam para um rapaz que havia acabado de entrar na empresa. Eram quadros coloridos e cada cor representava alguma coisa: post-its rosas eram impedimentos, amarelos eram atividades , entre outras cores. Tudo muito bonito e detalhado até que em um determinado momento, este rapaz pediu para ela mostrar qual cor era no quadro, pois ele era daltônico.

Fiquei pasma pelo fato de NUNCA ter parado para pensar sobre como os quadros que trabalhei até o momento não estavam preparados para pessoas com deficiências visuais. E o número de deficientes visuais não são baixos! Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), existem quase 40 milhões de cegos no mundo. Achou muito? Pois bem, são mais de 246 milhões de pessoas com visão parcial. No caso do daltonismo, 5% da população mundial é daltônica e estima que no Brasil o número de daltônicos é de 8 milhões de pessoas.

Apesar desses números serem grandes, não há tantas discussões de como fazer a inclusão dos portadores de deficiência visual no dia-a-dia, sendo raríssimos os casos que chegam na mídia. Depois de muita procura, encontrei um caso legal do pessoal do TRE-RJ. Já tinha ouvido falar que programas que auxiliam o desenvolvedor cego, por exemplo, mas no caso do board ou quadro físico, isso fica bem mais difícil. Para contornar essa dificuldade, eles, além dos programas, utilizam máquinas que escrevem em braille para identificar os cartões, formatos diferentes dos post-its e também os percevejos (ou tachinhas) de vários formatos.

Obviamente não há a fórmula correta, mas existem alguns pontos que podemos fazer para melhorar o dia-a-dia dos nossos times. Primeiramente, no caso do daltonismo, conhecer o grau do seu colega, pois alguns distinguem algumas cores e outros não. Isso ajudará a saber quais cores você pode ou não colocar no seu quadro.

Outro ponto é usar e abusar das formas, como fizeram o pessoal do TRE-RJ. Existem post-its quadrados, retangulares, redondos… e ainda existem as bolinhas para grudar neles. Um passeio em uma papelaria grande ajudará a identificar mais formas. O importante é focar em formas e não em cores.

Como havia dito, não há regras a serem seguidas e, como tudo na vida, experimente e melhore.