Olá Esquadrão Suicida

Sem enrolações e direto ao ponto, o filme é BOM! Não é excelente, nem péssimo, apenas bom. Um ótimo divertimento.
A sensação é que durante as duas horas no cinema temos dois filmes, que foram cortados e depois unidos em um só. A primeira parte do filme é excelente, animada e com um ritmo único. A introdução de cada personagem ao som da sua música tema e alinhado com uma ficha técnica do perfil deu uma ideia interessante do que veríamos pela frente.
Esse é o ritmo que deveria ter sido mantido até o final do filme, entretanto, a segunda metade dá uma boa deslizada, compromete o roteiro e talvez seja isso que a critica esteja apontando tanto. Nessa segunda parte tudo desanda a trama não sabe se mantém na base do drama ou da comédia, a vilaneza dos vilões é cliché e sem propósito e os personagens secundários são utilizados como figurantes de luxo.
Sem entrar em detalhes e dar spoilers, o filme anda muito bem com o trio principal, Arlequina, Pistoleiro e Rick Flagg. Arlequina é a personagem mais bem desenvolvida do filme, Margot Robbie arrasa no papel e já caiu nas graças de todos. O Pistoleiro do Will Smith também não deixa a desejar, seus flashbacks são os mais detalhados e sua personalidade muito bem estabelecida. Viola Davis não precisa ser nem mencionada no quesito atuação, ela arrasa e pronto, e entrega uma Amanda Waller sensacional, é como se tivessem dado carta branca e uma arma para Annalise Keating fazer o que ela quisesse.
Mas nem tudo no filme é um mar de rosas. Não há como deixar de mencionar o Coringa do Jared Leto, a personagem estrela do filme e aquele que todos ansiavam muito para ver em tela. Foram tantas noticias a respeito do comportamento do Jared Leto nesses últimos meses que as expectativas estavam a mil. Ele foi de camisinha usada a rato morto nos sets, não era pra menos que contássemos com uma participação excepcional do Coringa no filme.
O personagem não teve tempo em tela, não o suficiente que justificasse tanto alarde. E, pior ainda, seu coringa não faz nada que justifique sua presença na história, ele entra e sai sem fazer nada de mais. Se ele tivesse sido mantido nos flashbacks, teria sido menos desperdício. É triste dizer que um ator espetacular como o Jared Leto já se mostrou foi resumido a um Coringa sem personalidade, que não mete medo e só é apenas visualmente impactante.
Espero que com mais tempo em tela, no filme do Batman ele se destaque e mostre a que veio.
Assim como o Coringa pareceu meio deslocado na história, a Magia também não conta muito pro desenrolar da trama. Só não entro em mais detalhes à respeito dela para não dar spoilers.
Apesar dos erros, o resultado final é satisfatório. David Ayer dá uma fotografia diferente para esse filme, e é agradável ver Gotham City sob um olhar que não seja o mesmo do Snyder, aliás, a fotografia está de parabéns, pois mesmo em momentos escuros a visualização das cenas é ótima.
Esquadrão Suicida é um filme tecnicamente simples, com um roteiro básico. Um filme salvo pelas atuações e carismas de alguns personagens, mas que perde ponto em alguns furos, e personagens enfeites. De qualquer forma, vemos que a Warner tá sabendo para onde levar seus filmes, e mostrando que suas histórias podem até não agradar aos críticos, mas seus fãs e público em geral sairão dos cinemas agraciados.