Nudes

Não as mande, pois apetecem-me pouco ou quase nada. Envia flores, largue notas no meio das minhas crônicas preferidas. Abra sorriso a um estranho, teus lábios são agridoces e o que é belo merece ser visto.

Manda tuas ideias, conta-me sobre o que te dá medo. Peça meu cafuné emprestado e demore a devolver. Prometo não reclamar. Anuncia que já volta e torne logo.

Que fazes quando chove? E quando troveja dentro do próprio peito teu, vais em direção aos afagos de quem?

Andas apressado ao relento por medo ou por que não há tempo a perder? Corres para chegar ou para fugir? Tropeças em teus próprios passos? Caçoas do acaso ou crês piamente que não há gota que pingue fora do lugar?

Preferes doce ou amargo? E teu café, espresso ou coado? Abismo ou plenitude? Rimas ou prosas?

Escreve teus demônios em ordem alfabética, numera tuas dores, afere teus batimentos. Quais são os planos pro futuro? Gostas do teu presente? Preferes não balbuciar sobre o passado? E aos domingos, que fazes?

Diga-me, por fim: que te brilha os olhos? Que te faz acreditar no amanhã? Que te tiras o sossego? O âmago de teu tormento? A dor?

Compartilha comigo.

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