SplitShire, by Daniel Nanescu

A culpa não é da crise, é sua.


A culpa não é da crise, é sua. A crise está aí, todo mundo sabe. A pergunta que não quer calar é:

o que você vai fazer sobre isso?

Acho que está na hora de começar a trabalhar diferente. Sim, vai ser mais difícil, talvez a forma que você esta acostumado a trabalhar já não funciona mais e você vai precisar sair do conforto da sua agenda e fazer chover no serrado.

Tudo que se ouve agora é “Desaceleração por causa da crise”, “Não vamos investir por causa da crise”, “Estamos aguardando a crise”.

O próximo passo vai ser qual? Parar de trabalhar também?

Alguns de nós são de uma geração marcada pelos momentos de mercado, e isso nos deixou mal acostumados. E por isso fazemos esse alerta.

Analisemos uma metáfora. A crise é como uma doença sazonal, ela chega sorrateira, faz um pequeno estrago e começa a meter medo em todo mundo. Vai pegar uns desavisados na primeira leva só para “tocar o terror”. Mas como quase toda virose, temos três soluções: ou tem remédio para curar quem já pegou, ou tem vacina para evitar que pegue, ou inciamos um trabalho de prevenção, mantendo uma boa imunidade, higiene, cuidado pessoal e quando vê, a coisa já passou e nem percebemos.

Pois é, mas aí encontramos um erro na equação. Muita gente não se enquadra em nenhum dos perfis acima. O maior problema por trás disso é o efeito em cadeia. Você, embaixo das cobertas, acaba parando de comprar, investir e criar mais. Por isso, não cresce, vende menos e começa a estagnar. Seu fornecedor, por causa disso, vende menos, passa a comprar menos porque produz menos, começa a investir menos, para de de criar novas soluções para você. E o fornecedor dele? Bom.. acho que já fui bem claro.

Aí nasce outro problema, porque até o momento estamos falando do seu negócio, sua empresa, a empresa do seu parceiro/fornecedor/cliente. Mas e a pessoa física por trás disso tudo?

Quem trabalha menos recebe menos, se não é dono ou não é um key asset para empresa, quem sabe vai até para rua. Recebendo menos esse cara vai reduzir o que compra (as coisas já estão caras, com pouco dinheiro para gastar então), investir menos e se divertir menos.

Vem comigo para uma linha de raciocínio bem rápida. Assumimos o seguinte:

Um programador vai pra rua.

Sem emprego ou com um emprego com salário mais baixo, passa a economizar no supermercado. Parou de comprar o celular do ano. Não viaja mais pra fazer compras em Miami. Botou a filha na escola pública. Vendeu o carro novo, pegou um usado mais barato para ficar com um troco. Parou de assinar aquele serviço de telefonia pós-pago e aderiu a um plano controle. Está economizando nos jantares. TV a Cabo? Nem pensar! Ficou só com internet e telefone para manter o combo com desconto e está contando com Netflix e PirateBay para fazer a diversão da família. Ah, e cancelou aquele curso online de Java que tanto queria fazer.

Com isso, o que acontece com o supermercado, a loja de celular, a agência de viagens, a escola particular, a concessionária, o restaurante e o site de cursos?

Param de comprar, investir e criar. E quem vai pagar o pato?

  • Você que tem sistema de logística para grande lojas do varejo.
  • Você que está criando um aplicativo para gestão de notas de escola particular.
  • Você que tem um sistema para concessionárias e não vai gostar de saber que seu cliente vai precisar dar uma economizada esse ano e vai colocar uma solução mais barata, ou nenhuma mesmo.

Por conta disso tudo você vai ter que demitir aquele programador de Java. Né?

Por isso, não se esqueça que a culpa também é sua.

Acredito que agora é a hora de tirar a bubuca da cadeira e começar a trabalhar diferente. Lembre que eu citei quatro perfis anteriormente. Qual deles você quer ser? Eu já criei vergonha na cara, estou tomando vitamina C, me alimentando bem e lavando a mão a cada duas horas. E você? Ainda está embaixo da coberta ou está indo correr atrás do prejuízo?