Clique aqui

Um dos erros mais antigos — e bem intencionados — que cometemos ao projetar links.

De boas intenções, os problemas de usabilidade estão cheios. A ideia é simples: na rua você explica que, para chegar ao trem, a pessoa deve virar à esquerda. Então na web você diz ao usuário que, para chegar ao link desejado, é só ele clicar ali. Certo? Não, errado:


Usuários não lêem na web

Sabemos que os usuários não lêem todo o texto desde o ano de lançamento do Titanic.

A abordagem "Para ver a página, clique aqui" assume que as pessoas vão ler o texto inteiro. Não vão. Lá nos idos de 1997 o Nielsen já dizia que, no teste que realizaram, só 16% leram palavra a palavra. O Krug fez um diagrama de como as pessoas navegam ainda no fim daquele milênio.s

Usuários escaneiam

O que não parece interessante vira ruído

O cara não vai ficar pra sempre na sua página. Na verdade, ele deve querer passar o mínimo tempo necessário pra achar o que quer. E vai dar uma olhada geral procurando qualquer qualquer coisa que pareça o que ele quer e que tenha uma affordance percebida, como diz o Norman. Ou seja, tudo que for sublinhadinho, colorido, que pareça que se pode clicar, é o que ele vai olhar primeiro. O resto é resto.

E "clique aqui" não quer dizer nada

Não precisamos ensinar às pessoas como clicar

Aí é que mora o problema. Se você olhar esta página rapidamente, vai ver alguns "clique aqui" se destacando, pedindo atenção do seu mouse. Mas não vai saber a que eles se referem.

O que precisa se destacar é o destino do link. Clicar num link, o cara já sabe que precisa. O que falta é explicar a troco de quê ele faria isso. Clicar pra notícias? Ah, bom. Para entrar em contato? Legal. Isto, sim, ele precisa saber. Você precisa explicar aonde o clique vai levá-lo, e não como usar um link ;).