Medos, superstições e a experiência do usuário: o quanto o que acreditamos influencia na nossa experiência


Conheço algumas pessoas que acham que seus emails estão sendo lidos pelo próprio provedor do email. Okay, sabemos que estamos sujeitos a isso. Mas:

…e quando esse tipo de pensamento altera ou interfere no uso?

Existem inúmeros recursos que economizam tempo, trabalho e outras vezes apenas nos deixam felizes, mas não é de hoje que não confiamos na internet. Do mesmo modo que é fácil enviar um email para o outro lado do mundo no mesmo segundo, também parece muito fácil que essas informações sejam acessadas por aí.

Ferramentas como um editor de texto em nuvem, extremamente úteis, são usados com certo medo, por acreditarem na possibilidade do acesso a esse conteúdo. Por exemplo: se escrever um projeto lá, vão roubar minha idéia? — eu sou uma dessas pessoas (não, não sou uma gênia). Muitas empresas usam esses recursos com seus conteúdos confidenciais, pois são ferramntas tão populares e práticas que fica difícil voltar ao método antigo: salvar local, acessar pela rede, etc.

São usuários que usam o banco pelo celular, através de um app, porque se sentem mais seguros do que em um computador — comportamento que pode ser levado em consideração na melhoria dessa versão; outros que fazem compras no cartão de crédito em janelas anônimas, acreditando que dessa forma estão mais seguros; pessoas que preferem preencher cadastros mil, criar senhas (depois esquecer delas e ter que redefini-las), no lugar de utilizar o login pelo Facebook, imaginando que a plataforma obterá todas as suas informações — mesmo que esteja especificado que o que será acessado são apenas o nome, nascimento e foto de perfil; Usuários que, fazendo login pelo FB, nunca deixam de configurar o famoso “quem pode ver isso: somente eu” e ainda assim ficam desconfiados; os que acham que Mac não pega vírus (não pega mesmo haha); e um que particularmente acho super interessante:

O que dizer quando o medo se encontra em uma das formas mais envolventes: fé e religião. A funcionalidade nesse caso está sendo usada para intimidar religiosos testando sua fidelidade (e claro, divulgar a página). Claro que já vimos outros casos, outros assuntos.

Devemos considerar medos e crenças dos usuários ao projetarmos um recurso em uma ferramenta?

Acho que sim. Mesmo que esses medos sejam completamente desassociados com o próprio produto ou que demorem a aparecer. Um comportamento assim pode levar ao desenvolvimento de uma nova idéia, de outra funcionalidade. Imaginemos: Carlos, muito religioso, vê um post dizendo que se ele não compartilhar aquela imagem, ele é um filho do diabo — vi isso dois meses atrás. Se ele acredita nisso, claro que vai compartilhar. Luciana, sua amiga, respeita, mas não acredita nisso; isso não a interessa. Logo, para que um não deixe de ser amigo do outro, um recurso de “deixar de seguir Carlos” é criado.

Ou ainda: poderia ser dada ao usuário a opção de deixar de ver tudo o que Carlos posta ou apenas posts semelhantes àquele.

Tudo para melhorar a experiência de quem quer se expressar e também de quem não compartilha do mesmo receio.