Não precisa ser a Beyoncé

Para vivenciar uma performance, basta ser um UX Designer.


Primeiro o que é uma performance?
Tem que ter dança? Tem que ser ao vivo? Não necessariamente…
Segundo o crítico literário e historiador Paul Zumthor, qualquer forma de comunicação humana envolvendo corpo e/ou voz é uma performance.

Considerando este ponto de vista, algumas performances podem ser simples embora outras precisem de uma preparação especial. Por exemplo a cantora Beyoncé ao dar um show, para sua performance precisa de som, vídeo, produção, equipe, voz, plateia… Na teoria um UX Designer também — e talvez até cestas de frutas vermelhas e toalhas brancas — tudo para realizar um “simples” teste de usabilidade.

Todo o preparo para um teste é complexo, pois, não deixa de ser um “Live”. O momento é aquele, o tempo do usuário já está delimitado e temos que extrair o máximo de insumos possíveis. Há muita coisa em jogo no período dessas performances, então, tudo precisa estar roteirizado. Ao mesmo tempo em que estamos sob os holofotes (eu e Beyoncé), todo o planejamento dos próximos passos vem sendo feito em segundo plano. Em um teste, o raciocínio tem que ser rápido e as palavras têm que ser ponderadas para não influenciar as ações do usuário.

Beyoncé se comunicando.

Mas atenção, só palavras não são suficientes. A voz é uma extensão do corpo e observar o comportamento da pessoa permite entender uma gama maior de sinais de comunicação que ela transmite, mesmo que inconscientemente. Por exemplo:

O usuário (sim, ele também performa) comenta que determinado “ bloco grande e denso de texto” no site não o incomoda, mas enquanto fala, começa a franzir as sobrancelhas e coçar os olhos. Pelo seu comportamento é possível notar que ele não está sendo completamente sincero, talvez nem com ele mesmo.

As pessoas, quando postas nesse tipo de situação, costumam julgar seus incômodos ou falta de interesse como deficiências pessoais, muitas não tem discernimento para considerar a interface como o problema.

Geralmente nessas performances é comum acontecerem repetições, utilizamos os mesmos discursos e as pessoas respondem as mesmas coisas. E isso não é ruim. Em uma turnê as pessoas sempre gritam pelo nome do seu ídolo e pedem bis. Já em um campo montamos armadilhas no roteiro para apurar a real impressão do usuário, que costumam cair, felizmente.

Mas nem tudo são flores, aposto que até Beyoncé em algum momento já encarou uma plateia desanimada, que não importava o que fizesse, não se animava. Pois é “miga”, acontece. Mesmo que seja para falar que está ruim, que não está gostando, qualquer coisa é mais importante que a indiferença, bom… pelo menos em um teste.

Faz parte, trabalhando com diversos tipos de pessoas estamos sujeitos a encontrar inúmeras personalidades, jeitos e culturas, além de indivíduos com atitudes inusitadas. Nunca presenciei em um teste de usabilidade nada tão radical, mas mesmo assim não tira o fascínio da profissão.