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Quando o idioma não interfere no uso de uma interface


Você fala chinês? Nem eu. O que chamo atenção nesse texto é justamente um fato interessante que aconteceu recentemente: centenas de pessoas que conseguiram utilizar um aplicativo, todo em chinês, sem saber uma única palavra: o My Idol.

Mais um desses aplicativos de moda com tempo de vida limitado, ele te possibilita criar uma versão 3D de você mesmo e customizá-la conforme achar interessante — sim, é tão próximo do real que, como outras meninas, me diverti principalmente com a mudança de visual, testando outras cores de cabelos. Além de interagir com seu mascotinho, você pode tirar fotos e montar videos de animação, salvar no rolo da câmera e compartilhar.

A interface do My Idol: toda em chinês

O app conta com uma interface simples e dinâmica, sendo alguns botões de comando representados por ícones e os demais por caracteres chineses. Os feedbacks também são bem sinalizados. Por exemplo: enquanto o enquadramento do rosto da pessoa estiver ruim, a moldura fica vermelha. Quando correto, fica verde. O ajuste também é guiado, mostrando exatamente o que você está fazendo naquele momento e o que deveria fazer. A sequência é simples e o app te leva ao próximo passo sempre.

Curiosa, perguntei a alguns amigos o que haviam feito para conseguir usar: se haviam procurado algum tipo de ajuda ou site pela internet. A resposta foi a mesma: fui pela lógica. Mais do que padrões, essa lógica nada mais é do que um conhecimento adquirido em experiências anteriores em aplicativos e que transpõe qualquer idioma, além da suposição por reconhecimento de formas. Claro, estou fazendo uma observação em cima de possíveis heavy users — o resultado de um teste com outros perfis talvez fosse diferente.

Seríamos capazes de substituir os títulos dos botões de ação por caracteres indecifráveis e ainda assim permitir que usuários cumpram as tarefas básicas em nossas interfaces?

Este não é o primeiro caso e nem será o último. Com certeza você já comprou alguma coisa em um site em outro idioma ou conhece alguém que já fez isso, sem contar o uso dos incríveis totens de check in e baggage drop off em aeroportos de outros países — que não necessariamente apresentam as opções de idioma de forma clara ou que possuam nosso querido português. Se parar para pensar, é mais ou menos a mesma lógica que um bebê de 3 anos deve seguir para utilizar uma interface, mas isso é assunto para um próximo post!

Se você ainda não conhece o app (que infelizmente só existe para iOS por enquanto), te desafio a baixar o My Idol e tentar montar o seu bonequinho.

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