10 anos de SP

29 de fevereiro de 2004. Saí da casa da minha mãe (com ela, claro) e uma mala, uma cartinha e medo, muito medo. O destino era São Paulo, mais exatamente a Rua Urussuí,no Itaim, meu primeiro endereço. Nesse dia, o livro se acabou. E começou um novo (hey! Eu sou leitor de sagas! Histórias se escrevem vários livros e não em um apenas).

Esse livro, começou restrito em espaço e gigante em sonhos. Eu sabia ir do meu bairro pra ECA. E fazer o caminho de volta. E isso só por que existia um ônibus que fazia o caminho direto, o glorioso 477U — Heliópolis — Butantã USP. Com o tempo, esse caminho ganhou a Paulista e seus bares (Pra que lado fica a Brigadeiro, Erica?). Ganhou a Vila Mariana, na casa do Fukushiro que me acolhia. A casa do Paulinho, grande companheiro de bar.

E como tudo, as mudanças vieram. Itaim Bibi, Pinheiros, Vila Leopoldina, Butantã, Rio Pequeno, Vila Mariana, República. Muitos bairros no currículo. E em cada um eu expandia meus interesses pela cidade.

O Reserva Cultural, o Unibanco da Augusta, Bristol, Conjunto Nacional, Vanilla, Livraria Cultura, o café da Livraria (ou pelo menos a frustrada tentativa). Lugares que passaram a ser parte da minha vida.

São Paulo não é uma cidade fácil. É violenta, é cheia demais de pessoas. Tem dias que tudo que queremos é um abraço e ela é fria. Mas São Paulo é livre. É liberal. São Paulo permite que até os mais acanhados como eu um dia fui possam se descobrir. Em São Paulo eu me achei como adulto, como homem, como profissional, como amigo.

Foram dez anos por aqui. E mais alguns virão. Talvez eu saia. As vezes é preciso olhar de fora e sentir um pouco de saudades. Mas ainda assim, essa cidade me achou assim como eu a achei. Dez felizes anos.


Originally published at andresobreiro.com.br.

Like what you read? Give André Sobreiro a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.