A aceitação sobre ser gay

Você se aceita completamente? Se sim, lembra em que momento isso aconteceu para você? Esses dias eu me peguei pensando nisso: em que momento eu me aceitei plenamente? E a resposta não foi exatamente a que eu esperava.

Ainda adolescente eu me mudei para São Paulo. Sair da casa dos pais, mudar para uma cidade grande e morar sozinho me deu uma oportunidade incrível: a de me descobrir. De maneira bem inconsciente eu comecei a me questionar sobre quem era o André Sobreiro de Campinas e quem era o André Sobreiro que estava nascendo em São Paulo.

Não que eles fossem excludentes. Tem muito do menino do interior ainda em mim e eu tenho bastante orgulho dele. Ainda sou profundamente apegado à minha família (e isso cabe um outro post que em breve sai), muitos valores que eu aprendi carrego comigo até hoje. Mas aquele André não era o André que eu queria ser.

E aí eu comecei a ser o que eu queria. Nisso aflorou muito da minha sexualidade. Para minha sorte eu estava em um ambiente de muita aceitação (a faculdade) ou então eu era distraído o bastante para não notar o preconceito, mas foi ali na ECA que eu comecei a me descobrir como gay. Para isso, coitados dos meus ex, eu fiz muita cagada, muita mesmo. Se algum de vocês ler isso, desculpa mesmo. Mas foi no meio disso que eu fui entendendo o que eu gosto e o que eu não gosto, o que eu quero e o que eu não quero.

E aqui eu não falo apenas de Ativo/Passivo/Versátil/Etc. Falo sim disso também, mas falo de valores, de formatos, de crenças de como ser o gay que eu queria ser. E assim foi nascendo esse meu novo eu, o eu de São Paulo.

Um marco fundamental para isso está lá em 2007, no dia que eu me assumi oficialmente para a minha mãe. Naquele momento meus dois mundos se colidiram: o André de Campinas (que voltava aos finais de semana) e o André de São Paulo se encontravam. E isso foi fundamental para nascer esse André que eu sou hoje.

Ali eu me entendi e me aceitei de uma maneira como raras vezes eu tinha passado. Ali começou a jornada de oficialmente apresentar aos que conheciam o André de Campinas quem era o André de São Paulo.

Um post mais aberto em rede social aqui, outro acolá e a mensagem ia sendo passada. Eu não precisava contar para cada pessoa que eu era gay. Eu estava (e estou!) vivendo sendo gay e eles que entendessem. A questão era minha mesmo.

Hoje, tantos anos depois, ainda me pego pensando se me aceito completamente. E a resposta é não. E se isso me entristece um pouco, me mostra que ainda tenho uma jornada de descobertas, mudanças e empoderamento a cumprir. O que é algo que me anima bastante.

Like what you read? Give André Sobreiro a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.