A gente não é o Super-Homem… e tá tudo bem

Eu vivi os últimos piores dois anos da minha vida. 2017 eu narrei em detalhes por aqui e não vale a pena destrinchar mais. E é curioso que, olhando esse link que eu postei no final desse processo, eu achei muito do meu entendimento sobre 2018.

Doenças te isolam. Por mais que você receba carinho virtual (isso é carinho? Não sei mais), as pessoas se afastam de você. E quando acabou, eu tinha certeza que estava com uma força avassaladora para me reinventar. Junte a isso que você passa meses sendo superprotegido, então muitos medos ficam adormecidos. Pronto, sou o fodão.

Aí 2018 bateu na minha porta e disse “calma André, não é bem assim”. E, de fato, não foi. As dificuldades estavam todas ali e se juntaram a um período estagnado. O resultado? Uma queda colossal. Não física, nesse sentido está tudo bem (não 100%, mas logo entro nessa questão). Foi no psicológico.

Eu não me tornei o profissional rico e bem sucedido que eu achei. Nem a pessoa rodeada de amigos. Muito pelo contrário. O profissional entrou em um modo automático insustentável e os amigos, bom, eles rarearam. Com isso, minha auto-estima foi para o buraco, engordei, me senti feio, não desejado e tudo mais. E o fundo do poço se mostrou cada vez mais fundo.

E o que eu fiz? Segui alimentando uma imagem feliz e bem realizado nas redes sociais. O medo de me reconhecer como falhando sempre foi enorme. Eu não podia demonstrar. Percebe a narrativa autodestrutiva que eu entrei? Pois é.

Mas tudo isso passou. Não totalmente, claro. Mas em um dado momento eu comecei a ter clareza que eu sou apenas um (grandinho, mas um) e que a gente é igual sacolinha de mercado: enche e atrapalha as tartarugas. Eis que, de maneira intuitiva comecei a fazer a Marie Kondo na minha vida e a me despegar de coisas, de memórias e, principalmente de pessoas.

A parte de pessoas, especialmente, foi dolorida. Percebi que eu seguia chamando de amigos pessoas que foram sim muito importantes na minha história. Mas que hoje são conhecidos. Não sei suas vidas, suas dores, suas vivências. E tá tudo bem. Mas que foi dolorido.

E quanto mais eu me libertava, mais notava um vazio crescente. E, por vazio, não entenda como algo ruim. Mas sim como algo a se preencher com novos amigos, novas vivências, coisas boas.

E aí, pela segunda vez eu me deparo com a frase do título (a primeira tá subentendida aí no meio). Ao notar tudo isso, comecei a entender tudo que eu precisava fazer para ser alguém melhor comigo mesmo: estudar, terapia, ser criativo, fazer novos amigos, me exercitar, me amar.

Mas ah, a maturidade. Ela nos ensina. E ela está me ensinando que eu estou sim evoluindo desse André de 2018. Mas que tudo bem eu ainda estar longe da perfeição. O copo não está nem meio cheio e nem meio vazio. Ele está enchendo. Mas a gente precisa deixar uma outra saída nele, para que a gente siga a vida toda buscando encher e nunca conseguindo. Isso que é viver, não?