A retomada da paixão

2011 tem sido um ano muito bom. Mas isso será tema dos balanços de final de ano (aliás, cadê eles @maxreinert? Quer ajuda?). Mas um aspecto foi em ruim, pelo menos para mim: a minha relação com os cinemas. Além de o tempo para o cinema estar reduzido, poucos filmes me causaram arrebatamento. A sensação era a de que seria conduzido a um final de ano morno.
E eis que surge Pedro Almodóvar e seu A Pele que Habito. A expectativa estava grande. Por precaução, li muito pouco sobre o filme e fugi de todas as críticas. E não poderia ter feito melhor escolha. Passei o filme todo pensando, refletindo em tudo o que assistia, sempre impressionado com a beleza do filme e com as atuações.
Antonio Banderas, de quem nunca fui lá muito fã, está incrível. E o que falar de Elena Anaya e Jan Cornet? Dois lados de uma mesma perfeição. Aliás, difícil encontrar defeitos no filme. Atuações na medida, ambientação sempre bem feita, direção e roteiro consistentes e uma boa sensação de que Almodóvar amadureceu mas sem perder as características do seu cinema.
Não nego, não é um filme fácil. Esqueça a ideia de sentar na cadeira e relaxar algumas horas. As risadas são incômodas, as cenas fortes e brutas são muitas, o pensar e refletir sobre cada uma daquelas personagens é constante. Agora, se está disposto a isso, a recompensa é certa. O diretor te devolve uma obra incrível, envolvente. Uma obra prima. Eu e o cinema renovamos a nossa história de amor.

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