A tal da libido…

André Sobreiro
Oct 22 · 2 min read

Tem dias que eu acordo absolutamente subindo pelas paredes, completamente tarado, como se eu tivesse ainda meus vinte e poucos anos e não pudesse usar sunga na praia. Em compensação em alguns dias eu acordo como se sexo fosse algo completamente alheio à minha realidade e às minhas necessidades.

E nos dois casos está tudo bem. Voltando para a já citada juventude, quando era novinho, bastava o mais breve estímulo e tudo subia. Um vislumbre de um homem interessante, um tecido que roça, uma simples viajada na mente. Praia e piscina, dois ambientes que eu adoro, eram um absoluto terror, com medo de aparecer coisa demais.

Com o passar dos anos fui entendendo que isso eram meus hormônios falando, não necessariamente minha vontade de pegar essas pessoas. Ok, existia a vontade, afinal, menino donzelo quer experimentar, né?

A idade chega e as coisas já não são mais como dantes. Uma falhada aqui, outra acolá (e tudo bem!), usar sunga deixou de ser um problema e a libido segue aqui. Mas sabe o que a vida adulta ensinou? Que libido oscila. E bastante.

Em 2017, durante meu tratamento, ela desapareceu. Isso foi uma situação bem atípica, mas foi ela que me ensinou. Que eu gosto de sexo não é segredo para quem lê aqui. Mas, sendo franco, estou longe de ser essa máquina sexual que a filmografia pornô propõe. E ainda bem.

Tem fases que quero coisas diferentes, mais inventivas. Tem fases que quero só aquele trivial bem feito. Tem fase que não quero nada. E essas fases podem variar dentro de um mesmo dia.

E essa é a graça de ir ficando velho: você perde a urgência das coisas. Sexo rola quando tem que rolar, não precisa ser todas as vezes. E tudo bem mesmo. E quando a libido cair, vai comer bolo, ler um livro. Enquanto não for um problema real de saúde, tá tudo bem.

André Sobreiro

A vida como ela é: colorida e com tons de cinza

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Vivo de internet e cultura! Edito esse blog, o Salada de Cinema e muito mais coisa por aí!

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